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  A música sem sacanagem do Forróçacana

Divulgação/Guto Costa
Em seu segundo CD, o Forróçacana mostra que não se encaixa nas definições de forró “universitário” e “pé-de-serra”
A universidade deles foi a Feira de São Cristóvão, e os professores, o Trio Forrozão. Lançando seu segundo CD, auto-intitulado – o primeiro por uma multinacional, a Sony Music – os jovens cariocas do Forróçacana mostram que passam ao largo do movimento do forró universitário que contagiou o Brasil nos últimos dois anos. Não só pelas influências do grupo, como samba, choro, salsa, bossa nova e até música árabe, claras em músicas como Matilde, Esverdear, O Acaso e Forró no Malagueta, mas por sua própria história. O quinteto formado pelos multiinstrumentistas Duani, Chris Mourão, Mará, Cachaça e Marcos Moletta surgiu no Rio de Janeiro em 1997 – na época sem Marcos, que só entraria um ano depois –, inovando ao trazer para o universo do forró instrumentos como rabeca, cítara, pandeiro, cavaquinho, derbak e zabumbatera, uma mistura de zabumba e bateria criada pelo vocalista Duani.
“O forró universitário restringe-se aos grupos de São Paulo, que vieram depois do Forróçacana e até se inspiraram na gente”, esclarece o guitarrista e bandolinista Marcos. “Nós surgimos quando ainda não havia bandas jovens de forró. O ritmo era representado pela resistência nordestina, pelos trios que existem há mais de 50 anos. Começamos a ir à Feira de São Cristóvão para dançar, e assim foi surgindo a vontade de fazer aquele som que nos despertou um interesse musical tão grande, já que éramos todos músicos. Aprendemos com o Trio Forrozão, que nos botou para tocar na feira.”
Já o percussionista Chris acredita que o surgimento do Forróçacana foi um reflexo do cenário musical dos anos 90. “Já existia aqui no Sudeste, no inconsciente das pessoas, a valorização da música regional, até por uma insatisfação com o tipo de música que nos era oferecido. Nós fomos os primeiros garotões a captar essa onda”, diz o músico, citando como maior referência do grupo o pernambucano Chico Science e sua mistura de sons regionais e música eletrônica.

Quinteto afirma não fazer forró pé-de-serra

Além de não se considerar um grupo de forró universitário – mesmo porque apenas dois de seus integrantes, Mará e Marcos, cursaram uma faculdade (Música), sem completar os estudos –, o Forróçacana esclarece que é errado classificá-lo como seguidor do forró pé-de-serra, estilo que acabou representando genericamente os grupos que não fazem o chamado forró eletrônico, calcado nos teclados. “Para nós, pé-de-serra é aquele trio imortalizado pelos antecessores de Luiz Gonzaga, com sanfona, zabumba e triângulo. Essa foi a influência principal dos jovens que aprenderam a tocar forró. Mas a partir do momento em que nós começamos a tocar, isso não é mais exatamente o pé-de-serra”, afirma o sanfoneiro Mará, ressaltando as limitações comumente impostas pelo rótulos. “Dizer que tudo é forró universitário ou pé-de-serra é restringir a possibilidade de a banda se expandir para outros horizontes. Podemos ir pra qualquer lugar, desde que façamos o que, para nós, é a verdade do grupo.” Para Duani, a originalidade do som do Forróçacana confere ao quinteto uma identidade própria, o que torna impossível a comparação com outros grupos ou gêneros. “Preferimos ser conhecidos apenas como o Forróçacana, uma banda de jovens do Rio de Janeiro que faz um forró diferente. Nós procuramos valorizar o passado, tentando trazer alguma coisa nova para essa geração.”
Uma outra confusão comum é quanto ao nome do grupo. O quinteto conta que é freqüente as pessoas associarem o nome Forróçacana – um trocadilho com as palavras “forró”, “roça” e “cana” – à idéia de “sacanagem”, atribuindo ao grupo uma libidinosidade que na verdade não aparece nas letras das músicas. “Existe uma sacanagem, um roça-roça, mas não utilizamos isso para divulgar o nome do grupo, para explorar uma coisa libidinosa que até vende. Foi uma homenagem à origem do forró, aos elementos que estão presentes nas festas”,
Divulgação
O Forróçacana foi indicado ao Grammy Latino na categoria Raízes Brasileiras por seu CD anterior, Vamo que Vamo
explica Duani.

