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  Na contramão e feliz da vida

Dani Jales
Zélia Duncan diz estar vivendo um momento de liberdade artística. “Consegui o direito de fazer o que quero”, comemora

Por Marcos Paulo Bin
26/07/2005


A era do LP acabou há mais de uma década, mas o novo disco de Zélia Duncan, Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band (Universal), poderia muito bem ser dividido em Lado A e Lado B, como eram os antigos bolachões de vinil.

As 10 primeiras faixas mostram Zélia Duncan voltando às suas origens pop, que ela pôs de lado no magnífico CD de sambas, choros e afins Eu Me Transformo em Outras. Após uma vinheta com a biografia do compositor erudito Guerra Peixe, também autor de sambas e choros, a impressão que se tem é que a partir da 12ª faixa começa um outro disco. Parece um segundo Eu Me Transformo..., no qual a cantora retoma as experiências vividas no trabalho anterior.

“Depois da vinheta, é como se o ouvinte mudasse de estação”, reconhece Zélia. “Eu não podia fingir que nada aconteceu. Os dois últimos anos foram muito intensos na minha vida – teve Eu Me Transformo em Outras, um show que fiz com o Naná Vasconcelos cantando músicas do Itamar Assumpção, um disco do Hermínio Bello de Carvalho que produzi. Agora eu precisava dizer que o leque se abriu, por isso o título do CD.”

Neste leque aberto também estão canções pop como Vi, Não Vivi (Chrystiaan Oyens e Itamar Assumpção), a primeira faixa de trabalho; a percussiva Braços Cruzados (parceria de Zélia com Pedro Luis), o blues Mãos Atadas (Simone Saback), cantado com Frejat em homenagem a Cássia Eller; e o reggae Dor Elegante (Itamar Assumpção e Paulo Leminski). Até nesses momentos Zélia Duncan vê as influências do antecessor de Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band.

“As influências não são óbvias, mas ficam claras numa audição mais atenta. O som está mais orgânico, mais percussivo. Meu jeito de cantar está mais forte, eu estou mais nua. Eu Me Transformo em Outras me deu elementos para me conhecer como intérprete”, avalia.

Mesmo tão absorvida por outras sonoridades, bem distantes de hits radiofônicos como Catedral, Nos Lençóis Desse Reggae, Alma e Enquanto Durmo, Zélia Duncan ainda se mostra satisfeita em cantar música pop.

“Não faço música pop por ser comercial, mas porque me sinto à vontade. Essa pluralidade está cada vez mais absorvida na minha carreira”, afirma a cantora, fazendo ressalvas a seu próprio discurso. “Quem esperou que eu repetisse Catedral pelo resto da vida se decepcionou. Quero que as pessoas saibam que faço o que gosto. O glamour esvaziado me enche. Hoje, meus parceiros me envaidecem. O resto dá preguiça.”

4.0 turbinada

Entre as quatro últimas faixas de Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band, aquelas pós-vinheta (o “Lado B”), duas se destacam. Uma delas é Diz nos Meus Olhos (Inclemência), choro raro de Guerra Peixe letrado por Zélia Duncan e incluído na trilha da novela global “Alma Gêmea”. Outra é Quisera Eu, letra de Zélia e melodia de Lulu Santos, um sambão estilo carnavalesco.

“Mandei uma letra para o rei do pop e ele me devolveu um samba. Estava influenciado por Eu Me Transformo em Outras!”, diverte-se a cantora, que viveu a experiência oposta com Mart’nália, sua parceira em Bendita. “Entreguei a letra para a raiz do samba e recebi uma balada. A Mart’nália me surpreende.”

A qualidade das letras da face pop de Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band é o diferencial do “Lado A” do CD. A faixa-título, parceria de Zélia e Lenine, dá uma sacudida na sociedade egocentrista contemporânea, em versos como “Todo mundo quer ser da hora/ Tem nego sambando com o ego de fora”. Seria um recado para a classe artística?

“Também. Mas é um puxão de orelhas geral”, esclarece. “Vivemos num mundo em que as pessoas investem em segurança, só pensam nelas, se esquecem do outro. Hoje até Roberto Jefferson dá autógrafo! A música é um retrato dos nossos tempos, um recado para quem se acha.”

Aos 40 anos, ouvindo discos de Tom Zé, preparando o DVD de Eu Me Transformo em Outras para o final de 2005 e cuidando do selo Duncan Discos – que acaba de lançar Paralelas, primeiro CD de Alzira Espíndola e Alice Ruiz, gravado ao vivo em São Paulo – Zélia Duncan diz estar vivendo um momento de liberdade artística. Algo que ela celebra cantando Tudo ou Nada, música que quase deu título ao novo disco.

A canção é de Alice Ruiz e Itamar Assumpção, mas Zélia canta os versos “Come on, baby/ Segurar esse rojão metade cada/ Seguir o coração em disparada, numa estrada que só tenha contramão/ Come on baby, arriscar num passe só de palhaçada/ Faz de conta que o que conta conta nada/ Apostar na falta de exatidão” como se tivesse escrito a letra pensando nos vários caminhos de sua estrada musical.

“Consegui o direito de fazer o que quero”, comemora. “Tenho quatro-ponto-zero e já estou satisfeita de viver de música. Me sinto na contramão, mas feliz da vida.”


Veja mais:


   Disco:  Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band
     Ficha técnica, faixas e compositores

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