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  Luiz Melodia grava segundo disco ao vivo em três anos, mas garante que é o último

Divulgação
Luiz Melodia gravou seu segundo CD ao vivo no Pólo de Cinema e Vídeo, no Rio, em julho de 2002
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Na música O Sangue Não Nega, primeira faixa de seu novo CD e DVD, Luiz Melodia reclama de que disseram no jornal-televisão que ele não gosta mais de samba. Mas como o próprio Melô responde sabiamente na letra da canção, ele realmente é bamba, bamba, e em suas veias escorre o sangue a batucar. A prova disso é Convida Ao Vivo (Indie Records), disco em que o cantor e compositor do bairro carioca do Estácio conjuga, com a competência de sempre, samba, bossa nova, pop, funk e jovem guarda, resultando em uma MPB repleta de suingue, emoção e inteligência.
Apesar da qualidade do CD – que levou o UNIVERSO MUSICAL a escolhê-lo o melhor disco de MPB de 2002 (a lista completa será divulgada no dia 22 de janeiro) – Melodia não queria gravar um disco ao vivo neste momento. É que, em 1999, o cantor já havia gravado nesse formato, no também excelente Acústico Ao Vivo. Em 2001 veio um CD de estúdio, Retrato do Artista Quando Coisa, composto basicamente por repertório inédito. Mas o sucesso do disco acústico e a febre das gravadoras em produzir DVDs a partir de shows – o novo filão do mercado em tempos de pirataria de CDs – fez com que Melodia aceitasse a nova empreitada.
“As coisas aconteceram tão rápido que não tive nem tempo suficiente para avaliar como foi a turnê do disco anterior. Minha intenção era fazer mais um disco de estúdio, com músicas inéditas, em 2003; já tenho inclusive músicas novas prontas. Mas eu também tenho que ganhar minha grana, embora não seja mercenário”, diz Melodia, que até hoje colhe os louros do sucesso do CD Acústico Ao Vivo, que lhe rendeu o primeiro disco de ouro de sua carreira, por ultrapassar a marca das 100 mil cópias vendidas. “Até hoje ainda sou contratado para fazer aquele show”, conta o cantor. 

Fugindo do óbvio
 

Melodia buscou fugir da obviedade de mais um disco ao vivo com criatividade. Por isso, acertadamente, escolheu, para o CD, um repertório quase todo diferente do disco acústico, ao contrário do que fez Jorge Aragão, por exemplo, que em seu recente Convida Ao Vivo repetiu diversas faixas dos dois discos ao vivo que gravou em 99 e 2000. No CD de Melô apenas duas músicas se repetem em relação a Acústico Ao Vivo, mesmo assim com leituras completamente diferentes: Cruel, um dos pontos altos do disco, com a participação do Coro da Escola de Música da Rocinha; e Fadas, com Elza Soares, que gravou a música em seu último disco, Do Cóccix Até O Pescoço.
Os arranjos e a produção de Perinho Santana, guitarrista da banda, também são impecáveis, mesclando o belo violão de Renato Piau – que, ao lado de Perinho, foi o único músico a acompanhar Melodia na turnê de Acústico Ao Vivo – aos teclados de Jorjão Barreto, ao baixo de Zé Luiz Maia, à bateria de Élcio Cafaro, à percussão de Marçalzinho e aos metais de Nelson Henrique (trompete), Marco Tulio (sax-tenor, além de flauta) e Antonio Henrique Bocão (trombone). O melhor exemplo para mostrar a boa química da banda é a primeira faixa de trabalho, O Caderninho – música de Olmir Stocker gravada originalmente por Erasmo Carlos na época da jovem guarda – que está estourada nas rádios, trazendo uma letra alegre e um incrível suingue (destaque para o trio de metais).
A escolha dos convidados foi outro acerto. O primeiro é Zeca Pagodinho, considerado por Melodia uma unanimidade entre o público e os artistas, no bonito samba Poeta do Morro, do disco Pintando O 7, de 91 (a gravação original é em dupla com João Donato). A próxima participação é da antiga amiga e intérprete de suas músicas Zezé Motta, na bossa-novista Estácio, Eu E Você, do primeiro LP de Melô, Pérola Negra, de 73, considerado um clássico da MPB. A seguir é a vez do pai coruja chamar ao palco o rapper Mahal para cantar com ele Lorena, parceria dos dois com Renato Piau incluída em Retrato do Artista Quando Coisa, mas que não chegou a tocar nas rádios. “Esse é o Mahalzão, meu filhão, que está chegando agora”, diz Melodia, ao terminar a música.
Outra “que está chegando agora”, segundo ele, é Luciana Mello, que, depois da participação de Elza e do Coro, divide com Melodia os vocais da suingada Quizumba, outra faixa “lado B” de Retrato.... A última convidada, que encerra com chave de ouro o disco, é Gal Costa, na música Presente Cotidiano, que Melodia gravou em Mico de Circo, de 78. A música, a única gravada em estúdio, já havia sido gravada antes pela cantora baiana em seu disco Índia, de 73. Mas a relação musical entre os dois vai além, o que, segundo Melô, tornou obrigatório o convite. “A presença da Gal foi inevitável, pois ela foi a primeira a gravar uma música minha, que foi Pérola Negra (no disco Fa-Tal – Gal A Todo Vapor, de 71). Depois ela gravou também Presente Cotidiano e Juventude Transviada (em Gal Tropical, de 79)”, diz Melô.
Sozinho, Melodia recria pérolas do seu repertório, como O Sangue Não Nega (do LP Felino, de 83), Ébano (14 Quilates, de 97), Farrapo Humano (Pérola Negra), Congênito (Maravilhas Contemporâneas, de 76) e Negro Gato (Nós, de 80); músicas menos conhecidas, como Objeto H (Pérola Negra) e Hoje E Amanhã Não Saio de Casa (Nós); e duas regravações inéditas em sua voz: O Caderninho e a bela Palhaço, de Oswaldo Martins e Nelson Washington, famosa com Nelson Cavaquinho.

DVD traz mais 14 faixas

O DVD, dirigido por Karla Sabah e Levindo Carneiro, traz 14 faixas a mais: Pérola Negra, Magrelinha, Estácio Holly Estácio, Maura, Juventude Transviada, Este Filme Eu Já Vi, Poderoso Gangster, Onde O Sol Bate E Se Firma, Mistério da Raça, Revivendo, Cuidando de Você, Memórias Modestas, Brinde e Codinome Beija-Flor. Com o DVD – e com as gravações de Diz Que Fui por Aí, Dores de Amores, Quase Fui Lhe Procurar e outras em Acústico Ao Vivo – Melodia dá uma boa geral em seus 30 anos de carreira, mas deixando ainda algumas músicas conhecidas de seu repertório sem releituras ao vivo, como Pra Aquietar, Mistério do Planeta (de Moraes Moreira e Galvão, originalmente gravada pelos Novos Baianos) e Vale Quanto Pesa (regravada brilhantemente pelo Barão Vermelho no CD Álbum, de 96). Será que elas estarão em uma próxima coletânea ao vivo com novos convidados? O cantor garante que não. “Chega de ao vivo. Meu negócio é fazer discos com músicas inéditas, buscar novas parcerias. Posso até fazer um novo disco com convidados, mas só com músicas inéditas”, afirma Melô. Quem conhece o mercado fonográfico brasileiro não pode pôr a mão no fogo.


Veja mais:


   Disco:  Convida – Ao Vivo
     Ficha técnica, faixas e compositores





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