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  Uma cantora que quer sempre mais

Divulgação/Carol Bittencourt
A entrada do guitarrista Martin no lugar de Peu ajudou a tornar o som de Pitty mais pesado. “Cada um traz sua contribuição, mas a essência é a mesma”, afirma a cantora

Por Marcos Paulo Bin
10/08/2005


Pitty está lançando Anacrônico (Deckdisc), segundo CD de sua curta e bem-sucedida carreira, com uma responsabilidade nas costas: ela é, e precisa continuar sendo, uma das principais roqueiras do país. O primeiro disco, Admirável Chip Novo, de 2002, emplacou seis singles, sendo que alguns viraram tema de novela. A cantora também se tornou figura fácil nas rádios e na TV com o sucesso da música Eu Quero Sempre Mais, que gravou ao lado do Ira! no CD e DVD Acústico MTV da banda paulista.

Uma história recente ilustra bem o nível de popularidade a que a cantora baiana chegou. Um grupo de amigos falava sobre o Ira! e um deles não se lembrava da banda. Ao pedir que lhe dissessem quem é, uma pessoa respondeu: “São aqueles que cantam com a Pitty”. O desinformado logo se lembrou do Ira!, uma bandas de rock mais importantes do Brasil, que existe há mais de duas décadas, por meio de alguém que iniciou a carreira há apenas três anos.

“Eu escuto histórias como essa e ainda fico pensando aonde isso tudo vai chegar”, diz Pitty, como se a ficha ainda estivesse caindo.

Ao mesmo tempo, ela mostra segurança e garante que a fama repentina não lhe sobe à cabeça.

“Não é algo que me preocupe, que infle o meu ego ou não me deixe dormir. Eu acho tudo muito legal, quero que continue, mas não abro mão de fazer o que gosto. Se fosse diferente, a fama até viria, mas eu não estaria satisfeita”, afirma.

Paradoxos e ambigüidades marcam não só o discurso de Pitty, como também as músicas de Anacrônico, CD bem mais pesado e “nervoso” que o antecessor, tanto nas melodias quanto nas letras.

Em Memórias, por exemplo, uma das canções mais fortes do CD, Pitty revela-se uma pessoa conflituosa, em busca de respostas: “Eu fui matando os meus heróis/ Aos poucos, como se já não tivesse nenhuma lição pra aprender/ Eu sou uma contradição/ E foge da minha mão/ Fazer que tudo o que eu digo/ Faça algum sentido”. Já na faixa-título, a roqueira mostra que assimilou bem as mudanças por que passou: “É claro que somos as mesmas pessoas/ Mas pare e perceba como seu dia-a-dia mudou/ Mudaram os horários, hábitos, lugares/ Inclusive as pessoas ao seu redor”.

“É uma coisa dúbia mesmo”, admite. “Estou numa eterna busca, ao mesmo tempo em que reafirmo os meus valores. Sou uma alma em conflito; por mais que esteja tudo bem, algo sempre está errado. Expio meus fantasmas nas músicas.”

Todas as 13 músicas de Anacrônico foram compostas por Pitty, poucas com parceiros. A cantora concorda que o CD tem um caráter autobiográfico.

“Me sinto à vontade para fazer observações sobre coisas que estão ao meu redor, que eu conheço. Isso inclui falar de mim, mas também vale para o inconsciente coletivo. Meus problemas não são diferentes dos outros porque eu tenho as minhas angústias”, afirma.

Edição em vinil

Pitty está mais pesada em Anacrônico. O disco não traz baladas românticas como Equalize, ou canções pop no estilo Teto de Vidro. A faixa que mais se aproxima do espírito de Admirável Chip Novo é Brinquedo Torto, que já vinha sendo mostrada na turnê anterior. No geral, os rock estão mais nervosos, com as guitarras “no talo”, como em A Saideira, Anacrônico e Quem Vai Queimar?.

“Essa diferença é fruto da estrada”, define Pitty, que em Anacrônico conseguiu se aproximar da sonoridade que buscava desde Admirável Chip Novo. “Naquele disco, era a primeira que eu gravava em um estúdio profissional; nunca tinha visto um Pró-Tools. Agora já sei usar melhor os equipamentos. Me aproximei do que queria, mas ainda não cheguei lá. São detalhes técnicos que fazem a diferença em um disco e que vou aprender aos poucos.”

Pitty também atribui as mudanças sonoras à entrada do guitarrista Martin, no lugar de Peu.

“Gosto que as pessoas que tocam comigo se sintam livres. Cada um traz sua contribuição, mas a essência é a mesma”, diz a cantora, lembrando que a saída de Peu aconteceu sem traumas. “Nós temos muitas afinidades, mas o Peu sempre teve os projetos dele. Já imaginava que isso poderia rolar.”

Sempre em busca do novo, Pitty voltou ao passado e decidiu fazer uma edição de Anacrônico em vinil. Distribuído à imprensa, o LP traz duas versões para a faixa-título, uma no Lado A e a outra no Lado B.

“Foi uma idéia da galera, para ajudar a perpetuar esse formato. Gosto da sonoridade do vinil”, explica.

Vindo para o presente, a cantora mostra-se indignada com a situação política do Brasil. Mas diz que não escreveria uma letra como a de Vossas Excelências, que os Titãs fizeram com base nos escândalos recentes envolvendo o governo federal.

“Não preciso ser tão direta. Minhas mensagens já são claras, pois falam de integridade, de respeito. E o que está rolando no país é exatamente isso, uma enorme falta de respeito”, dispara.

Entre o novo e o antigo, a dúvida e a certeza, a busca e a reafirmação, Pitty apropria-se da música que cantou com o Ira! e mostra que, como o compositor Edgard Scandurra, ela quer sempre mais.

“Esse é o único caminho para não mergulharmos na inércia”, acredita.


Veja mais:


   Disco:  Anacrônico
     Ficha técnica, faixas e compositores

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