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  Ultraje muda (de novo) a formação e volta às canções inéditas

Marcos Hermes/www.ultraje.com
Roger no Rock in Rio 3. O festival, segundo o cantor e guitarrista, serviu para expor novamente o grupo na mídia
Nove anos depois de seu último disco só de canções inéditas, Ó!, e três anos após o bem-sucedido 18 Anos sem Tirar, que misturava inéditas a versões ao vivo de seus principais sucessos, o Ultraje a Rigor está de volta com o CD Os Invisíveis. O disco reforça a vocação do Ultraje para ser o Engenheiros do Hawaii de São Paulo: mais uma vez a banda está com nova formação, mantendo-se apenas o vocalista e guitarrista Roger, o único que permanece desde a fundação do grupo, em 1980.
Mas desta vez Roger tem a companhia de um antigo conhecido: o guitarrista Sérgio Serra, que tocou no Ultraje entre 1987 e 1990, período de auge do grupo, quando lançou seu disco de maior sucesso, Sexo!. Serra substitui Heraldo, que gravou as seis faixas inéditas de estúdio presentes em 18 Anos sem Tirar, CD lançado em 99 que alcançou a marca de cem mil cópias vendidas, ganhando disco de ouro. Outra mudança é a entrada de um novo baterista, Bacalhau, ex-Rumbora, no lugar de Flávio Suete. O outro integrante do grupo é o baixista Mingau.
Produzido por Rafael Ramos, Os Invisíveis traz 11 faixas inéditas, sendo duas instrumentais: O Velho Surfista e Onda. Como sugerem os nomes das músicas, o disco mostra uma forte influência da surfe music, mais evidente na faixa Me Dá Um Olá, que lembra muito os Beach Boys. A primeira música a ir para as rádios foi Domingo Eu Vou pra Praia.
No disco, o Ultraje explora ao máximo sua velha – e ótima – fórmula de misturar sarcasmo, ironia e crítica social, como fica claro na faixa que abre o CD, Esta Canção. “Se é de cocô que o povo gosta, taí cocô eu sei fazer / Faço cocô bem direitinho, no vaso ou no piniquinho / Mas posso fazer meu cocô direto no ventilador”, diz a letra da música. É claro que as mulheres, tema recorrente nas letras de Roger, não poderiam ficar de fora. “Ei, Miss Simpatia / Beleza plástica é o quesito que mais me agradaria (...) Se estiver sozinha, tem um amigo que posso emprestar”, diz a letra de Miss Simpatia.
Confira a seguir uma entrevista exclusiva com o vocalista do Ultraje, Roger Rocha Moreira, que fala sobre a nova formação do grupo, o novo disco e os 22 anos de estrada.

Desde o Rock in Rio 3 você anunciou que o Ultraje lançaria um novo álbum só em 2002. Você acha que chegou o momento ideal?

Eu já tinha planos de lançar um disco inédito depois do ao vivo, mas acabou atrasando um pouco. Não sei se saiu no tempo certo, mas foi o que deu para fazer. A mudança na banda foi muito boa. Eu vinha adiando por causa da amizade, mas a concepção sonora não estava funcionando. Eles não tinham a mesma empolgação dos outros.

Como você compara Nós Vamos Invadir Sua Praia a este disco? O tema praia é uma frustração de um paulistano?

Não. Na verdade, tenho ido muito à praia ultimamente. Não na capital, é claro (risos), mas perto. Não sou um paulistano típico. Eu sempre gostei de praia. Muitas pessoas até acham que nós somos uma banda carioca, por causa de Nós Vamos Invadir Sua Praia. Mas esse tema foi sem querer, não foi nada forçado. A única semelhança com Nós Vamos Invadir Sua Praia é a capa azul e a música Domingo Eu Vou pra Praia.

Porque o título “Os Invisíveis”?

Porque, apesar de nunca termos parado, nós estávamos invisíveis (risos). Isso é até paradoxal, já que estamos vivendo a era da informação, com internet etc., mas o cara só sabe das coisas se elas caem no colo dele. Chegamos a pensar em lançar uma outra banda, com esse nome, mas a gravadora não achou que seria uma boa idéia.

Como você avalia o disco anterior, 18 Anos sem Tirar? Músicas boas daquele disco, como Giselda, poderiam ter tocado mais...

O disco foi bem. Foi uma vitória pessoal. Com ele aumentamos o contato com o nosso público, também pelo site da banda. Nós gravamos esse disco sozinhos e fomos bater de porta em porta nas gravadoras, mas ninguém queria. Nós demos uma entrevista falando sobre o disco e o Rafael (Ramos), da DECKdisc, aceitou. O CD recebeu disco de ouro. Tivemos o gostinho de mostrar isso às outras gravadoras. Quanto às músicas, tivemos um problema de divulgação. Não imaginava que a música escolhida para ser de trabalho, Nada A Declarar, fosse tão bem, por causa do palavrão. Chegamos a gravar um clipe de Monstro de Duas Cabeças, mas, não sei por quais critérios, algumas rádios não quiseram tocar, talvez por acharem muito pesada. Mas ao mesmo tempo eles tocavam Raimundos... Com isso, Giselda e Monstro de Duas Cabeças ficaram regionalizadas.

