Busca

O UNIVERSO MUSICAL
Quem Somos
Expediente
Cadastro
Publicidade
Fale Conosco
LINKS EXTERNOS
Blog
Universo Produções
Site Marcos Bin
Orkut
MySpace
Enquete
Você é a favor do ensino obrigatório de música nas escolas, como defendem alguns artistas? Acesse nosso blog e dê sua opinião!
  Caetano celebra a axé music, o sexo e o bom humor em disco com Jorge Mautner

Caetano e Mautner na sede da gravadora Universal: bom humor e erotismo marcam o ótimo CD da dupla
Galeria de fotos
Caetano Veloso nunca escondeu sua admiração pela axé music. Um dos primeiros “sintomas” do namoro com a música feita para o Carnaval da Bahia foi a gravação, em 1989, de Meia-lua Inteira, de Carlinhos Brown, faixa do disco Estrangeiro. Mais recentemente, o cantor e compositor baiano fez uma versão voz-e-violão para Mimar Você, hit da Timbalada que se tornou o maior sucesso do disco Noites do Norte Ao Vivo, lançado por Caetano em 2001.
Agora, em seu novo CD, Eu Não Peço Desculpa – gravado em dupla com Jorge Mautner – Caetano escancara de vez, compondo e cantando duas músicas que fazem referência direta à hoje decadente axé music: Feitiço e O Namorado. “Tenho muita vontade de gravar uma antologia disso que um jornalista da Bahia apelidou de axé music, ou seja, a música de Carnaval da cidade de Salvador, que eu acho um tesouro deslumbrante. Mas só as obras-primas. Dá para fazer no mínimo dois CDs”, derrama-se o cantor, em coletiva na sede da gravadora Universal.
Em Feitiço, que conta com a participação de Gilberto Gil, Caetano cita Festa, sucesso-chiclete de Ivete Sangalo, nos versos “Nosso samba tem feitiço (...) e tem também guitarra de rock ‘n’ roll, batuque de candomblé”, enquanto O Namorado é uma resposta à Namorada, hit de Carlinhos Brown. “Se a namorada tem namorada, o namorado tem namorado. Justiça social!”, diverte-se Caetano.

Bom humor e erotismo

O Namorado e Feitiço são duas das dez faixas inéditas – a maioria composta por Caetano e Mautner, algumas juntos – de Eu Não Peço Desculpa, ótimo disco produzido por Caetano e por Kassin, jovem músico carioca que tem sido um dos mais requisitados produtores nacionais. “Quando combinei com Mautner de fazer o disco, queria fazer em um estúdio pequeno, desses modernos, com Pro Tools, e o Kassin é o cara que eu conheço que melhor transa isso. Sem ele o disco não seria o que é”, elogia Caetano.
O CD traz ainda quatro releituras: Maracatu Atômico e Lágrimas Negras (esta em pot-pourri com a marchinha Doidão), clássicos de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, na voz de Caetano; Cajuína, de Caê, cantada por Mautner; e Hino do Carnaval Brasileiro, que encerra o disco. Curiosamente, a última música – que Mautner considera a que “define poética e ideologicamente” o CD – foi uma espécie de selo para a idéia de gravar o álbum, que surgira no final de 2001, em conversas entre os dois amigos, que se conheceram no exílio em Londres, no início dos anos 70.
Dizendo-se amargurado “por razões estritamente pessoais” (incluindo como causa os episódios de 11 de setembro, quando estava nos Estados Unidos), Caetano passava férias em Salvador quando, no Carnaval de 2002, viu Jorge Mautner cantando o Hino do Carnaval Brasileiro em cima de um trio elétrico, fator que considerou determinante para que agilizasse a gravação do disco assim que voltasse ao Rio.
“Um conjunto de fatores me levou a me sentir amargo e justamente durante o verão da Bahia, que é um período de luminosidade e alegria. Vê-lo e ouvi-lo cantar o Hino do Carnaval Brasileiro em
Além da música, Caetano e Mautner têm se dedicado à literatura
cima do trio elétrico nessa situação fazia com que a canção aparecesse frisada, sublinhada”, explica Caetano. “Transformamos essa angústia em ironia”, complementa Mautner, dando a dica de uma das principais facetas do disco: o bom humor, presente em faixas como Homem Bomba. “Para gravar o disco, partimos de um princípio de certa forma pessimista, que era a vontade de ter fé no Brasil. Mas no fim das contas não ficou muito pessimista, não. O CD tem um tom jocoso, quase o tempo todo tudo parece uma brincadeira, mas os temas são os mais importantes para nós”, emenda o baiano.
Outra característica marcante no disco é o erotismo, que aparece nas letras de Manjar de Reis (“Quero a tua nudez da cabeça aos pés / quero que, sem timidez, tu chupes picolés”), Tarado (“Olhando coxas gostosas por todo lado / das mais lindas garotas, também das mais feias / porque são todas gostosas e sereias”) e Voa, Voa, Perereca (“A perereca quer voar, voa, voa, perereca / mas não deixe aqui nesse cantinho, tão sozinho, meu passarinho”).
Para completar a sensualidade e o bom humor que envolviam o pequeno estúdio de Kassin, só mesmo uma foto de Luana Piovani, que Caetano considerou “o momento de glória do projeto”. Ao ver todos extasiados com a imagem, o cantor prometeu levar a atriz ao estúdio, mas não foi levado muito a sério. “Nós dizíamos que ela era a padroeira, que estava tomando conta da gente. Eu disse que a levaria lá. Eles não acreditaram, e um dia apareci com ela. Eu próprio não acreditava muito, mas cheguei com ela lá...”, diverte-se Caetano.