Febre do forró universitário foi positiva para o grupo

Forróçacana, o disco, traz 14 faixas, sendo 12 autorais e duas composições alheias: as inéditas Hágua, de Seu Jorge, Gabriel Moura e Jovi Joviano; e Forró no Malagueta, feita por Zeca Baleiro especialmente para o grupo. A faixa de trabalho é Matilde, que conta a história de uma típica “patricinha” que vai ao baile mas não quer dançar com os pretendentes. Em São Paulo o grupo divulga também a música Esverdear, que já foi apresentada em alguns programas de TV.
O novo CD marca a estréia do Forróçacana na Sony Music, após o quinteto ter lançado em 1999 seu primeiro disco, Vamo Que Vamo, de forma independente. Produzido por Robertinho de Recife, aquele disco foi mostrado a diversas gravadoras, que, antes do estouro do Falamansa, não acreditavam no sucesso do forró. Depois que o grupo paulista emplacou o hit Xote dos Milagres, o selo Atração Fonográfica, também de São Paulo, comprou os fonogramas do disco, que mais tarde seria distribuído pela Som Livre, com a inclusão de uma 14ª faixa, uma releitura de Menina Mulher da Pele Preta, de Jorge Benjor (as demais faixas eram autorais). A boa execução da música e as propagandas veiculadas pela Som Livre na Rede Globo deram uma projeção maior ao Forróçacana, que viu seu trabalho recompensado com a indicação ao Grammy Latino de 2001 na categoria Raízes Brasileiras, disputando com os consagrados Gilberto Gil, Alceu Valença, Dominguinhos e Zé Ramalho.
“A Sony acreditou na força do Forróçacana, pelo fato de sermos uma banda que faz muitos shows, sempre lotados, e de sermos muito bem falados pelos artistas”, conta Duani. “A Sony foi muito legal conosco, pois nos permitiu fazer uma pré-produção do CD. Nós mostramos a eles as músicas, produzidas por nós mesmos; eles ouviram, aceitaram, e então partimos para um estúdio que nós escolhemos, com um técnico de som também escolhido por nós. Aprendemos muito com o Robertinho de Recife, e pudemos colocar neste disco muitas coisas que não foram possíveis no CD anterior”, complementa Mará.
Embora rechacem as comparações com os grupos de forró universitário, os integrantes do Forróçacana admitem que a febre trazida pelo estouro do Falamansa e do Rastapé, principalmente, foi positiva, pois permitiu a ampliação do mercado. O grupo afirma aceitar com naturalidade o fato de grupos inspirados no Forróçacana terem feito mais sucesso, e aposta na verdade e na qualidade sonora para alcançar a mesma projeção nacional. “Nunca nos preocupamos em fazer sucesso naquele momento, com medo de que a moda passasse, porque acreditamos que o forró nunca passou. Criamos a nossa trajetória paralelamente, sem nos preocupar com o que acontecia lá fora, e sim fazendo o que tínhamos vontade, tocando o repertório no qual acreditávamos, valorizando os artistas e compositores que sempre admiramos. E foi dessa forma que ganhamos a credibilidade da classe artística, o que nos dá muito mais prazer do que estourar na mídia fazendo uma coisa superficial, ou nos prendendo a números que as gravadoras nos passam e nem sabemos se são verdadeiros”, dispara Duani. “Não estamos preocupados com números; nossa maior preocupação é com a qualidade do nosso som. Claro que temos vontade de ampliar nosso público, tocar nossas músicas para o maior número de pessoas possível, mas dentro da nossa verdade”, acrescenta o guitarrista e cavaquinista Cachaça, seguido por Chris. “Eu costumo dizer que o forró é igual ao pagode: ambos não vivem mais aquele momento de superexposição, mas são segmentos que ainda acontecem. Nós dividimos o palco com bandas de pagode e os shows sempre estão lotados; o público aceita o som deles e o nosso. Comendo pelas beiradas nós estamos aí e nossa trajetória será extensa, com certeza.” Então, vida longa ao Forróçacana! Com cê-cedilha. 


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   Disco:  Forróçacana
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