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  Viagem musical em uma “kombi reformada”

Marcos Paulo Bin
Robson Nascimento na sede da Line Records, em uma coletiva de imprensa. A roupa sisuda que ele veste na capa do CD Tudo o Que Soul deu lugar a trajes simples, como é a personalidade do cantor
Por Marcos Paulo Bin
21/10/2005

Pessoalmente, Robson Nascimento derruba qualquer pré-conceito que se tenha quanto a ele. Principalmente para quem o conhece apenas pela capa de seu mais recente CD, Tudo o Que Soul. É o primeiro disco solo do cantor e compositor – que antes regia um coral em São Paulo – e o primeiro por uma gravadora, Line Records. Muito soul e r&b com um pouco de rap em 14 faixas, puxadas nas rádios pela música Deus É Bom.

O paulista Robson é o que os cariocas chamam de “figuraço”. Em passagem pela sede da Line Records, no Rio, o cantor trocou o terno sisudo que veste na capa do CD por uma roupa esportiva, colarzão no pescoço e boné – como um típico rapper paulistano. Também mostrou que não é tão alto quanto aparenta no disco e é mais jovem. As poses sérias que fez para o fotógrafo, no encarte, deram lugar a uma pessoa extremamente simples, humilde e muito bem-humorada.

Depois de uma coletiva de imprensa, Robson Nascimento falou com exclusividade ao UNIVERSO MUSICAL. Com seu jeitão despojado e um grande conhecimento sobre música, ele acabou transformando o que seria uma entrevista num bate-papo descontraído. Em quase duas horas, fugiu totalmente ao script montado pelo repórter, mas em compensação deu opiniões fortes sobre a música gospel, falou de sua participação no show do Take 6 e revelou a influência da música negra americana em sua obra, especialmente do cantor Marvin Gaye – ele chega a fazer uma citação do clássico What's Going On na música Quem É Que Te Liberta, faixa que encerra Tudo o Que Soul.

Como não era uma entrevista, e sim uma conversa, muitas das divertidas histórias de Robson Nascimento não foram registradas pelo repórter. Mesmo assim, pelos depoimentos abaixo, dá para conhecer bastante da personalidade de Robson, um artista que exala musicalidade pelos poros. Confira e perceba que aquela antiga propaganda de refrigerante tem razão: imagem não é nada...


Como você avaliou sua participação no show do Take 6?

Cara, nós arrebentamos! Sem falsa modéstia – peço a Deus que tire esse sentimento de mim. As pessoas estavam ali ansiosas para ver o Take 6, mas nós quebramos esse clima. A banda estava muito boa, eu bati um papo com as pessoas e no fim nós conquistamos a platéia. Tocamos quatro músicas e até nos deixaram tocar outra! Aqui no Rio não foi a mesma coisa. Estava sozinho e só me deixaram cantar duas músicas. Não pude dizer nada e ainda por cima tive que tocar teclado.

Você gosta de fazer shows?

Sim, muito. Gosto de estar com a banda toda, me movimentar no palco, conversar com as pessoas. Nem me fale em playback. Só aqui no Rio que estou cantando com playback, pois não pude trazer a banda.

Você é muito exigente em relação à música?

Sou bastante exigente. A linha de baixo, na soul music, é fundamental, além de um piano discreto. Tenho como base a música negra dos final dos anos 70 e início dos 80; depois disso começou a banalizar. Cantei há pouco tempo numa igreja com uma banda que não era minha e não deu certo. Tenho certeza de que isso foi um sinal de Deus, me mostrando que, se for para cantar com banda, que seja com a minha. Estamos juntos há 10 anos e eles ainda erram, imagina os outros... Meu sonho é descolar um van, ou um microônibus, botar aquele monte de “negão” lá dentro, adesivar tudo e ir embora pelo Brasil. Isso é ministério.

E você também faz shows com ingresso pago, em casas de espetáculo?

É isso que quero. Não quero ser cantor de igreja. Primeiro eu tenho que cantar para fora das igrejas, porque o impacto das palavras cantadas é maior. E nesses locais não existe o “evangeliquês”.

No seu disco e em toda a sua carreira, percebe-se uma grande preocupação não só com as letras, mas com a parte musical. Você não acha que isso está faltando à música gospel, para que ela alcance também as pessoas de fora?