Música e literatura

Os cantores têm participado de programas de TV divulgando a música Todo Errado, uma espécie de balada pseudobrega divertida e despretensiosa. O clipe da canção – gravado no Campo dos Afonsos, no Rio, e em Pirassununga, no interior de São Paulo – no qual Mautner pilota, de forma atrapalhada, um avião da Esquadrilha da Fumaça e Caetano observa desatentamente na torre, é fonte de mais uma história curiosa. Comentava-se nos bastidores da gravação que Mautner estava morrendo de medo antes de subir a bordo.
“Na véspera eu estava mesmo. Fiquei com medo da preparação, porque você tem que ensaiar uma hora o assento ejetável. Foi um horror, mas quando levantou vôo foi maravilhoso”, admite Mautner, que, aos risos, mostrou-se insatisfeito com o prêmio de Fotografia dado ao clipe no Video Music Brasil, da MTV. “Modéstia à parte, acho que é o melhor clipe da MTV de todos os tempos”, exagera.
A dupla fez uma miniturnê para divulgar o disco, passando por São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre. Individualmente, Mautner tem se dedicado à literatura. Recentemente foi relançada sua obra completa e distribuídos 2.000 exemplares a bibliotecas de todo o país. Além disso, o cantor pensa em, no próximo ano, continuar na estrada fazendo shows com uma banda menor. Já Caetano foi para os Estados Unidos encerrar a turnê de Noites do Norte Ao Vivo e lançar o livro “Verdade Tropical”, que em inglês virou “Tropical Truth”. Além disso, o sessentão ainda alimenta o desejo de gravar a já citada antologia do axé. Um sonho tão perto como nunca.



Veja mais:


   Disco:  Eu Não Peço Desculpa
     Ficha técnica, faixas e compositores





Matérias relacionadas:

  Caetano Veloso produz a trilha do filme “Meu Tio Matou Um Cara”
  Caetano renova com a Universal, muda os rumos de seu selo e faz sucesso no exterior
 
Graça Music anuncia novidades à imprensa

Grupo Toque no Altar nos Estados Unidos

Metade do Pink Floyd em disco ao vivo de David Gilmour

Oasis mantém o (bom) padrão com Dig Out Your Soul
 
Confira outras matérias
desta seção
 

 

       

 
 
Copyright 2002-2008 | Universo Musical.
É proibida a reprodução deste conteúdo sem autorização escrita ou citação da fonte.
 
Efrata Music Editora Marcos Goes Marcelo Nascimento Dupla Os Levitas Universo Produções