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  Os vários caminhos entre fé e música

www.waguinho.com.br
O pagodeiro Waguinho é um exemplo de artista que se tornou evangélico mas continuou com a carreira secular. No encarte de seu novo CD, na parte de agradecimentos, ele diz: “Que Deus nos abençoe, em nome de Jesus”

Por Marcos Paulo Bin
27/11/2004

Fé e música possuem diversas formas de relacionamento. O caso do grupo Catedral é, se não único, no mínimo raro, ao menos no Brasil. Depois de uma longa e bem-sucedida carreira no meio gospel, Kim, Julio, Cezar e Guilherme decidiram deixar a gravadora MK Publicitá e partir para o mercado popular. Em 2000, foram contratados pela multinacional Warner Music, onde ficaram até 2002 e por onde lançaram três CDs. Hoje, mesmo de volta a uma gravadora evangélica, a Line Records, eles possuem o tratamento de um artista secular. Renegam o título de banda gospel, embora continuem professando a fé de evangélicos.

Caso semelhante ao do Catedral é do cantor Jessé, morto em 1993. Nascido em berço evangélico, ele optou pela carreira secular, solo ou com o grupo Placa Luminosa, que formou nos anos 70. Mas a religiosidade sempre esteve presentes em suas músicas. Até Romaria, música de tom católico, ele gravou. Em 85, lançou um CD só de hinos como Rude Cruz e Fica Conosco Senhor, chamado Ao Meu Pai. Seu maior sucesso na música secular, Porto Solidão, é uma obra-prima da MPB.

O mais comum é o caso de artistas populares que se convertem, deixam tudo de lado e partem para a carreira gospel. Três exemplos chamam a atenção: Nelson Ned, uma das mais belas vozes do Brasil; Mattos Nascimento, ex-trombonista da banda dos Paralamas do Sucesso; e Wanderley Cardoso, o “Bom Rapaz” da Jovem Guarda. Baby do Brasil, ex-mulher de Pepeu Gomes e integrante do grupo Novos Baianos, também se converteu e deixou de lado o esoterismo, que ela sempre propagou. Embora hoje cante músicas evangélicas e se apresente em igrejas e eventos, ela ainda não possui uma carreira consolidada, em termos de discos, no mercado gospel.

Um exemplo mais recente, que também se enquadra nos casos acima, é o do ex-vocalista do grupo de hardcore Raimundos, Rodolfo Abrantes. Ao se converter, Rodolfo deixou o grupo – conhecido por suas músicas de conteúdo pornográfico e com muitos palavrões – e montou o Rodox, com a proposta de manter a sonoridade pesada dos Raimundos mas com letras mais edificantes. No entanto, como os músicos que o acompanhavam não eram crentes, a banda não deu certo. Hoje, Rodolfo dá seu testemunho em igrejas Brasil afora, enquanto não resolve se monta um banda gospel.

Expansão de mercado

O caso de Rodolfo gerou muita controvérsia na mídia, até mesmo pela popularidade dos Raimundos. Ao se converter, a partir de reuniões de oração que sua mulher, evangélica, promovia em casa, o cantor foi curado de um câncer e teve a vida inteiramente restaurada, livrando-se, inclusive, da dependência das drogas. Feliz e empolgado com a nova vida, e sem uma assessoria correta, Rodolfo acabou dando declarações que soaram radicais para quem não é evangélico e não viveu as experiências dele. Mais uma vez, veio à tona a velha discussão do fanatismo, que em muitos casos é fruto da falta de conhecimento e do preconceito da mídia secular.

Existem os artistas populares não seguiram o exemplo de Rodolfo, encaixando-se numa terceira categoria. Ao longo de sua trajetória na música secular, alguns se converteram, mas continuaram normalmente com sua carreira. Exemplos recentes são os dos pagodeiros Waguinho, ex-Morenos, e Belo, ex-Soweto, atualmente preso devido a um possível envolvimento com traficantes de drogas. O cantor lançou este ano um CD de música secular, Seu Fã, sem qualquer referência a sua fé. Em seu disco Meu Coração É Teu – Ao Vivo, lançado recentemente, Waguinho apenas dá uma dica, não muito explícita, de que vive novos tempos em sua vida, na música que encerra o CD, Pela Paz. Mas, nos agradecimentos que faz no encarte, ele pede aos bênçãos de Deus a todos que participaram do disco: “Que Deus nos abençoe, em nome de Jesus”, diz Waguinho.

Serginho, cantor e baterista do grupo de MPB Roupa Nova, é um exemplo mais antigo. Ele se converteu em 1994, mas diz que, até hoje, não recebeu a orientação de Deus de que deveria sair do grupo.

