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  Som eletrorgânico pós-manguebeat

Marcos Paulo Bin
O vocalista Renee, que lembra Chico Science na voz e na aparência, reconhece a semelhança com o ex-líder da Nação Zumbi, mas não muito. “Somos de uma geração pós-manguebeat”, define o cantor
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Por Marcos Paulo Bin
05/05/2005


A banda cearense Souzé levou seu caldeirão sonoro ao Teatro Rival, no Rio, onde fez o lançamento de seu 1º CD, Lab SZ. No disco, e também no palco, Renee Muringa (voz), Xavier (voz e percussão), Dionísio Dazul (guitarra), Demétrius (baixo), Vital (bateria e percussão), Marcos Maia (bateria e percussão) e Gil Duarte (flautas) surpreendem pela intensa mistura de ritmos, que envolve rock, maracatu, baião, samba, eletrônica e samba-funk.

No show, mais até que no disco, o Soulzé confirma que sofre os ecos da revolução sonora provocada por Chico Science e a Nação Zumbi nos anos 90 com o movimento manguebeat. Uma semelhança nítida, tanto pela sonoridade quanto pela postura e pela voz de Renee.

“A banda é ótima, eles já estão prontos. Precisam apenas fugir um pouco do estilo de Chico Science e da música pernambucana e se atentar mais para os ritmos do Ceará, que no momento não tem novos representantes de projeção na música brasileira”, avaliou o percussionista Reppolho, que já tocou com nomes como Gilberto Gil, Milton Nascimento e Elba Ramalho e hoje acompanha Moraes Moreira e Elza Soares, além de manter uma carreira solo.

“Eu não nego essa influência. O Soulzé tem 8 anos; pegamos o início do movimento manguebeat, que nos atingiu fortemente. Mas somos de uma geração pós-manguebeat, que faz um mix das diversas contribuições que a Música Popular Brasileira nos deu. Prefiro a definição de que somos uma banda eletrorgânica, que vive o binômio da cultura popular com a modernidade”, define Renee.

Segundo o vocalista, esse “mix” é fruto das diversas influências trazidas por cada componente da banda.

“Nós temos uma forma ‘colegial’ de trabalhar. O Xavier fez parte de um grupo folclórico no Nordeste; o Demétrius é professor, tem um grande conhecimento musical; o Dazul tem o lance da guitarra dos anos 70; e eu sou eclético, mas gosto muito da música nordestina especialmente. Nosso mérito é, na hora de compor, buscar em nossas influências os elementos de que a música precisa”, explica o cantor.

No palco, o Soulzé é mais orgânico do que elétrico. Apesar da presença de um midi, os elementos eletrônicos ficam ofuscados perante a forte percussão, o pífano – pelo qual eles chegam mais próximos às raízes da música nordestina – e a guitarra roqueira do ótimo Dazul.

O público do Rival não era grande, mas quem esteve lá pôde ver uma banda madura e com uma sonoridade difícil de ser rotulada, porém irresistível. Foi impossível não ficar de pé e dançar. Um elemento extramusical que ajudou a dar o clima do espetáculo foi telão, onde imagens psicodélicas se misturavam a fotos de Luiz Gonzaga, um jogo de futebol em preto-e-branco e o saudoso Ultraman voando sobre o céu de Tóquio, entre muitas outras coisas.

Novo CD em 2005

O CD Lab SZ é fruto da participação do Soulzé na coletânea-projeto Cabaçom, de 2002, que reunia bandas cearenses com diferentes sonoridades. No mesmo ano o grupo começou a gravar o disco solo, de forma independente. Concluído no início de 2003, Lab SZ trazia 13 faixas inéditas e autorais e uma versão drum ‘n’ bass para Cabelo, a primeira faixa de trabalho, que recentemente ganhou um clipe.

Esgotada a primeira tiragem, o grupo decidiu fazer algumas mudanças na segunda. De início, as músicas foram remixadas num estúdio em Campinas, São Paulo (realmente o som está bem melhor, muito mais limpo). A ordem das músicas foi trocada e Cabelo ficou apenas com uma versão, misturando as duas anteriores. Além disso, o CD ganhou mais três faixas bem roqueiras: Pauleira!, que abre o disco, e duas releituras rock ‘n’ roll para clássicos de Luiz Gonzaga: Baião e Pagode Russo, extraídas de um dos projetos paralelos do Soulzé, “Luiz Elétrico”.

Renee afirma que o Rei do Baião é outra forte influência do grupo, mas não a maior.

“Não temos uma influência principal. Luiz Gonzaga é muito importante para nós, mas é mais um elemento que usamos. Tanto que nosso CD chama-se Lab – temos realmente uma conduta laboratorial, no sentido de ouvir e absorver diversos sons, desde o Quinteto Violado até Totonho e os Cabras”, conta Renee.

Atualmente o Soulzé anda meio distante de casa. Em 2003, o grupo deixou o Ceará rumo a Campinas e desde o ano passado vive na capital paulista. Renee acredita que o fato de morar no Sudeste não afasta o grupo de suas raízes nordestinas.

“Nós mantemos esse link através de pesquisas e do nosso trabalho com oficinas de percussão. A cultura popular é apenas uma face do nosso som. Gostamos também de música instrumental, eletrônica, trilhas sonoras e outras coisas”, diz o vocalista, que irá mostrar essas e outras facetas do Soulzé no segundo CD da banda. As gravações devem começar no segundo semestre de 2005. Uma das novidades é a romântica Sua, primeira música sobre amor composta pelo grupo, mostrada aos cariocas no show do Rival.

E, por falar em Rio, a banda cogita se mudar para a cidade este ano. Enquanto isso não acontece, os “merrrmãoxxx” têm mais duas oportunidades de conferir o caldeirão sonoro cearense: dia 11, num pocket show na loja Fnac, no Barra Shopping, e dia 18, no mesmo Rival, onde eles tocam com a banda Eletrosamba. Quem ainda não conhece o som deles vai se impressionar “merrrmo”.


Veja mais:


   Disco:  Lab SZ
     Ficha técnica, faixas e compositores





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