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  Romantismo renovado

Divulgação
A união de Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone está cada vez mais forte, como flagra o CD Hoje, primeiro trabalho dos Paralamas composto nos anos 2000
Por Marcos Paulo Bin
31/10/2005

A discografia dos Paralamas do Sucesso nos anos 2000 começa oficialmente com Hoje (EMI), primeiro disco com músicas compostas pelo grupo após o acidente de Herbert Vianna, em 2001. Antes do CD, nesta década, vieram Longo Caminho (2002) – que já estava pronto antes do acidente – e o retrospectivo Uns Dias – Ao Vivo (2004).

Embora o novo disco de Herbert, Bi e Barone represente um recomeço – idéia explícita no título – os Paralamas dos anos 2000 começaram a ser delineados na coletânea Arquivo II, quando o trio incluiu, em meio aos sucessos dos anos 90, a inédita Aonde Quer Que Eu Vá. Parceria de Herbert Vianna com Paulo Sérgio Valle, a balada romântica deixava claro que a pegada rock-reggae-ska dos anos 80 havia ficado pra trás.

Em Longo Caminho, apesar do rock-protesto de O Calibre e do rock-positivista de Soldado da Paz, o maior hit do álbum foi a romântica Cuide Bem do Seu Amor. A bela canção de Herbert mostrava um compositor maduro, um poeta roqueiro do amor.

E é isso que o público encontra de sobra em Hoje. A maior parte do repertório é de músicas românticas, mas que fogem ao óbvio tanto em letra quanto em melodia. No texto de apresentação do CD, o hermano Marcelo Camelo dá uma definição precisa para Hoje: “Ao redor de todo o disco, há qualquer coisa de um romantismo renovado”.

Um amor que a banda também aplica internamente, num outro sentido da palavra. A relação de amizade entre Herbert, Bi e Barone parece cada vez mais forte. Em Hoje, não há show de virtuosismo de nenhuma das partes; cada um cumpre seu papel, e muito bem, fazendo com que os Paralamas atendam plenamente às expectativas deste álbum tão esperado.

Grupo faz versão de Chico Buarque

Ao som do sempre competente naipe de metais (José Monteiro Jr. no sax e Bidu Cordeiro e Marlon Sette no trombone) e dos teclados de João Fera e Donatinho, Herbert começa Hoje cantando, em 2 A: “Meu destino não me deixa em paz/ De coração, não sei se eu posso amar/ Amei há tento tempo atrás/ (Mas) sofri, chorei, cansei de soluçar/ Nem sei se é o fim/ Mas a luz da vida ainda brilha em mim”.

Nando Reis, com quem os Paralamas cantaram Tendo a Lua em Uns Dias – Ao Vivo, é um dos autores de Pérola, canção existencialista que conta com a participação do ex-titã no violão. “Sou um homem que tem como portas/ Janelas/ De quem come a fome/ Carnívora/ Dorme na escuridão dos milagres/ E cresce na geração de seus filhos/ E a mãe trago em mim também/ Sem sua mão, vou buscar caminho/ No amor que desfaz meu ódio/ Nos meus olhos, retrato vivo”, diz a letra.

Também chama a atenção a letra de Passo Lento, que vem depois do reggae Na Pista e de Soledad Cidadão – parceria de Herbert com Pedro Luís, cantada meio em português, meio em espanhol (algo que os Paralamas já faziam em Trac-Trac), com vocais de Mano Chao. Apesar do clima sombrio da canção, com forte marcação da bateria, os versos são inspirados: “É um entra-e-sai de moda/ muitas barreiras a redefinir fronteiras/ Não quero estar em seu lugar/ Aonde eu for local/ E você for só uma estrangeira/ Hoje eu não te vejo/ Ainda assim te mando beijos/ Por sentir tanta amplitude/ No desejo”.

A seguir vem De Perto, rock romântico de caráter confessional. Foi a primeira canção composta por Herbert após o acidente que matou sua esposa Lucy e o deixou numa cadeira de rodas. “Não quero estar nesse lugar/ E ver você partir/ Eu quero te esperar onde você quer ir/ Te receber/ Te acomodar/ Te oferecer a mão/ Poder cantar, te acompanhar ao violão”, canta Herbert.

Outro reggae, Ao Acaso antecede a emotiva Hoje (“Sonho em conhecer direito/ Tua ampla dimensão/ Sem pisar no freio/ Tentando conter essa emoção”) e o rock Fora de Lugar, letra mais instigante do CD, escrita por Leoni (“Se o lixo é o que está fora de lugar/ Paro pra pensar/ Por que sou eu que tento e não desisto?/ Meu esconderijo/ Guarda ainda um resto de silêncio/ Talvez eu seja o lixo do momento”). Destaque para o baixo de Bi Ribeiro, perfeito no acompanhamento às guitarras de Herbert e Andreas Kisser, outro que repete a participação em um disco do grupo – o ex-Sepultura tocou na versão pesada de Mensagem de Amor, gravada no CD e DVD ao vivo.

Depois de 220 Desencapado, mais uma canção de teor amoroso, Andreas Kisser volta em Ponto de Vista, numa ótima dobradinha com Herbert. É a faixa mais roqueira do CD, com ótimos solos dos dois.

Hoje
termina com duas faixas bônus. A primeira é Deus Lhe Pague, de Chico Buarque, releitura que os fãs escolheram em votação no site oficial dos Paralamas. A canção ganhou um tom meio soturno, dado pelo metais e pelo dub discreto feito por Apollo 9. Na música seguinte, Marcelinho da Lua pega mais pesado no dub ao fazer uma outra versão de Ao Acaso.

Musicalmente, Hoje é um disco bem cru, sem participação maciça dos metais, e mais roqueiro que Longo Caminho. A voz e a guitarra de Herbert estão em primeiro plano, apoiados pelo baixo de Bi Ribeiro e pela bateria discreta, mas eficiente, de João Barone.

Essa formação, de trio, é algo que os Paralamas buscaram retomar em Longo Caminho, deram seqüência em Ao Vivo – em determinado momento do show, são apenas os três no palco – e agora aperfeiçoam. São os Paralamas dos anos 2000: roqueiros experientes, unidos e românticos.



Veja mais:


   Disco:  Hoje
     Ficha técnica, faixas e compositores

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