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  O fim dos dias de luta

Marcos Paulo Bin
Nasi no palco do Claro Hall. Para o cantor, a banda que acompanha o Ira! na turnê acústica ajudou a quebrar a rotina dos 20 anos de carreira. “Foi importante para a renovação do nosso cotidiano”, avalia
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Por Marcos Paulo Bin
12/08/2005


Depois de passar por Canecão, Circo Voador e Morro da Urca, o Ira! voltou ao Rio de Janeiro no dia 6 de agosto com a bem-sucedida turnê do disco Acústico MTV. Desta vez, o quarteto formado por Nasi (voz), Edgard Scandurra (guitarra, violão e vocal), Gaspa (baixo) e André Jung (bateria) estreava no Claro Hall, a maior casa de espetáculos da cidade.

Nas cidades por onde o show já passou, o Ira! está promovendo algumas mudanças. Comparada à estréia no Canecão, em 2004, a apresentação no Claro Hall foi mais elétrica, pois teve a presença de guitarra em algumas músicas, e contou com maior participação do público, que fez as vozes de Samuel Rosa, em Tarde Vazia, e de Pitty, em Eu Quero Sempre Mais, os dois principais hits do disco até agora.

O Acústico MTV também emplacou a música O Girassol, que, assim como as duas outras, é uma antiga canção da banda, até então pouco conhecida para muitos. Agora um quarto single começa a despontar, a inédita Flerte Fatal, que já ganhou um videoclipe.

Antes do show, no camarim, o vocalista Nasi conversou com exclusividade com a equipe do U.M. Em uma breve mas proveitosa conversa, o cantor fez um balanço da turnê acústica, que está há mais um ano na estrada e vai até o fim de 2005, falou sobre a onda de revival dos anos 80 e até citou Dostoievski para definir o Ira!, uma banda que nos anos 80 era marginalizada e hoje está no mainstream, com disco de platina e música na boca dos adolescentes.

Vocês já estão há um ano com a turnê acústica. Como a banda assimila esse frisson?

Nasi: Se fôssemos jogadores, seríamos aqueles veteranos que já não se deslumbram com nada, que sabem que o futebol é uma caixinha de surpresa... (rs) Falando sério, encaramos com muita felicidade mas também com os pés no chão. Sabemos que no final da turnê, no próximo disco, teremos que matar um leão de novo. Estamos aproveitando esse momento, não só pelo sucesso, mas por ver que as pessoas estão gostando. Durante 20 anos fomos um trio com um vocalista. Agora conseguimos montar uma banda enxuta e muito legal. Músicos jovens que se envolveram conosco. Foi importante para a renovação do nosso cotidiano, porque é desgastante uma relação de tantos anos, enfrentando as mesmas barras, a rotina. Por isso, a turnê vai ficando triste no final.

Então a turnê vai até o fim do ano?

Vamos até o fim do ano. Depois faremos alguns shows até gravar o próximo disco, mas é uma coisa meio híbrida. Agora mesmo, neste show, e em alguns lugares onde estamos voltando, já misturamos um pouco de coisas elétricas. A nossa expectativa é concluir esta turnê, que nós vimos que tinha fôlego para um ano e meio. Poderia ser até mais.

As bandas que gravam o Acústico MTV ou o MTV Ao Vivo costumam ficar dois anos em turnê ou até mais...

Esse é um tipo show para marcar. Não acredito que vamos repetir um projeto como este. Estão temos que aproveitar bem. Estamos indo agora para o quarto single, que já tem um videoclipe. Aí vai chegando o fim de ano e é um momento propício para encerrar com alegria e tristeza ao mesmo tempo. O campeonato acaba e depois começa todo mundo do zero.

Vocês ainda estão com pique de tocar neste formato acústico?

Tudo depende. Não é só elétrico ou acústico, tudo na vida cansa. Não os shows, mas a movimentação. Tudo se resume ao público. É claro que se a gente entrar aí hoje e tiver um monte de cara dizendo: “Pô, toca Raul”, vamos pensar: “Que saco, eu poderia estar na minha casa”. Mas não é isso que acontece. Tem muita gente que viu o show e quer ver de novo, e muita gente que não viu e vai ver. Nesse ponto, a banda é muito legal. É como se tivéssemos montado um novo Ira!. Para nós, este é o segredo. Existem artistas que têm distância com os músicos. Para nós não é assim. Foi uma renovação do Ira!. Isso é importante, porque quantas bandas estão juntas há 20 ou 25 anos? Somos nós e os Paralamas. Por isso os convidamos para tocar Envelheço na Cidade.

Como você vê essa onda de revival dos anos 80?