Você tocou num ponto muito importante. Os evangélicos querem levar as pessoas de São Paulo para o Rio numa kombi, quando deveriam levar num carro importado. Entende? O caminho, o principal de tudo, é o mesmo sempre: a Via Dutra. O que muda é o veículo. No nosso caso, o caminho é a palavra, a mensagem. Mas o veículo está errado, não chama a atenção. Se você estivesse na estrada e duas pessoas te oferecessem carona: uma com uma kombi, outra com um Cherokee, com quem você iria? Isso acontece na música evangélica porque os donos das kombis não estão nem aí. Temos que começar a investir mais no meio de transporte, a música, para seguir o caminho, que é levar a mensagem. Eu fui assistir a “2 Filhos de Francisco” e saí do cinema dando escândalo de tanto chorar. Você viu quando a Bethânia canta É o Amor? Como ficou bem-feito! Ela atingiu o objetivo. Faço questão de investir em qualidade para levar as pessoas a viajar na minha “kombi reformada”.

Um fato curioso no seu disco é que ele começa em ritmo rápido, com a música Tudo o Que Soul, depois vem uma longa seqüência de músicas calmas e no final torna-se mais dançante. Essa ordem foi proposital?

Sim. A música rápida te convida para curtir e a lenta fala ao seu coração. Às vezes a pessoa está chorando por causa de uma música lenta que a tocou e aí vem uma rápida e quebra tudo. É o que eu digo no CD: “A ordem das canções tem como objetivo convidar sua alma a uma viagem curadora”. As músicas vão se encaixando uma na outra. Foi a Daniela Flieger, minha noiva e parceira em algumas músicas, que pensou nisso.

O disco fala muito de amor, às vezes de forma direta, às vezes indireta. Essa foi uma linha que você procurou seguir nas letras?

Sim. O amor está muito escasso, superficial, banalizado. Você pode ver pela propaganda: “Amo muito tudo isso!” Amar é ir ao McDonald's e comprar um Bic Mac? Eu quis recuperar esse valor e colocá-lo num patamar verdadeiro, que é o relacionamento do homem com Deus. O disco fala, em primeiro lugar, dessa relação. É a partir do relacionamento com Deus que o homem pode relacionar-se consigo e com as outras pessoas. Estou falando de tratar a Deus como Pai, mas chegando a Ele em forma de gente, de um ser humano que comete falhas, e não como fumaça. Ele pode dar um amor que ninguém pode e fazer você se relacionar com os outros. Vejo as pessoas gastando milhões num motel para cães ou em um shopping de produtos para animais, mas desprezando a criança que está na porta daquele lugar precisando de ajuda. Isso acontece porque a pessoa não se relaciona com ela mesma; então seu relacionamento com Deus também está com problemas. O disco fala disso, e no próximo eu venho falando desse assunto de uma maneira mais forte. Acredito que, como músico, eu posso direcionar esse amor das pessoas para tirá-las do poço, da escuridão. Muita gente vive assim e não sabe. Esse é o tema da música Eu Preciso de Você.

Este é o seu terceiro CD?

É o quarto, se levarmos em conta uma coletânea com músicas dos meus dois primeiros CDs – Ele Virá e Tome a Decisão – e alguns duetos que fiz. Os outros dois foram com o coral e lançados de forma independente. Este é o meu primeiro disco solo, com produção minha.

Mesmo com uma discografia pequena, você construiu um nome forte no mercado. A que atribui isso?

O que me deu esse nome foi ter gravado a música Sonda-me, com a Aline Barros, no CD Comunhão e Adoração 2. Essa música me deu um clipe e minha imagem ficou “bombada”. Quase virei o “Robsonda-me Nascimento”!

Quais são suas principais influências na música negra?

Gosto muito do Stevie Wonder dos anos 70. Só agora descobri Ray Charles e estou encantando – estou começando a comprar tudo dele. Mas a minha referência é Marvin Gaye. Ele sou eu no palco. Você viu aquele DVD dele, no Festival de Montreux?

Sim, quando ele quase deixa cair o microfone enquanto tocava piano!

É, aquilo foi demais! Como aquele cara era maluco!!! Botei meus backing vocals para assistir àquele DVD e não os deixei saírem enquanto não vissem tudo. Aqueles “negões” de cabelo black power, dançando no palco... É essa qualidade que quero passar. Aquilo é black music, um som orgânico que eu busco no meu trabalho.



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