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  O adeus a Coroné, um mito do forró

Arquivo U.M.
Coroné na última entrevista coletiva que concedeu, em 2004, no Rio. Apesar da aparência fechada, ele era uma pessoa simples e bem-humorada

Por Marcos Paulo Bin
15/04/2005


No dia 11 de abril, o lendário Trio Nordestino perdeu o último integrante de sua formação mais conhecida. Evaldo dos Santos Lima, o Coroné, morreu aos 67 anos, vítima de insuficiência respiratória. Coroné, que tocava zabumba no trio, foi enterrado no cemitério de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, na terça-feira, dia 12. Duas missas serão rezadas pela intenção de sua alma: a primeira, no dia 18, na Paróquia São Judas Tadeu, no Cosme Velho (Zona Sul do Rio), e a segunda na Paróquia São Domingos de Gusmão, na Tijuca (Zona Norte).

Apadrinhado pelo compositor baiano Gordurinha e batizado por Luiz Gonzaga, o Trio Nordestino surgiu em 1957 com Dominguinhos, Zito Borborema e Miudinho. Em 1960, eles se mudaram para o Rio de Janeiro, alterando também a formação, com a entrada de Coroné, Lindu e Cobrinha. O primeiro disco, um compacto, veio em 1964, pela extinta Copacabana Discos, com as músicas Chupando Gelo – até hoje um de seus maiores sucessos – e Retratos da Bahia. Em 1970, gravaram Procurando Tu, de Antônio Barros e J. Luna, que tornou-se um clássico do forró e lhes rendeu a marca de um milhão de discos vendidos.

Com essa formação, o Trio Nordestino ajudou a consolidar o forró no Sudeste, sendo reconhecido como um dos principais e legítimos representantes das tradições nordestinas. Coroné, Lindu e Cobrinha inovaram ao introduzir uma bateria e uma segunda sanfona no forró, fazendo um som característico que influenciou neoforrozeiros do Rio e de São Paulo como Falamansa e Forróçacana.

Em 1982, o trio perdeu Lindolfo Barbosa, o Lindu, e em 1994, Cobrinha. A mais recente formação incluía Beto Souza (sanfona) e Luiz Mário (voz e triângulo), filho de Lindu. Em 2003, completando 45 anos de carreira, o Trio Nordestino estreou na Indie Records, relendo seus principais sucessos no CD Baú do Trio Nordestino, tendo a companhia de nomes como Forróçacana, Lenine e Alceu Valença.

O disco teve boa repercussão e no ano seguinte eles repetiram a fórmula em Baú do Trio Nordestino Volume 2, com novos hits e a presença de Falamansa, Alcione e Bezerra da Silva.

Neto substituirá Coroné

Apesar do jeitão aparentemente rude, Coroné era uma pessoa extremamente bem-humorada. Na coletiva de lançamento de Volume 2, ao ser questionado se o trio não estava sendo pouco ousado ao repetir a fórmula do CD anterior, ele não pensou duas vezes e soltou a pérola:

“O Emílio Santiago não gravou a Aquarela do Brasil 1, 2, 3, 4...? Por que nós não podemos?”, disse ele.

Quando um jornalista duvidou da autenticidade do forró feito pelo Falamansa, o zabumbeiro saiu em defesa dos amigos paulistas, com quem tocou algumas vezes:

“O Falamansa deu uma grande força para o forró nos últimos tempos. Não importa como eles gravaram. Hoje, o forró é que nem macumba: todo mundo gosta, mas ninguém confessa”, brincou, para risos dos jornalistas.

Até quando se mostrava ranzinza, Coroné fazia as pessoas ao redor darem risadas. Como quando reclamou do fato de Procurando Tu ter feito sucesso no início da carreira do trio.

“Se tivéssemos gravado Procurando Tu, hoje, pelo amor de Deus... Eu estava andando de Mercedes!”, disse, aos risos, na mesma coletiva.

Volume 2
foi o 38° disco do Trio Nordestino. Apesar da longa e bem-sucedida trajetória, Coroné morreu com duas frustrações: não conseguiu lançar um DVD do trio nem emplacar no rendoso mercado de rodeios.

De acordo com a Indie Records, ainda não há previsão para lançamentos póstumos do Trio Nordestino com Coroné. A gravadora anunciou que o músico já vinha preparando um sucessor: o neto Carlinhos, que deve manter acesa a chama do bom humor e da boa música do trio.

E foi a própria Indie, em nota à imprensa, quem deu a melhor definição sobre Coroné:

“Um homem simples, gentil, cavalheiro, mas determinado em suas convicções. Com um talento raro, nato e um imenso amor pelos sons e coisas de seu país. Coroné venceu muitas batalhas nesse quase meio século de trajetória, mas agora foi descansar – ou forrozar, quem sabe – ao lado dos lendários amigos e do mestre Luiz ‘Lua’ Gonzaga.”



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