Isso já vem de alguns anos. Eu acho bacana, mas não me deslumbro muito. Acho que a década de 80 teve um significado musical de renovação muito grande do rock e da música brasileira – momento de abertura política, um novo Brasil foi vislumbrado, a juventude renovou a música através do rock, que era uma música subterrânea, sobretudo por causa da censura política. Mas também teve muita porcaria nos anos 80. Na verdade, tirando algumas coisas do pós-punk, eu não gosto do rock internacional dos anos 80. No Brasil foi diferente, pelas circunstâncias políticas e culturais. Isso é uma coisa cíclica. Nos anos 90, cuspiu-se muito nos 80. Falava-se que os anos 80 foram a “década perdida”, que “agora a verdadeira música brasileira vai aparecer...” Eu, particularmente, ri muito disso aí, porque apesar de me considerar um filho bastardo dos anos 80, por não gostar tanto assim da década, fiquei magoado, assim como muitos artistas, ao ver as pessoas botando toda essa geração num saco de gatos. E nos anos 90, o que nós tivemos? Sertanejo, axé, lambada... Isso é a música brasileira? Então toma, segura o tchan!

E agora estão endeusando tudo aquilo...

Sim, mas talvez porque seja uma coisa cíclica. Poderia ser tema para uma análise antropológica ou psicanalítica, porque a garotada está tendo saudades de uma coisa que nem viveu, ou talvez esteja idealizando uma coisa. E o que você idealiza é sempre melhor que a realidade. Acho que os anos 80 não devem ser levados muito a sério, tirando as coisas bacanas: os grandes poetas, as grandes bandas e o underground – pois esse público não conheceu o underground paulista, carioca, gaúcho. Não quero que desprezem os anos 80 nem que levem muito a sério. Como não deve ser com época nenhuma. Daqui a pouco isso vai acontecer com a década de 90, com todas as suas coisas bacanas e os seus lixos, e assim sucessivamente.

Muitas pessoas passaram a conhecer o Ira! por causa da gravação com a Pitty. Isso trouxe um público novo para vocês, não é?

Sem dúvida. É engraçado porque, para a maior parte do público, nossos três singles neste disco (O Girassol, Tarde Vazia e Eu Quero Sempre Mais) são músicas novas. E na verdade elas não foram nem single de rádio. Eu Quero Sempre Mais foi do disco 7, lançado por uma gravadora pequena...

A Paradoxx...

A “Parandoxx”, como a gente chamava (rs). Para você ver como as gravadoras e as rádios às vezes dão atestados de que não entendem nada. É claro que a Pitty teve uma importância muito grande para o sucesso dessa música, pelo momento dela. E quando nós a convidamos ela estava no começo do sucesso. Então foi bacana para ela e para nós. Esse lance do sucesso é curioso porque o Ira! sempre foi muito à margem de tudo isso, muito ortodoxo. Muitas pessoas, até pejorativamente, nos viam como um fenômeno puramente paulistano. Isso só porque, no início, nós afirmávamos nossa “paulistanidade”, assim como os Picassos Falsos afirmavam a sua carioquice. Isso é importante. Acho que antes de você ser nacional, você tem que ser local. Você só é universal quando fala da sua rua. Dostoievski disse isso. Mas muitas pessoas usaram isso para nos pôr de escanteio.

O Ira! tem algumas letras de uma poesia ímpar. Quinze Anos, por exemplo, diz: “Vivendo e não aprendendo, eis o homem, este sou eu”. Voltando ao lance do revival, você acha que este tipo de preocupação com as letras, que vocês e outras bandas dos anos 80 mantiveram na década de 90, é um dos motivos para as pessoas admirarem tanto quem é daquela época? Você não acha que essa abordagem dos temas está faltando à música de hoje?

Antes de te responder, é bom lembrar que a maior parte da discografia do Ira! está nos anos 90. Sobre o outro assunto, eu não gosto de ficar criticando os outros, mas como vou fazer uma crítica geral... Eu não gosto dessa coisa de dizer: “Hoje em dia não se faz como antigamente”. Quando eu era garoto, ouvia a mesma coisa. Hoje existem muitas coisas diferentes para analisar. A gente não pode comparar este artista com aquele que toca mais no rádio. Mas, com certeza, pessoas como Edgard (Scandurra), Renato (Russo), Cazuza, fizeram uma música, uma poesia atemporal. Se você for analisar, todos esses três, e também o Herbert (Vianna), têm canções que não são carregadas de gírias do momento, de maneirismos de um setor juvenil. Por isso estão aí até hoje. Mais do que isso, no verdadeiro sentido poético, eles abrem muitas portas para as pessoas interpretarem os versos. Por exemplo, “vivendo e não aprendendo”. Pra mim, isso significa que, para viver, é preciso desaprender certas coisas que você aprendeu. Quer dizer, certas coisas que você carrega do passado você tem que desaprender, tem que negar, para evoluir como ser humano. Não sei se esse é o verdadeiro sentido que o Edgard deu, talvez tenha muitos outros, mas é o que levo para minha vida.


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