Busca

O UNIVERSO MUSICAL
Quem Somos
Expediente
Cadastro
Publicidade
Fale Conosco
LINKS EXTERNOS
Blog
Universo Produções
Site Marcos Bin
Orkut
MySpace
Enquete
Você é a favor do ensino obrigatório de música nas escolas, como defendem alguns artistas? Acesse nosso blog e dê sua opinião!
  Lupicínio eletrônico

Divulgação/Marcelo Nunes
Roqueiro, Thedy Corrêa ousou ao gravar um disco de música eletrônica com repertório de um mestre da MPB. “Não tenho um gosto monocórdio”, defende-se o cantor

Por Marcos Paulo Bin
17/05/2005


As músicas que o cantor gaúcho Thedy Corrêa, vocalista do Nenhum de Nós, escolheu para homenagear Lupicínio Rodrigues em seu 1º CD solo, Loopcinio (Orbeat), são bem conhecidas na voz de grandes intérpretes da MPB. Mas a forma como ele fez a homenagem, certamente, foi a mais inusitada de todas.

Thedy não chegou a descaracterizar o tom de fossa e dor-de-cotovelo da maioria das composições de seu conterrâneo. Mas também não deu a canções como Ela Disse-Me Assim, Esses Moços (Pobres Moços), Se Acaso Você Chegasse e Felicidade a reverência dada pelos intérpretes que as imortalizaram – Jamelão, Gilberto Gil, Elza Soares e Caetano Veloso, respectivamente.

Como sugere o nome do CD, Thedy optou por fazer releituras eletrônicas para a obra de Lupicínio. As programações de bateria e os efeitos de teclado criados por ele e Sacha Amback, produtores do disco, deram nova roupagem às músicas sem transformá-las em produto para as pistas de dança.

“Não usei a eletrônica como fim, e sim como meio”, explica Thedy. “Algumas músicas até funcionariam nas mãos de um DJ, cheguei a pensar nisso, mas meu objetivo era aproximar Lupicínio Rodrigues do público mais jovem. Acho que estou prestando um serviço aos fãs do Nenhum de Nós.”

Thedy afirma que o CD tem causado uma “estranheza positiva” nos fãs do grupo, que não conheciam o gosto do cantor por música eletrônica. Uma admiração antiga e que, coincidência ou não, foi exposta justamente agora, quando o Nenhum de Nós encerra uma turnê de dois anos do disco Acústico Ao Vivo 2.

“Gravar um disco eletrônico depois de um acústico foi natural. É uma inquietude superpositiva”, define Thedy. “Gosto de música eletrônica desde o Kraftwerk, só não curto o lado dançante. Sempre quis ‘afundar o pé na jaca’ nessa linguagem. Se é algo natural, é válido usar. Não tenho um gosto monocórdio.”

Na hora de gravar o CD, Thedy Corrêa não se limitou às músicas de Lupicínio Rodrigues. A capa o mostra em um bar que era freqüentado pelo compositor gaúcho. Na mesa, ao lado do papel, do lápis e da caixinha de fósforos que ele sempre pedia ao garçom, o vocalista do Nenhum de Nós acrescentou um laptop, dando ao ouvinte uma prévia da sonoridade do CD na forma de imagem.

“Essa idéia agregou conteúdo ao projeto”, acredita Thedy, lembrando que foi apresentado à obra de Lupi “na fonte”. “Meu pai era DJ de uma rádio e eu cresci ouvindo muita música. Sempre escutei os discos do Lupicínio. Entre as interpretações, a que mais me marcou foi Nervos de Aço com Paulinho da Viola.”

Nenhum de Nós prepara novo disco

Para os fãs do Nenhum de Nós, Thedy Corrêa enfatiza que Loopcinio não significa o início de uma carreira solo muito menos o fim da banda, que está concluindo um novo CD. O disco também não deve mudar a sonoridade do grupo, mas as letras de Lupicínio Rodrigues continuarão servindo de inspiração para o autor de Camila Camila.

“O Nenhum de Nós tem uma ligação muito forte com Lupicínio por causa das letras. Tenho uma admiração muito grande pelo poeta que ele foi. As pessoas o minimizam dizendo que ele foi um sambista. Lupicínio sintetizou como ninguém o turbilhão das emoções humanas, apesar da origem humilde. Acho que ponte entre nós está aí.”

O novo disco do Nenhum de Nós, 11º da banda, está previsto para junho, trazendo 13 músicas, 11 delas inéditas. As outras duas são releituras – uma de Jorge Drexler, o uruguaio vencedor do Oscar de Melhor Canção – e a outra uma surpresa que ele não quis revelar. O álbum será lançado novamente pela Orbeat, gravadora da qual Thedy é diretor artístico. O cantor prefere usar o termo “responsável pelas relações artísticas”.

“O que faço são relações para que as pessoas venham trabalhar na gravadora, e que os artistas que já estão lá consigam lançar seus discos. O mercado do Sul é excelente para novas bandas de rock, mas nós estamos sendo cuidadosos. Este ano lançaremos mais duas”, diz Thedy, que descobriu, entre outros talentos, a banda Papas da Língua.

Para o cantor, a dificuldade das bandas da região em estourar nacionalmente, como aconteceu com o Nenhum de Nós e os Engenheiros do Hawaii, deve-se principalmente a questões econômicas.

“Hoje existe o lance de as gravadoras apostarem muito em um artista. E elas preferem fazer isso com nomes do Rio ou de São Paulo, que estão próximos. Tanto que não há bandas gaúchas em uma grande gravadora. Apesar disso, os roqueiros daqui vivem de música, como acontece com os grupos de axé na Bahia. Acho que daqui a pouco eles acontecem”, diz o cantor.


Veja mais:


  Conheça um pouco da vida de Lupicínio Rodrigues
   Disco:  Loopcinio
     Ficha técnica, faixas e compositores

Resenhas relacionadas:

  Loopcinio

 
Graça Music anuncia novidades à imprensa

Grupo Toque no Altar nos Estados Unidos

Metade do Pink Floyd em disco ao vivo de David Gilmour

Oasis mantém o (bom) padrão com Dig Out Your Soul
 
Confira outras matérias
desta seção
 

 

       

 
 
Copyright 2002-2008 | Universo Musical.
É proibida a reprodução deste conteúdo sem autorização escrita ou citação da fonte.
 
Efrata Music Editora Marcos Goes Marcelo Nascimento Dupla Os Levitas Universo Produções