As letras do grupo sempre foram leves, em tom de brincadeira. Qual é a sua preocupação na hora de compor?

Se é que eu tenho preocupação... Não tenho preocupação em ser engraçado, pelo contrário. As pessoas esperam isso de mim, mas eu sou assim mesmo, sarcástico. Não me levo muito a sério. Minha preocupação é exatamente me afastar do que esperam de mim. As rádios, os fãs, enfim, criam uma expectativa, mas eu não espero nada. Assim que tem que ser.

Em discos anteriores, vocês, mesmo em tom de brincadeira ou usando palavrões, tratavam de temas sérios, como a política. Em ano de eleição vocês não tocam no assunto neste disco? Por quê?

Foi de propósito. Essa questão política era muito forte nos anos 80. Eu cresci em meio à ditadura, e tinha quase uma obrigação moral de me opor àquilo tudo. Vivíamos uma censura, e a música era uma válvula de escape. Hoje não precisamos ser tão claros, tão descarados. A imprensa cuida disso. Mas essa também nunca foi a nossa maior preocupação. Nós sempre falamos de comportamento.

Você escolheu não colocar letra nas músicas O Velho Surfista e Onda ou simplesmente não teve inspiração e deixou assim mesmo?

As duas coisas. Nós sempre fizemos músicas instrumentais, tanto nos discos como nos shows. Fiz essas músicas pensando em colocar letra, mas, como ficaram boas, achei que não valia a pena. Poderia até estragá-las. Em O Velho Surfista eu cheguei a colocar letra, mas depois desisti. Onda eu fiz sentado na praia, olhando para o mar. Foi a minha inspiração.

Como está sendo a divulgação do novo disco?

Está sendo boa. Está tocando em todas as rádios, as críticas foram boas. É isso que dá satisfação. Vivemos uma época de reality shows, em que todo mundo quer aparecer. Essa nunca foi a nossa preocupação. Aliás, nunca foi a preocupação de ninguém da geração dos anos 80. Nunca nos preocupamos em colocar nossa imagem na frente da música.

Você acha que agora a banda irá manter essa formação?

Eu sempre quis manter uma formação, mas não posso mandar nas pessoas. Meu modelo são os Beatles: duas guitarras, baixo e bateria. Ainda me dou bem com todo mundo. Estou feliz que o Sérgio tenha voltado porque, agora, posso dizer quer metade da banda tem a formação original (risos). O Mingau não fez parte da banda, mas está na estrada o mesmo tempo, tocou com o 365, Os Inocentes, Ratos de Porão... O Bacalhau é da nova geração, mas sempre foi nosso fã. Espero que agora fique assim.

Como foi a experiência de tocar nos Sescs?

Foi ótimo. Acho que as pessoas que freqüentam esses lugares são mais interessadas. Agora estamos preparando a turnê para o início de 2003. Por enquanto estamos tocando o mesmo repertório do disco anterior mais Domingo Eu Vou pra Praia, mas esperamos incluir mais músicas do novo disco na turnê.

Internacionalmente, a quem este disco remete, além dos Beach Boys?

Muita gente dos anos 50 e 60, como The Ventures, Bo Didley... Mas também a uma galera mais nova, como Green Day, CPM 22, Raimundos, nós mesmos (risos), pois criamos um estilo. Em Domingo Eu Vou pra Praia, mesmo, tem The Ventures, Bo Didley, Ramones... Nós crescemos em meio a uma riqueza musical muito grande, e quero mostrar isso para a moçada. Acho que o rock de hoje é muito simples, não precisa ser tanto. Quero enriquecer o rock com o som dos anos 50 e 60, que foi a invenção de tudo. Ainda escuto muito isso, principalmente em MP3. São músicas antigas, difíceis de encontrar até em CD. É um passatempo ficar procurando essas músicas.

Então, se você vir alguém com músicas do Ultraje em MP3 não vai ligar?

Não. Domingo Eu Vou pra Praia já tem. A versão que fizemos com o Ira! de Should I Stay Should I Go no Rock in Rio 3 também. Quando eu era garoto e queria um disco, eu o comprava, se achasse que valia a pena. Se não, pedia emprestado, rachava com um amigo ou ligava pra rádio para perguntar quando ia tocar a música, para eu gravar. Hoje a coisa não difere muito, só é mais fácil. A pirataria é uma coisa muito pior, mais descarada.

Você gostaria de gravar um acústico?

Não é uma idéia que parte da gente, mas não vejo problema. Só gostaria de fazer um acústico mais pesado. Mas não dá pra fazer sozinho. É um projeto caro, que tem que ser bancado pela MTV e pela gravadora.

O Rock in Rio 3 mudou alguma coisa para a banda?

Não foi uma mudança brutal, mas mudou, sim. Muita gente achava que a gente estava voltando para tocar no Rock in Rio. Foi uma exposição grande e boa.


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