Busca

O UNIVERSO MUSICAL
Quem Somos
Expediente
Cadastro
Publicidade
Fale Conosco
LINKS EXTERNOS
Blog
Universo Produções
Site Marcos Bin
Orkut
MySpace
Enquete
Você é a favor do ensino obrigatório de música nas escolas, como defendem alguns artistas? Acesse nosso blog e dê sua opinião!
  De volta ao “classical reggae”

Divulgação/PH
O guitarrista Da Gama e o vocalista Toni Garrido. Para o Cidade Negra, o CD Perto de Deus representa uma volta às origens. “Ele é mais simples, nos reaproxima do reggae clássico”, define Da Gama

Por Marcos Paulo Bin
24/08/2004

O Cidade Negra terminava o CD Acústico MTV com a música A Cor do Sol, na qual o vocalista Toni Garrido conclamava a altos brados: “fé em Deus, fé em Deus”. Como se desse continuidade àquela pregação, a banda lança agora Perto de Deus (Sony), seu novo disco de estúdio.

O discurso religioso do quarteto da Baixada Fluminense – formado ainda por Da Gama (guitarra), Bino Farias (baixo) e Lazão (bateria) – já fica evidente na primeira faixa de trabalho, a que dá nome ao disco. A música foi composta pelos quatro integrantes da banda, e traz a participação do reggaeman Anthony B. Toni Garrido diz: “Cantei, assim senti que fui muito mais além / Chegar, ficar / Perto de Deus”. Mas é no trecho versado por Anthony B, em inglês, que o tema fala mais alto. “Todo louvor a Deus o criador / Na hora da fraqueza ele é minha força / Ele um amigo em quem eu posso confiar”, canta ele.

“Todos nós tivemos uma educação espiritual muito forte, que vai ao encontro dessa característica do reggae que é falar de Jah, de Deus. Nesse momento de tanta turbulência no mundo, temos mesmo que pregar aquele que é responsável pela paz, que é Cristo, e se aproximar da fraternidade”, diz Da Gama.

Lazão adota um discurso mais ecumênico e místico.

“Será que o big bang explica tudo? Ele explica como pessoas ficam em coma um mês e depois saem curadas? Muitos médicos me dizem que hoje acreditam em Deus. Mas não falamos de religião, e sim do Deus do amor, que não compartilha com o ódio, a ambição, a covardia. O amor é a força suprema. Ghandi, Buda, Jesus, Bob Marley, cada um deu sua contribuição. O que buscamos é um equilíbrio. Se não tivermos uma força suprema para nos apegar, sucumbimos”, afirma Lazão.

Depois de extravasar todo seu lado pop em Acústico MTV, o Cidade Negra grava um disco verdadeiramente reggueiro. E, nesse caso, falar de espiritualidade é bem natural. O assunto não aparece apenas no Deus cristão citado por Da Gama – de faixas como Perto de Deus e Obrigado – ou no Deus amor de Lazão – de Se Alguém Jah Amou, Selva de Pedra (versão para Concrete Jungle, de Bob Marley) e Eu Sei Que Ela – mas também na natureza, tema de Sinais, e na paz, assunto principal da faixa Homem Que Faz A Guerra. Mas nada disso, segundo Lazão, faz de Perto de Deus um disco de roots reggae. Ele prefere outra classificação.

“Está mais para um disco de classical reggae do que de roots reggae. Depois de tantos anos na estrada, decidimos mostrar todas as experiências pelas quais passamos. Cada faixa tem uma pitada de alguma coisa: raiz, pop, rock, hip hop, eletrônico”, explica o baterista, definindo Perto de Deus como a mistura das influências de cada integrante da banda. “Nós seguimos nossos estilos. Eu ouço música 24 horas, tenho 2.000 CDs. A cada filme que vemos, a cada música que ouvimos, a cada pessoa com quem conversamos, ganhamos novas referências. E o Cidade Negra é uma banda de reggae assumida, mas com suas diversas influências.”

Já Da Gama prefere definir Perto de Deus como uma volta às origens.

“Nossos dois primeiros discos foram mais ligados às raízes. A partir do terceiro (Sobre Toas as Forças, no qual Toni Garrido assumiu os vocais no lugar de Rás Bernardo), adotamos uma linha mais pop. Este CD é uma retomada. Ele é mais simples, nos reaproxima do reggae clássico”, afirma o guitarrista.

Discurso engajado

A principal surpresa de Perto de Deus é a faixa Homem Que Faz A Guerra, meio reggae, meio hip hop, com os vocais de Rappin’ Hood. É também a faixa cuja letra melhor sintetiza as misturas do disco. Logo no início, aparece o sincretismo religioso e musical (“A nova era depois de Cristo / Rap e reggae caminhando juntos / Cidade Negra e Rappin’ Hood é parceria / (...) É reggae roots, é rap de raiz”). A seguir a canção fala de guerra, paz e amor (“O homem que faz a guerra / Não tem tempo de fazer o amor”), natureza (“O homem fez a guerra, quase explodiu a Terra / O homem poluiu o ar de toda a atmosfera”), ganância (“Quanto mais, melhor; que se danem os plebeus / Pois é tudo por dinheiro”) e desigualdade social (“Enquanto poucos ganham, chora a maioria / Dinheiro pros playboys, armas e drogas pras favelas”).

Lazão diz que misturar hip hop ao reggae não foi embarcar na moda em que vive o gênero. Além da amizade da banda com Rappin’ Hood, ele destaca a afinidade de discursos entre os estilos.

“O hip hop é uma música de protesto, como o reggae. Conhecemos essa galera até pelo trabalho social que realizamos nas comunidades. Se não estivéssemos fazendo reggae, certamente estaríamos no hip hop ou em outro estilo contestador. É preciso ter uma válvula de escape”, afirma o baterista.

Da Gama assina embaixo. Para ele, essa música será o grande estouro do disco. “O rap é filho do reggae; é tudo da mesma família.”

Lazão destaca ainda que Homem Que Faz A Guerra mostra o lado engajado do Cidade Negra.

“Sonhamos com um país digno, em ver o dinheiro que é desviado ser distribuído para os pobres”, discursa o baterista. “Crescemos em meio às valas, e a situação lá não mudou até hoje. Vemos muitas vezes as pessoas felizes com coisas básicas, como a água e a luz que chegaram. Isso é vergonhoso. Acho que essa indignação é a principal mensagem que queremos passar com este disco. Galera, as eleições estão chegando. Cuidado com quem vocês vão votar.”

Fé em Deus, Lazão, fé em Deus que a “galera” te ouça.


Veja mais:


  Acústico MTV não foi trauma para o grupo
   Disco:  Perto de Deus
     Ficha técnica, faixas e compositores

Matérias relacionadas:

  Cidade Negra retoma a eletricidade na turnê de Perto de Deus
  Da Gama fala sobre projetos solo e novo CD do Cidade Negra
 
Graça Music anuncia novidades à imprensa

Grupo Toque no Altar nos Estados Unidos

Metade do Pink Floyd em disco ao vivo de David Gilmour

Oasis mantém o (bom) padrão com Dig Out Your Soul
 
Confira outras matérias
desta seção
 

 

       

 
 
Copyright 2002-2008 | Universo Musical.
É proibida a reprodução deste conteúdo sem autorização escrita ou citação da fonte.
 
Efrata Music Editora Marcos Goes Marcelo Nascimento Dupla Os Levitas Universo Produções