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  O documento de uma grande amizade

Gilberto Gil aprovou a forma como o DVD foi lançado: um documentário, e não um simples show. “Tem a Bethânia falando dos trajes da época, o nosso envelhecimento natural, Caetano dizendo que gosta de não gostar... Foi divertido”, diz o cantor

Por Marcos Paulo Bin
29/11/2004

Em 2002, a volta dos Doces Bárbaros foi propagada com grande alarde. O grupo, formado em 1976 pelos baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa – que lançou apenas um disco, um LP duplo, naquele mesmo ano – faria um show no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e outro na Praia de Copacabana, no Rio. As apresentações dariam origem a um CD ao vivo e um DVD.

Dois anos depois, as coisas não saíram conforme fora divulgado. O CD ao vivo não será lançado, e o DVD, chamado Outros (Doces) Bárbaros (Biscoito Fino), transformou-se num documentário da Conspiração Filmes, dirigido por Andrucha Wadignton. Nenhum dos dois shows é mostrado na íntegra; são usados apenas trechos do quarteto cantando na Praia de Copacabana. Algumas músicas não são completas, e aparecem misturadas com as versões em estúdio, dos ensaios. Várias músicas presentes nos shows também ficaram de fora, inclusive São João, Xangô Menino, que fazia parte do LP original.

O DVD foge ao padrão de discos musicais, que geralmente são a transposição de um show mais alguns extras. Outros (Doces) Bárbaros é um filme que celebra a antiga amizade e o reencontro dos quatro baianos. Não há qualquer linearidade: o disco começa com as imagens dos últimos dias de ensaios, vai para Copacabana, volta para o estúdio e passa várias vezes pela coletiva de imprensa que eles concederam antes dos shows.

O LP de 1976 tinha 18 músicas; o DVD tem 15, sendo que 12 delas aparecem ao longo do filme, misturando show e estúdio, mas podem ser assistidas separadamente. Os extras trazem mais três músicas, dessa vez na praia.

Somente 10 músicas foram repetidas em relação àquele disco de quase 30 anos atrás: Fé Cega, Faca Amolada, Viramundo, Um Índio, Eu Te Amo, O Seu Amor, Atiraste Uma Pedra, Chuckberry Fields Forever, Esotérico, Os Mais Doces Bárbaros e Gênesis. Como novidades, Santo Antônio, que fez sucesso no mais recente CD de Bethânia, Brasileirinho; Saudade da Bahia e as inéditas Máquina de Ritmo e Outros Bárbaros, ambas de Gil.

Na letra de Outros Bárbaros, o atual ministro da Cultura pergunta: “Será que ainda temos o que fazer na cidade?”. Gil conta que foi uma brincadeira que fez com a versão original, o hino do grupo, Os Mais Doces Bárbaros.

“Aquela música falava que nós tomávamos a cidade e essas coisas. Será que tantos anos depois, com imagens sedimentadas, carreiras construídas, ainda temos o que fazer na cidade? Acho que a pergunta permanece”, despista Gil, que aprovou o DVD, embora reconheça que não foi fácil fazer os shows. “Foi improvisado, não ensaiamos direito, havia apenas duas músicas inéditas. Mas eu gostei do formato do disco, das entrevistas. Ele mostra a gente se reencontrando quase 30 anos depois. Tem a Bethânia falando dos trajes da época, o nosso envelhecimento natural, Caetano dizendo que gosta de não gostar... Foi divertido.”

Imagens de arquivo

Os melhores momentos musicais do DVD são em Saudade da Bahia, com os quatro cantando juntos o clássico de Dorival Caymmi (bastante oportuno para o encontro), e Os Mais Doces Bárbaros, com imagens do quarteto nos anos 70 intercaladas com o show.

O filme é um pouco longo, mas há trechos interessantes. Após o show de São Paulo, na ponte aérea para o Rio, os Doces Bárbaros comentam o que acharam da apresentação. Bethânia, com um copo de cerveja na mão e parecendo meio “alegrinha”, diz que adorou. Caetano, lembrando que é muito crítico, diz que poderia ter sido melhor. E assim segue o debate.

Na entrevista, recortada em várias partes, Bethânia conta que a idéia de reunir o grupo foi dela, para lembrar os tempos em que cantavam juntos na Bahia. Caetano fala da origem da música Os Mais Doces Bárbaros, que teve trechos inspirados em Jorge Mautner. O mesmo Caetano, em resposta a um jornalista, faz um discurso e quase dá um “piti” falando sobre o que considera cafonice: a idéia de que um artista quer “derrubar” o outro.

Os encontros no estúdio também guardam momentos interessantes, como quando Gil e Gal dizem que, hoje, choram por qualquer coisa.

Enfim, o DVD vale realmente como um documento, um registro histórico de quatro ícones da MPB. Musicalmente, fica devendo, por não trazer o show na íntegra. E, como o CD não sairá (ao menos é o que diz a gravadora Biscoito Fino), para ouvir os Doces Bárbaros no aparelho de som só encontrando em algum sebo aquele longínquo disco.



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