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  Caneta e papel que irradiam luz

Mesmo com 11 anos de carreira como compositor, Black Alien preferiu, em seu 1° CD, gravar apenas músicas novas. “Quis fazer tudo novo porque hoje sou uma outra pessoa”, argumenta o rapper

Por Marcos Paulo Bin
05/12/2004

Demorou, mas saiu. Onze anos depois de estrear em palcos, o rapper niteroiense Gustavo “Black Alien” Ribeiro lança seu 1° CD solo, Babylon by Gus – Vol. 1 – O Ano do Macaco, pela gravadora Desckdisc. A espera foi longa, mas valeu a pena: ao lado do Acústico MTV de Marcelo D2, este é o melhor disco de rap do ano. Bases muito bem-feitas, letras instigantes e um versador carismático que não tem medo de dizer o que pensa. Drogas, violência, desigualdade social, política, romantismo e muitos outros temas – quase sempre polêmicos – em 12 faixas autorais.

“Meu primeiro show foi em setembro de 1993. Eu tinha idéias demais e precisava botá-las para fora. Meus amigos e fãs também já estavam me cobrando muito esse disco”, conta o “Mister Niterói” (nome da faixa que abre Babylon by Gus), que no disco aproveitou pouco do que compôs antes de 2004. “Quis fazer tudo novo porque hoje sou uma outra pessoa. No rap, muitas coisas ficam irrelevantes com o tempo.”

Nesses 11 anos, o Gustavo de Nikiti (como ele se intitula na letra da faixa-título) ficou conhecido principalmente como vocalista do Planet Hemp, com quem lançou os CDs Os Cães Ladram E A Caravana Não Pára (97), do hit Queimando Tudo, e A Invasão Sagaz do Homem Fumaça (2000), quando deixou o barco. Nesse meio tempo, participou de discos de Fernanda Abreu, Raimundos, Banda Black Rio e Marcelinho da Lua. Uma das experiências mais fortes para sua carreira foi sair do Rio e morar uma temporada em São Paulo, onde conheceu os rappers locais, entre eles Sabotage, com quem chegou a gravar.

“Fui para São Paulo em 2000 e fiquei até 2001. Foi um período rico porque conheci muita gente de talento”, lembra-se o cantor. “Logo que fui apresentado a Sabotage, senti a vibe dele. Vou poder dizer aos meus netos que gravei com essa lenda.”

Mais recentemente, Black Alien trocou o rap pelo reggae, fazendo parte do Reggae B ao lado de Bi Ribeiro e Bidu Cordeiro, baixista e trombonista dos Paralamas do Sucesso, respectivamente. Gustavo diz que o ritmo – que está muito presente em Babylon by Gus, ao lado das vertentes do ragga e do dub – apareceu em sua vida antes mesmo do rap.

“O reggae entrou na minha vida através de Gilberto Gil, Jimmy Cliff, Peter Tosh. Só em 86 que saíram simultaneamente discos do Run DMC e dos Bestie Boys, que me tocaram muito”, conta Black Alien.

Amigos participam do disco

Velhos amigos de Black Alien participam de sua excelente estréia solo. O ex-companheiro de Planet Hemp Rafael Crespo toca guitarra em U-Informe; Pupilo, percussionista da Nação Zumbi, faz o batuque em América 21 e Umaextrapunkprumextrafunk; e Marisco é o guitarrista em Na Segunda Vinda.

Os amigos de Paralamas do Sucesso, é claro, estão presentes. Bi Ribeiro responde pelo baixo em América 21 – inspirada no 11 de setembro e com temática semelhante a Ninguém Regula A América, do Rappa – e Bidu Cordeiro toca trombone em From Hell do Céu. Black Alien conta que a admiração pelos Paralamas é antiga.

“Lembro-me de uma excursão do colégio em que fomos a um show dos Paralamas, no Canecão. Eles estavam fazendo sucesso com Óculos, de O Passo do Lui, um dos discos em língua portuguesa que mais me influenciaram. Na época eu usava óculos e me identifiquei muito. Depois vieram Selvagem e Bora Bora, que tinha O Beco, com o melhor arranjo de metais que conheço. Os Paralamas mudaram minha vida”, derrete-se Black Alien, que participou do último disco do grupo, Uns Dias Ao Vivo, cantando a sua Filho Pródigo em um medley que inclui Assaltaram A Gramática, uns dos clássicos de O Passo do Lui.

Intelectual do rap

Muito articulado, bom de papo, Black Alien é um intelectual do rap. Gosta de cinema, de literatura e se diz fã de Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Luiz Gonzaga, Vinícius de Moraes, Clementina de Jesus, Dorival Caymmi e Chico Buarque, que é citado na letra de Caminhos do Destino. Mas será ele escuta tudo isso mesmo?

“Desse pessoal todo, hoje eu escuto realmente Chico Buarque e João Gilberto, que é a minha maior influência na hora de compor. E o Planet Hemp era Chico Buarque puro!”, exagera Black Alien.

A banda é citada pelo rapper como um dos motivos para a demora em lançar seu CD solo. E também por tê-lo lançado agora.

“O sucesso do Planet Hemp e meu lado de compositor me sustentaram durante muito tempo. Talvez eu tenha ficado preguiçoso; gosto do meu sossego. Mas, em 2004, não estou nem no Planet nem no Reggae B. Com 32 anos, me dei conta de que eu precisava de mais”, conta o rapper, que assinou contrato com a Deckdisc em março deste ano, depois de dois anos de negociação.

O título do CD, Babylon by Gus, faz referência a um LP clássico de Bob Marley, Babylon by Bus. O subtítulo, O Ano do Macaco, refere-se a 2004, que assim é definido no horóscopo chinês. E Vol. 1 indica que o número 2 certamente virá. Mas Black Alien prefere não fazer planos para o futuro.

“Eu queria fazer um disco para as meninas dançarem. Não me importava o que os ‘manos’ iriam pensar. O Rafael Ramos (diretor artístico da Deckdisc) e o Alexandre Basa (produtor) também pensavam assim. Não preciso da opinião de xiitas da música”, dispara o rapper. “Este é um disco sem nenhum palavrão, sem termos como DJ, MC, que são lugares-comuns. Pode ser que o Vol. 2 seja totalmente diferente, mas ainda não sei.”

Por enquanto, o versador de Niterói só tem uma certeza: vai colocar seu maior patrimônio, as letras que faz, no seguro. Afinal, como ele mesmo define na música Babylon by Gus, “Com a caneta e o papel irradio pus / A caneta e o papel, irradio luz”.


Veja mais:


   Disco:  Babylon by Gus – Vol. 1 – O Ano do Macaco
     Ficha técnica, faixas e compositores

 
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