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  As sábias profecias de um professor nada louco

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Mad Professor comandando a mesa de som. Conceituado produtor de dub, ele refez o disco Tranqüilo, de Marcelinho da Lua, vencedor do Prêmio TIM

Por Marcos Paulo Bin
25/09/2004

Vencedor do Prêmio TIM 2004 na categoria Música Eletrônica, o CD Tranqüilo, do DJ Marcelinho da Lua (integrante do grupo Bossacucanova), ganhou uma versão dub feita por um dos papas do assunto, o produtor guianense radicado em Londres Mad Professor. O novo disco, chamado Mad Professor Meets Marcelinho da Lua in A Dubwise Style (Deckdisc), mantém as 12 faixas do original, apenas em ordem diferente, e traz duas outras versões para as músicas Tranqüilo e Não Pode Fazer Barulho.

Em setembro, a Deckdisc trouxe Mad Professor novamente ao Brasil. O produtor já havia pisado em terras tupiniquins algumas vezes, para gravações ou shows. Sua primeira grande aparição para os brasileiros foi em 1999, quando participou do disco Dubs, do Cidade Negra, no qual o grupo de reggae da Baixada Fluminense relia seus sucessos no formato dub. Depois disso, ele voltou para apresentações em lugares como Manaus e São Paulo, sempre dando uma passadinha no Rio para rever amigos.

Desta vez, no entanto, Mad Professor fez um show na cidade; foi no dia 23, no Circo Voador, lançando o disco com Marcelinho da Lua. No dia seguinte, ele concedeu uma entrevista coletiva na sede da gravadora, em que revelou não ter gostado tanto assim da apresentação.

“Começou meio tarde. Pessoalmente, gosto que o clímax seja antes. Eu também mudaria algumas coisa técnicas. Mas acho que, para o que o show se propôs, foi legal”, disse ele.

Mad Professor demonstrou ser fã de Marcelinho da Lua. Ele revelou que, embora DJs como Marky e Patife freqüentem constantemente a Europa, Marcelinho foi o primeiro brasileiro que ele ouviu fazendo música eletrônica.

“Esses outros são mais conhecidos entre o pessoal do drum & bass, não por mim. Na Inglaterra, o que se ouve no rádio é Elton John, Beatles ou o r&b de Beyonce, Usher etc.”, contou Mad Professor, dando a entender que não gosta muito desses últimos, queridinhos da música no momento.

E não é só a música eletrônica brasileira que o produtor desconhece. No disco, Marcelinho da Lua faz releituras de dois clássicos da MPB: Refazenda, de Gilberto Gil, e Cotidiano, de Chico Buarque. Mad Professor afirmou que nunca ouviu as versões originais.

“Sei que Gilberto Gil é o ministro da Cultura e fez um disco com músicas de Bob Marley”, disse ele. Chico? Nem pensar. Ao saber que era a música que começava com um “nani-nanã”, desligado, se manifestou: “Ah, essa música é legal”.

Mas, da última vez em que esteve no Brasil, Mad Professor conheceu a música de Tim Maia e ficou encantado. Agora, no estúdio do Cidade Negra, ouviu Léo Maia, filho do Síndico, e sentenciou: “Parece o pai”.

Planeta desconhecido

A coletiva contou com a presença de alguns DJs. Eles garantiram que as constantes vindas de Mad Professor ao Brasil têm ajudado a fortalecer o cenário dub nacional. Um, inclusive, pediu para que ele viesse morar no Rio, para ajudar a erguer a cena carioca, que está em expansão. O produtor, que é Mad mas não é maluco de trocar Londres pelo Rio, desconversou.

“Às vezes, ir embora e voltar dá mais resultados que ficar. Pode deixar que virei seis vezes ao ano”, disse Mad Professor, que define o dub como ir a um planeta desconhecido. “Se você já conhece tudo no Rio, vai desejar, nas férias, ir para outros lugares. Com o dub é a mesma coisa. Músicos querem experimentar coisas diferentes, mas não sabem exatamente para onde estão indo.”

A imprensa recebeu, como material promocional, uma versão em vinil do disco, com apenas duas músicas, lembrando os tempos do compacto: Saudade no lado A e Tranqüilo no B. Aproveitando a deixa, Mad Professor contou que, em Londres, existem umas sete fábricas do (para alguns) saudoso LP. Melhor que o Brasil, que possui apenas uma em todo o país. Mas o produtor não demonstra otimismo, pois, segundo ele, fazer discos de vinil lá é muito caro e as vendas são baixas, pois são poucos os que têm toca-discos.

Mad Professor também não vê futuro para o CD. Papa dos aparatos eletrônicos (na entrevista, ele segurava uma minicâmera fotográfica digital japonesa e um celular que parecia ser também um notepad), o produtor fez até uma profecia ao ser perguntado se acredita que o formato irá acabar, como prevêem alguns especialistas.

“O CD já está morto. Não dou cinco ano para que acabe completamente”, afirmou. “Quando você compra isso aqui (ele mostra um CD), o que serve? A caixa é besteira (ele a joga fora), o encarte você lê uma vez e não precisa mais. Até o disco é besteira. As pessoas querem a música. Há 20 anos, em comparação com o vinil, o CD era ótimo. Hoje está ultrapassado. Você pode até ficar emocionado ao botar um vinil para tocar, mas praticamente falando, música é informação. Se você conseguir colocar tudo em algo pequeno, como um MP3 player, com um bom cartão de memória, ótimo. Eu tenho um que cabe 6.300 músicas, e posso escolher qual quero ouvir. Não sei se esse será o futuro, mas outras coisas virão.”

E como o músico sobreviverá diante dessa nova realidade? O guru mais uma vez faz as suas apostas.

“Essa á uma das partes da revolução. Os últimos 50 anos permitiram que idiotas virassem ídolos. Mas essa lua-de-mel acabou. Está cada vez mais difícil uma pessoa desconhecida ficar rica com música. Se realmente o artista quiser fizer dinheiro, terá que ir além de fazer um único hit. Os artistas terão que trabalhar mais, se promover mais”, profetizou.

O som de Mad Professor pode agradar ou não aos seus ouvidos. Mas não há dúvida de que suas palavras fazem sentido. E elas, certamente, desagradam a muitos.


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