“Quando me converti, a primeira pergunta que fiz foi: ‘Quando saio do Roupa Nova’? Era meu primeiro amor, e a gente acaba se deslumbrando. Mas eu percebi que ser crente não é só empolgação. A palavra que sintetiza tudo é: postura. A gente tem que ser diferente. É dessa forma que vou mostrar que sou evangélico”, afirma Serginho, que tem outro companheiro evangélico na banda, o guitarrista Cleberson Horst.

Serginho conta ainda que, por onde passa, procura levar a Palavra de Deus, e ora pela conversão dos demais integrantes da banda. Mas o cantor admite que tem dificuldades em ter que freqüentar lugares que às vezes não são compatíveis com sua fé, ou conviver com pessoas que não aceitam o evangelho.

“Não é fácil. Deus fala, na Bíblia, para não sentarmos na roda dos escarnecedores. Eu acredito que estar nesse meio é uma coisa, participar é outra. Jesus fala: ‘Tendes bom ânimo, pois eu venci o mundo’. Eu estou neste mundo. E, se Deus ainda não me tirou do grupo, é porque Ele tem um propósito. Eu tenho que manter minha postura, não cair nem para a direita nem para a esquerda, e continuar buscando meu alvo”, afirma Serginho.

Kim, do Catedral, pensa de forma diferente. Para ele, é possível possuir uma carreira secular e manter a fé inabalável.

“Acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Fé não deve se misturar com o trabalho. É uma coisa muito pessoal, cada um tem a sua, e ninguém pode ver ou julgar ninguém, isso é um absurdo. O trabalho pode e deve continuar numa boa, sem problemas”, diz Kim, que não acredita que o artista crente deva se ausentar do mercado secular, onde, como se sabe, são professadas religiões diversas e muitas vezes existe consumo de drogas e bebidas alcoólicas. “É claro que não. Devemos respeitar os outros para termos também o respeito de todos. O problema é se achar melhor que os outros por causa de religião. Isso é o fim da picada. É ridículo, é anticristão. Cristo não fez isso, nem de longe. Esse isolamento é um medo inconsciente e inexplicável.”

Kim vai além. Para ele, é natural que um artista evangélico deixe o mercado gospel quando atingiu uma grande popularidade.

“Acho que quando uma banda cresce com o seu trabalho de verdade, sem enganação, sem manipulação de mídia, a ampliação de mercado é natural. Foi o que aconteceu com o Catedral. Ampliamos os nossos horizontes porque o nosso trabalho transbordou do mercado gospel e foi ser visto, e bem visto, por sinal, no grande mercado. Foi também o caso do Sixpence None The Richer (grupo de pop-rock americano, autor do sucesso Kiss Me, já regravado pelo Catedral) e de outras bandas”, afirma o cantor.

Músicos não evangélicos participam de CDs gospel

O Roupa Nova ainda levanta um quarto exemplo de convivência entre música e fé: músicos não evangélicos que participam de discos gospel. Ricardo Feghali, tecladista do grupo, é muito amigo de Kleber Lucas, cantor da MK Publicitá, e participou ativamente de seus dois últimos CDs. Aos Pés da Cruz, disco ao vivo de muito sucesso, lançado em 2002, foi produzido, arranjado, gravado e mixado por Feghali, em seu estúdio. O músico ainda toca teclado. Também participam do disco Nando, Serginho e Kiko, do Roupa Nova, e o saxofonista Milton Guedes. No álbum seguinte, Pra Valer A Pena, de 2003, a participação de Feghali aumentou. Além de fazer tudo isso novamente, ele compôs a faixa A Paz do Céu ao lado de Kleber Lucas.

“O Feghali é um grande parceiro, uma pessoa de ótimo coração”, diz Kleber Lucas, que, assim como Serginho, acredita na conversão do tecladista. Aliás, Serginho, Kiko e Nando participam também de Pra Valer A Pena, ao lado do violoncelista Jacques Morelenbaum, que toca com Caetano Veloso.

Val Martins possui uma consolidada carreira de cantor evangélico, com vários discos gravados, mas freqüentemente aparece nas fichas técnicas de álbuns seculares. Só para citar alguns exemplos, ele fez a gravação, mixagem e masterização do último disco da banda de reggae capixaba Macucos, e tocou teclado no CD V.I.B.E. (sigla de Vibrações Inteligentes Beneficiando a Existência, e que, como adjetivo “vibe”, é usado no sentido de boas vibrações, alto-astral), do grupo de pop-rock LS Jack, cujo vocalista, Marcus Menna, é adepto do hare krishna.

E ainda existem inúmeros outros casos, como o do grupo Yahoo, do saxofonista Zé Canuto... Todos confirmam apenas uma coisa: a música é uma linguagem universal, e o preconceito, de qualquer lado que seja, é sempre abominável.


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