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  ‘Puxa vida, acho que sou cantora’

O produtor e músico Paulão 7 Cordas (à esq.), Teresa Cristina e o grupo Semente: o sexteto foi responsável pelo melhor disco de samba de 2002, A Música de Paulinho da Viola – Vol. 1 e 2
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Uma moça tímida, de 34 anos, nascida no subúrbio do Rio, que canta com os olhos fechados e ainda tem dúvidas se é cantora foi o grande destaque do mundo do samba em 2002. Trata-se de Teresa Cristina – “a nova voz feminina do samba”, como vem sendo chamada – que no ano passado lançou o disco mais bonito do gênero, o duplo A Música de Paulinho da Viola. Os CDs mereceram elogios rasgados de toda a imprensa e levaram o prêmio de Melhor Disco de Samba segundo o UNIVERSO MUSICAL; a intérprete, por sua vez, foi escolhida a Melhor Cantora de Samba, Artista Revelação Nacional e autora do Melhor Show de Samba.
Apesar de tanta badalação, Teresa conta que a “ficha ainda não caiu”. Tudo ainda é muito novo para ela, que começou a cantar em 1998, no Bar Semente, na boêmia Lapa, ao lado de um grupo de músicos que pretendia fazer uma homenagem a Candeia, no ano em que se completavam duas décadas de sua morte. O show nunca saiu do papel, mas serviu para entrosar Teresa e o grupo, que ficou conhecido pelo nome do bar. Pesquisando a obra de Candeia, a cantora foi conhecendo bambas como a Velha Guarda da Portela e Wilson Moreira, que deram todo o apoio. O incentivo final veio no ano seguinte, quando Teresa foi demitida do Detran, onde trabalhava. Pronto, estava na hora de se dedicar totalmente à música.
“A primeira música que fiz foi em 1997, um ponto de umbanda para o grupo em que meu marido tocava, o Corda Bamba. Comecei a compor muito tarde, mas com o tempo passei a acreditar que poderia ser uma compositora, e não uma cantora, pois achava que não tinha técnica para isso, não respirava direito, cantava de olhos fechados. Não pensei que fosse durar muito tempo como cantora”, conta Teresa, que até hoje canta no Semente, aos sábados. Às quintas ela bate ponto no Centro Cultural Carioca, e às sextas, no bar Carioca da Gema.
Confira abaixo um papo exclusivo com a cantora, que fala abertamente sobre as dificuldades iniciais e os planos para o futuro.

Como é estrear gravando um disco com músicas de Paulinho da Viola?

Me deu uma alegria muito grande, junto com a sensação de primeira vez. Era um sonho de criança. A maneira de gravar foi muito bacana, não senti muito. Estou acostumada a tocar três, quatro horas com o grupo Semente, e esse entrosamento foi essencial. Na hora eu não tinha noção de que era tão complicado. Não percebi que coloquei as vozes. Quando ficou pronto me deu um desespero enorme, porque achei que seria uma tensão muito grande ter que gravar a voz de novo. Tivemos que refazer algumas coisas, mas foi mais rápido do que eu imaginava.

Como era a sua ligação musical com Paulinho da Viola?

Eu sempre o admirei bastante, ele está muito presente no meu repertório. Paulinho da Viola é uma pessoa querida por todos, que por onde anda todo mundo bate palma. É portelense, vascaíno... Temos muitas coisas em comum (risos). Nos últimos anos ele passou por situações adversas, e gravar esse disco reforçaria a importância dele para a música brasileira. Poucas pessoas gravaram Paulinho, e isso o fez pensar que suas músicas não eram para intérpretes. Fiquei feliz duplamente: porque ele gostou do disco e porque descobriu que suas músicas servem para intérpretes. Não entendo por que até hoje não fizeram um songbook dele.

De quem foi a idéia de gravar o disco?

