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  O que era bom está ainda melhor

Marcos Paulo Bin
Maria Rita no Canecão, onde começou a turnê do CD Segundo. A cantora está mais solta no palco, embora o show continue morno
Por Marcos Paulo Bin
26/09/2005

A Maria Rita que se apresentou no Canecão em 22 de setembro – primeira noite da turnê de lançamento do CD Segundo, que vai até 2 de outubro – guarda muitas semelhanças para aquela moça que, como diz a propaganda da gravadora Warner, o Brasil passou dois anos aplaudindo. A começar pelo próprio marketing que a envolve.

Se na estréia, em 2003, ela era a cantora que todo mundo estava esperando, agora é aquela que volta para o bis depois de ser consagrada pelo público – que comprou mais de 700 mil cópias do CD e 150 mil do DVD. Estratégia que novamente se converte em números. Segundo chega às lojas com 250 mil cópias vendidas, consolidando Maria Rita como um fenômeno de vendas em épocas de vacas magras para a indústria fonográfica. O disco sai em duas edições: simples e dupla, esta última com um DVD trazendo o registro das gravações em estúdio.

Maria Rita também é fenômeno de público. A cantora inicia a turnê internacional de Segundo – que passará por países das Américas e da Europa – com nada menos que nove shows no Canecão, fato raro hoje em dia em qualquer casa de espetáculos brasileira. Foi o mesmo local onde a filha de Elis Regina estreou a turnê do CD Maria Rita, em 2003.

“Da outra vez comecei com o maior pé direito. Fiz questão de voltar”, disse a sempre simpática cantora, na primeira noite, que teve direito a toda badalação possível: ingressos lotados com antecedência, celebridades na platéia e cobertura da imprensa de todo o Brasil.

Musicalmente, Maria Rita dá continuidade – e aprofunda – a proposta apresentada no primeiro disco: uma MPB jazzística, com formação de piano-baixo-bateria. No show, é acrescentada a percussão de Da Lua. Como o CD anterior, Segundo foi gravado ao vivo no estúdio Toca do Bandido (que pertenceu a Tom Capone, antigo produtor de Maria Rita morto em acidente de moto no ano passado), sem emendas ou retoques posteriores.

Marcelo Camelo novamente tem grande destaque no repertório. Do cantor e compositor do grupo Los Hermanos, Maria Rita faz uma singela releitura de Casa Pré-Fabricada, música do CD Bloco do Eu Sozinho, e apresenta a inédita Despedida.

Embora seja nítido um distanciamento para as referências encontradas em Elis, o trabalho de Maria Rita continua lembrando muito o da mãe em alguns momentos. A convergência das semelhanças vocais e melódicas entre as duas está nos sambas. São dois, da melhor safra, em Segundo: Recado, de Rodrigo Maranhão, e Contra Outra, de Edu Tedeski, última e melhor faixa do disco. A canção aparece numa contagiante gravação ao vivo realizada em 2004, em Porto Alegre.

Quem comprar o CD original recebe uma senha para fazer o download da versão de estúdio – estratégia antipirataria também utilizada pela Warner no disco anterior.

Aposta em repertório inédito

A Maria Rita que se apresentou no Canecão também guarda muitas diferenças para a cantora que foi apresentada ao Brasil em 2003. Sem Tom Capone, a quem dedica o novo disco, Maria Rita produz Segundo em parceria com Lenine, ídolo da cantora que no CD anterior aparecia como compositor da faixa Lavadeira do Rio.

Em Segundo, Maria Rita também é responsável pela concepção dos arranjos de várias canções. Entre elas, Feliz, de Dudu Falcão, onde a cantora “toca” caneta, e Despedida, na qual o chão do estúdio transforma-se em elemento percussivo.

Uma grande mudança entre os dois discos está no repertório. Enquanto Maria Rita trazia muitas releituras de canções conhecidas, Segundo aposta em músicas inéditas e de compositores jovens. O já citado Rodrigo Maranhão, dos grupos Bangalafumenga e Pedro Luis e a Parede – que Leoni define como “o novo Paulinho da Viola” – é o autor mais presente no disco: além de Recado, são dele Caminho das Águas (primeira faixa de trabalho) e Mantra (com Pedro Luis), faixa escondida no CD.

Francisco Bosco, filho de João Bosco, assina com Fred Martins a balada Sem Aviso. Eduardo Kieger, filho do maestro Edino Krieger, é autor de Ciranda do Mundo, música cheia de divisões rítmicas. Moska comparece com Muito Pouco e o uruguaio Jorge Drexler, com Mal Intento, cantada em espanhol.

Sem medo de flertar com o pop, mas dando seu toque jazzístico, Maria Rita interpreta com propriedade e delicadeza o hit Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero), do Rappa. E apropria-se do clássico Sobre Todas as Coisas, de Edu Lobo e Chico Buarque, canção mais “tradicional” do disco.

No palco também surge uma nova Maria Rita. No Canecão, a cantora mostrou-se bem mais à vontade que na turnê anterior, chegando a pedir para que o público ficasse de pé no samba Cara Valente. No entanto, boa parte do show continua morno.

Mesmo com uma gigantesca estrutura dando-lhe suporte, Maria Rita prova com o novo disco que, definitivamente, não é um fruto de um trabalho de marketing. Sofisticada, elegante, ousada e dona de impecável técnica, ela é uma das melhores cantoras do Brasil. Ainda há muito a melhorar, principalmente no palco, para ser tudo o que a gravadora e boa parte da imprensa dizem que é, mas não há como negar que houve uma grande evolução no que já era bom.



Veja mais:


   Disco:  Segundo
     Ficha técnica, faixas e compositores

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