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  Paralamas prova ter superado trauma em show no Rio

Dois anos depois do grave acidente que sofreu em Angra dos Reis, Herbert Vianna ainda não recuperou o movimento das pernas. Mas a cadeira de rodas não tirou o entusiasmo do cantor, que pôs o público carioca para vibrar
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Um misto de alegria e curiosidade dominava as milhares de pessoas que foram até o ATL Hall, no dia 24 de janeiro, para conferir a estréia em palcos cariocas da turnê de Longo Caminho, novo CD dos Paralamas do Sucesso que já atingiu a marca de 300 mil cópias vendidas, faturando o disco de platina. Depois de João Pessoa, Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo, chegava a vez do Rio testemunhar a vitória de Herbert Vianna contra a morte, depois do acidente de avião que sofreu em fevereiro de 2001 e que matou sua esposa, Lucy. Porém, por mais que as TVs e os jornais noticiassem que o grupo estava de volta com mesma empolgação, restava uma pulga atrás da orelha: “Será que ainda é mesma coisa? Será que Herbert ainda domina o público com a mesma vibração?”
Mas não demorou para que as dúvidas fossem transformadas em euforia coletiva. Com uma pedaleira adaptada para as mãos, Herbert Vianna não provou apenas que ainda é um ótimo guitarrista, como se mostrou um verdadeiro regente, comandando milhares de vozes, mentes e mãos com uma perfeição e um carisma inigualáveis. Em 27 músicas e duas horas de show, ele mostrou que a cadeira de rodas definitivamente não foi um obstáculo ao entusiasmo, à criatividade e ao talento.

Power trio

Após a recuperação de Herbert, os Paralamas preferiram dar seqüência a uma idéia que já existia antes do acidente, que era voltar a tocar como um power trio guitarra-baixo-bateria. Assim, o trio original começou o show com O Calibre, primeira faixa de trabalho de Longo Caminho, que fala sobre violência. A seguir vieram três hits bem antigos: Mensagem de Amor, com um arranjo bem mais roqueiro que o original, como na versão que o grupo fez para a coletânea Arquivo II, de 2000; Fui Eu e Selvagem.
Foi quando Herbert chamou ao palco Dado Villa-Lobos, ex-guitarrista da Legião Urbana. A amizade entre eles é antiga, desde os tempos de Brasília. Dado foi convidado pelos Paralamas para gravar o CD Acústico MTV, em 1999, e fazer alguns shows da turnê desse disco. Herbert ia para a casa do guitarrista quando sofreu o acidente de avião em Angra dos Reis, há quase dois anos.
No palco, a amizade funcionou bem. Dado participou de Soldado da Paz – um rock pesado de Longo Caminho, em versão bem melhor que a gravada pelo Cidade Negra em seu Acústico MTV – e Que País É Esse, que Herbert, Bi e Barone já haviam gravado com Dado no CD acústico. Sozinho de novo, o trio lembrou Trac, Trac, composta por Herbert em parceria com o argentino Fito Paez, A Dama E O Vagabundo e Running on The Spot, música do grupo inglês The Jam incluída em Longo Caminho. “O Jam era um grupo que tinha amor pela música, que tocava com o coração rasgado, como nós tentamos fazer”, derreteu-se Herbert, emocionado, em uma das poucas vezes que disse mais que um “muito obrigado”.
Depois de Seguindo Estrelas, bonita balada do novo CD, mais um momento de emoção: Herbert começou a falar do privilégio de poder voltar a tocar para os fãs quando foi obrigado a parar pelos gritos do público. Sem muito papo, então, ele pôs a galera para vibrar em Meu Erro, maior hit da banda, que provou que o acidente não prejudicou em nada a habilidade de Herbert com a guitarra. O público foi ao delírio, hipnotizado pelo maestro Herbert Vianna, que comandou como quis o balé das mãos.
Hora de convocar os velhos parceiros João Fera (teclados) e Eduardo Lira (percussão) para se juntar ao time, e com eles tocar Longo Caminho e um medley com as antigas Será Que Vai Chover e Assaltaram A Gramática. “É um privilégio sem tamanho cantar para vocês, que são um público maravilhoso”, disse Herbert, para delírio da galera, que respondeu com “Uh, Paralamas!”.
Era o ambiente propício para que Herbert tocasse os primeiros acordes de Cuide Bem do Seu Amor, atual sucesso do grupo nas rádios. O ATL Hall quase foi abaixo, com o público pulando e berrando no refrão como se a música, uma balada, fosse um rock pesado. “Que emoção”, repetia Herbert, com um sorrido aberto nos lábios.
Antes de chamar o trombonista Bidu Cordeiro e o saxofonista Monteiro Jr. para completarem a banda, os Paralamas cantaram outra balada de Longo Caminho, Flores E Espinhos, acompanhada pelo fã-clube que estava na turma do gargarejo. Com o time completo, foi a vez do momento político do show. “Essa era uma coisa insistente na minha cabeça, que hoje está muito forte”, disse Herbert, emendando com Luiz Inácio, música lançada no disco Vamo Batê Lata, de 95, e que fala de Lula e dos escândalos políticos da época. Herbert a cantou em ritmo mais lento, como um rap, e terminou puxando o coro de “dá-lhe Lula”.
A seguir vieram mais dois sucessos, Dos Margaritas e Depois da Queda O Coice, e o cover de Manguetown, de Chico Science, que os Paralamas já haviam gravado no acústico. Ela Disse Adeus e La Bela Lunna reacenderam o público, para a alegria de Herbert. “Parece um sonho. Às vezes a gente precisa se beliscar para acreditar”, disse o cantor, antes dos primeiros solos de João Fera em Lanterna dos Afogados, o momento mais esperado da noite.
Lourinha Bombril
e Uma Brasileira, ambas com um show à parte dos metais, foram para levantar quem ainda insistia em ficar sentado. Em Vamo Batê Lata, Herbert voltou a comandar a massa, incitando-a a bater palma até de madrugada.

Um novo começo

“Podemos cantar uma coisa que já tem um tempinho mas ainda emociona?”, perguntou Herbert, antes de cantar Alagados e fazer o ATL Hall inteiro dançar. “É carnaval, vamos lá, é festa”, dizia o cantor, que tinha apenas suas pernas presas a uma cadeira de rodas; o espírito visivelmente dançava e se alegrava mais do que qualquer um naquele lugar. No fim da música, mais uma vez ele agradeceu e chamou o rodie para ajudá-lo a tirar a guitarra, para então aproximar-se da platéia, bater com o punho fechado no peito, em sinal de carinho e afetividade, e sair do palco.
A volta para o bis não demorou. Mais uma vez com Dado no palco, os Paralamas tocaram Caleidoscópio, com um solo chorado, bluseiro, de Herbert, e A Novidade. Novamente a banda sai do palco, e o cantor, ao lado de Bi, Barone e Dado, promete tocar o que o público quiser. A escolhida para a saideira foi Vital E Sua Moto, primeiro sucesso dos Paralamas, no princípio dos anos 80.
Vinte anos depois, aquele show também tinha um gostinho de começo. Lá estavam eles de novo, tocando na capital, idolatrados por uma multidão de jovens que cresceram ouvindo os Paralamas e que acompanharam ansiosamente cada passo da recuperação de Herbert, sorrindo com ele em cada vitória. Paralamas do Sucesso e o público brasileiro, isso sim que é uma união feliz.


Veja mais:


  Leia a crítica de Longo Caminho
   Disco:  Longo Caminho
     Ficha técnica, faixas e compositores





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