Foi do João Augusto (dono da gravadora DECKdisc). Um dia ele viu o Semente tocando e nos chamou para conversar. Na época eu estava gravando um disco independente, produzido pelo Paulão 7 Cordas (que também produziu A Música de Paulinho da Viola), com músicas minhas e de diversos autores. O João nos disse que tinha um sonho, um projeto, que nunca havia acontecido. Quando ele falou que era gravar músic
Teresa Cristina acompanhada de Mônica Ramos e João Augusto, donos da gravadora DECKdisc: João escolheu Teresa para realizar seu grande sonho, que era lançar um disco em homenagem a Paulinho da Viola
as de Paulinho da Viola, eu nem ouvi as razões; falei “quero” na hora. Mas foi uma grande responsabilidade; as músicas do Paulinho já foram gravadas por Clara (Nunes) e Clementina (de Jesus), meus ídolos. Confesso que não sei se hoje teria coragem de fazer os discos.

Foi proposital gravar os CDs no ano em que Paulinho da Viola completava 60 anos?

Foi uma das muitas coincidências. O João achou poderíamos prejudicar a comemoração do Paulinho, mas isso não aconteceu. Eu fui procurá-lo, e a reação dele me deu esperanças. Vi pelo semblante que ele ficou feliz.

Como foi escolher as músicas em meio a um repertório tão extenso como o do Paulinho da Viola?

O João Augusto me falou de algumas músicas que não podiam ficar de fora, como Amor à Natureza e Coração Leviano. Ele disse que eu não poderia ter medo de gravar os sucessos. Eu concordei, mas quis a garantia de que poderia gravar músicas das quais eu gostava e que não eram muito conhecidas, e que esse disco ajudaria a divulgar. A EMI recolocou alguns discos dele no mercado, mas já se esgotaram. Meus discos serão bons para quem não tem os originais.

Entre essas músicas menos conhecidas estão dois choros também...

O Paulinho da Viola é um chorão convicto, foi o responsável pela volta do grupo Época de Ouro. Paulinho gravou choro, samba, samba-canção, samba de terreiro, enfim, vários estios de samba. Ele domina todos, e os interpreta com maestria.

Você acabou deixando de fora músicas muito significativas da carreira de Paulinho da Viola, como Sinal Fechado e Dança da Solidão. Por quê?

Eu decidi não gravar Sinal Fechado porque a música fala sobre uma época que eu vivi. Não tenho essa carga, não daria a emoção necessária. Dança da Solidão foi gravada brilhantemente pela Marisa Monte e a fez vender muitos discos. Eu não iria acrescentar nada. Também é mérito do cantor escolher a música certa. Prefiro fazer o meu repertório, criar uma identidade. A exceção é Clara Nunes, que eu copio descaradamente. Muita gente acha que Coração Leviano é da Clara. Gravar essa música foi até uma homenagem a ela.

Seu disco foi muito elogiado pela imprensa. Qual é a sua autocrítica?

Ainda não me sinto à vontade para cantar. Tudo é muito novo, as pessoas olhando pra mim... Sempre agi com muita sinceridade; tenho certeza de que posso melhorar. Eu tenho o vício da noite, não tenho paciência para aula de canto, tenho que respirar melhor. Eu me fiz cantora. Por enquanto tento aprender. Nunca mais vou fazer algo parecido; foi uma experiência única. Mas eu também descobri que cantar é muito bom. É ótimo ver as pessoas entrando no salão cabisbaixas e se sentirem melhor com o samba. Dá uma sensação de felicidade. É bom para o cantor ver a música entrar na vida das pessoas e fazer uma transformação. Nessas horas eu digo: “puxa vida, acho que sou cantora”. E eu sempre dizia que queria ser compositora...

Você é autora de belas músicas, como Candeeiro e Se A Alegria Existe, que estão sempre presentes nos seus shows. Você pretende gravá-las num próximo CD?

Eu tenho cerca de 30 composições, e pretendo misturá-las com músicas de outros artistas no meu próximo disco. E eu continuo compondo, agora com maior intensidade.

Como é ouvir Onde A Dor Não Tem Razão (a primeira faixa de trabalho) tocando no rádio?

A primeira vez que ouvi comecei a chorar, e toda vez que toca é a mesma sensação. Nunca pensei em me ouvir no rádio, ainda mais cantando samba, que tem tão pouco espaço. Eu vibro duas vezes. Mas também tem muita gente boa aparecendo, como Luciana Menezes, Nilze Carvalho... Espero que eles também tenham seu espaço.    


Veja mais:


  Conheça os integrantes do grupo Semente
   Disco:  A Música de Paulinho da Viola – Volumes 1 e 2
     Ficha técnica, faixas e compositores





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