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  Tom Jobim vivo e ao vivo

Ana Lontra Jobim, da Jobim Music, e Olivia Hime, da Biscoito Fino. As gravadoras se juntaram para criar um selo que reúna toda a obra do Maestro Soberano da MPB

Por Marcos Paulo Bin
11/11/2004

No dia 8 de dezembro, completam-se 10 anos da morte de Tom Jobim. Um pouco antes, chega às lojas o CD póstumo Antonio Carlos Jobim em Minas Ao Vivo – Piano E Voz, gravado no dia 15 de março de 1981, no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

Mas o disco não sai como uma homenagem a Tom Jobim nem como uma forma de lembrar a data. Trata-se, na verdade, do primeiro lançamento do selo Jobim Biscoito Fino, que une a viúva de Tom, Ana Lontra Jobim, e o filho dele, Paulo, ambos da Jobim Music, com a cantora Olivia Hime e a empresária Kati Almeida Braga, da Biscoito Fino. Uma união que fora ensaiada com o CD/DVD Jobim Sinfônico, vencedor do Grammy Latino na categoria Música Clássica, no qual a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) recria a obra do Maestro Soberano da música brasileira.

“Resolvemos lançar esse show em disco porque ele já estava pronto e está lindo”, explica Ana Lontra Jobim, ressaltando que essa apresentação não sairá em DVD, e sim um show de Tom em Lisboa, em 92.

“São dez anos da morte de Tom e nós estamos vindo com um disco ‘ao vivo’. Isso foi sem querer, mas nem tanto. Acho que, inconscientemente, esse jogo de palavras veio em nossas mentes. O Tom está muito vivo nesse disco”, argumenta Olivia Hime.

Ao Vivo em Minas é o registro do segundo dia de apresentações do Maestro no teatro de BH. No show, Tom Jobim recria alguns de seus principais sucessos, como Desafinado, Chega de Saudade, Corcovado, Águas de Março e Garota de Ipanema, somente em voz-e-piano. A fita com a gravação foi encontrada por Paulo Jobim na estante do pai.

“Até hoje só havia algumas gravações do Tom sozinho ao piano. Um disco inteiro assim é a primeira vez que sai”, conta o filho do Maestro.

Show foi dedicado aos parceiros

Produtor do CD, Paulo Jobim fez questão de manter os diálogos de Tom com o público. Algumas coisas são fantásticas. Antes de começar o disco com Desafinado, Tom Jobim admite que estava nervoso no dia anterior, “pois não é de fazer muito show”. Ele conta que quem o levou para os palcos foram Vinicius, Miucha e Toquinho, com quem excursionou e gravou ao vivo um disco antológico, e fala porque resolveu deixar a orquestra de lado e se apresentar sozinho.

“Nós preferimos fazer uma coisa mais íntima, pois a gente não pode ser aquele garoto tímido por toda a vida, né? Tem que se dar um pouco mais e chegar mais perto do público sem aquela armadura toda”, diz Tom Jobim, para logo depois revelar que, no início, ninguém queria gravar Desafinado, nem o próprio João Gilberto. E ainda cantar uma introdução pouco conhecida da música, que teria sido escrita por Ronaldo Bôscolli, e não pelo parceiro Newton Mendonça.

Jobim, que havia perdido o amigo Vinícius há menos de um ano, dedica o show aos parceiros. Ele fala de “uma moça chamada Dolores Duran”, com quem compôs Por Causa de Você e Estrada do Sol, lembra como conheceu Vinicius e fala de um “parceiro de olhos azuis, que dizem que são verdes; depende muito da luz do dia”. Um rapaz que “é um gênio, um craque, tipo Pelé, Garrincha”. Tom se referia a Chico Buarque, co-autor de Retrato em Branco E Preto.

Quase no final do show, o Maestro mostra que o nervosismo realmente havia ficado de lado e mostra seu bom humor. Ele fez os mineiros rirem ao falar de um outro parceiro, meio dispersivo, “um tal de Tom Jobim”. Foi quando mostrou as músicas que fez sozinho: Corcovado, Ligia, Falando de Amor e Águas de Março.

Essas e outras histórias Paulo Jobim, produtor do CD, faz questão de manter.

“Eu achei as falas tão maravilhosas que não tinha como tirar. Só na versão americana do CD que eu retirei, é claro. Mas, se depois de algum tempo a pessoa enjoar de ouvir as conversas, é só usar o controle remoto, algo que poucas pessoas fazem, que já pula para a próxima faixa”, diz Paulo.

“Acho que tirar as falas soaria falso. Elas são a cara do Tom”, completa Olivia Hime, que acredita que Tom Jobim estaria feliz em pertencer ao cast da Biscoito Fino, se fosse vivo. “Acho que o Tom estaria muito satisfeito em estar abrigado aqui. Fomos amigos durante muitos anos, e o amor entre nós era muito grande. Além disso, esta é uma casa de músicos.”

Tom Jobim também estaria feliz de ver um disco como este sendo lançado, com tamanho cuidado em todos os aspectos.


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