Busca

O UNIVERSO MUSICAL
Quem Somos
Expediente
Cadastro
Publicidade
Fale Conosco
LINKS EXTERNOS
Blog
Universo Produções
Site Marcos Bin
Orkut
MySpace
Enquete
Você é a favor do ensino obrigatório de música nas escolas, como defendem alguns artistas? Acesse nosso blog e dê sua opinião!
  Imagem, música, poesia e tempo

Reprodução
A contracapa de Que Falta Você Me Faz mostra Bethânia ainda jovem, recém-chegada ao Rio, observando Vinicius de Moraes tocar violão

Por Marcos Paulo Bin
17/03/2005


Das mais simples às mais enigmáticas, as capas de discos podem dizer muita coisa. Quem não conhece alguma história do clássico Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, onde cada canto da capa esconde uma lenda? Dizem até que a figura ilustra o enterro de Paul McCartney, que para alguns estaria realmente morto. No mais recente CD do Barão Vermelho, os cinco integrantes do grupo simplesmente expõem seus rostos, sob um fundo avermelhado, como se dissessem “estamos aqui” após cinco anos de separação.

Em Que Falta Você Me Faz – Músicas de Vinicius de Moraes (Biscoito Fino), Maria Bethânia usa e abusa do poder da imagem. A cantora vem preparando este projeto desde 2003, quando o Poetinha completaria 90 anos. No início de 2004 o disco já estava pronto, mas só foi lançado agora.

No CD, a cantora recria 16 composições do Poetinha, entre músicas e poesias, divididas em 14 faixas. Clássicos imortalizados pela genialidade de Vinicius e de parceiros como Tom Jobim, Carlos Lyra, Toquinho e Chico Buarque são costurados pela sempre brilhante interpretação de Bethânia – que não esquece o lado recital, inspiração para sucessoras como Adriana Calcanhotto – pela produção esmerada de Moogie Canazio e pela regência do maestro Jaime Alem.

O disco termina com a versão de Caetano Veloso para Nature Boy, de Eden Ahbez, com um trecho cantado por Vinicius e resgatado por Bethânia.

A bênção do Poeta

Maria Bethânia mostra seu cartão de visitas logo na capa do CD, com uma foto onde, ainda bem jovem, toca violão numa sala de estar diante de um atento Vinicius de Moraes. É quase uma auto-explicação para o motivo do disco: Vinicius foi quem recebeu Bethânia no Rio quando ela veio da Bahia para participar da peça “Opinião”. No espetáculo, a irmã de Caetano substituía Suzana de Moraes (filha do Poetinha), que por sua vez cobria a ausência de Nara Leão.

Vinicius acabou se tornando um dos principais incentivadores da carreira de Bethânia, estabelecendo uma relação de afinidade com a cantora que pode ser verificada na capa do disco e logo na primeira página do encarte, onde o eterno parceiro de Tom Jobim diz, em depoimento dado no fim de 1965: “Maria Bethânia canta com a liberdade dos pássaros, para fora e para cima, mas sem perda dessa intimidade fundamental à comunicação. A bênção, Maria Bethânia.”

As fotos do encarte, o repertório e o próprio título do disco mexem a todo momento com a conjugação de sons, imagens e temporalidade. Não é à toa que a turnê, que lotou o Canecão nos meses de fevereiro e março, chama-se Tempo, Tempo, Tempo, Tempo.

Ao lado do texto onde Vinicius abençoa Bethânia, uma foto mostra o Poetinha tocando violão para ela. É como se estivesse ensinando à aprendiz como ela deveria ter feito na imagem captada anteriormente. Mais à frente, Vinicius aparece com Baden Powell, seu parceiro na criação dos afro-sambas, provavelmente compondo pérolas como Samba da Bênção, relida por Bethânia em Que Falta Você Me Faz. É claro que a presença, aqui, do violonista Marcel Powell, filho de Baden, não é despropositada. Passado, presente e futuro perderam as barreiras que os delimitam.

Com o parceiro maior, Tom Jobim, o Poetinha aparece em momentos descontraídos – acendendo o cigarro do amigo e disputando queda-de-braço. Da dupla, Bethânia resgata os clássicos Modinha, A Felicidade, Lamento no Morro, O Que Tinha de Ser e Eu Não Existo sem Você, além da menos conhecida Mulher, Sempre Mulher, um sambão azeitado por percussionistas conhecidos como Ovidio Brito (do grupo Toque de Prima), Gordinho e Esguleba. A Felicidade, o maior sucesso do Poetinha relido por Bethânia neste disco, tem a participação de Daniel Jobim, filho de Tom. É o tempo novamente...

No meio do caminho, Bethânia atravessa a linha contínua da História e volta ao presente para posar ao lado dos chorões do Tira Poeira, grupo revelado na Lapa carioca a amadrinhado por ela. Esse passeio histórico termina na contracapa, onde está a foto daquela mesma sala de estar. Como se nunca tivesse saído dali, Bethânia continua observando o Poetinha, violão nas mãos, cigarro na boca e muitas idéias na cabeça.

Que Falta Você Me Faz
parece um livro musical. Não um songbook, ou uma biografia, mas um pedaço da História recortado e colado com músicas e imagens. Bethânia, sua interpretação cada vez mais refinada e a seleção de músicos que a acompanha dão nova vida a canções que já são imortais, derrubam os conceitos de tempo e espaço e reafirmam as palavras daquele que é a razão do disco: “Eu morro hoje, nasço amanhã. Meu tempo é quando.”


Veja mais:


   Disco:  Que Falta Você Me Faz – Músicas de Vinicius de Moraes
     Ficha técnica, faixas e compositores

Matérias relacionadas:

  Bethânia recebe convidados na gravação do DVD Brasileirinho
  Maria Bethânia lança selo Quitanda

 
Graça Music anuncia novidades à imprensa

Grupo Toque no Altar nos Estados Unidos

Metade do Pink Floyd em disco ao vivo de David Gilmour

Oasis mantém o (bom) padrão com Dig Out Your Soul
 
Confira outras matérias
desta seção
 

 

       

 
 
Copyright 2002-2008 | Universo Musical.
É proibida a reprodução deste conteúdo sem autorização escrita ou citação da fonte.
 
Efrata Music Editora Marcos Goes Marcelo Nascimento Dupla Os Levitas Universo Produções