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Adriana Calcanhotto só aceitou posar para os fotógrafos mascarada de Adriana Partimpim, heterônimo que usará para os projetos voltados para as crianças

Por Marcos Paulo Bin
14/08/04

Quem ouve nas rádios a música Fico Assim sem Você, sucesso da dupla Claudinho & Buchecha (aquela dos premonitórios versos “Buchecha sem Claudinho”), não faz idéia da intenção de Adriana Calcanhotto ao gravá-la. A primeira impressão que se tem é que se trata de mais um nome de peso da intelectualizada MPB a dar espaço para os artistas de maior apelo popular, algo que Caetano Veloso já fez nos anos 70, com Odair José, e, mais recentemente, o Kid Abelha, ao gravar Quero Te Encontrar, também de Claudinho & Buchecha, em seu Acústico MTV.

Adriana diz que até admira o legado da extinta dupla, mas o motivo da gravação é que, segundo ela, Fico Assim sem Você é um bom exemplo de uma música com apelo infantil que não desagrada aos adultos, como costuma acontecer com o repertório dos discos para crianças. Isso porque, finalmente, a cantora está lançando seu primeiro CD infantil, Adriana Partimpim, projeto que ela alimentava desde 1994.

“Em 94 eu tive essa idéia, e desde então venho selecionando repertório. Em 99, cheguei a gravar o disco, mas achava que ele não estava pronto. Deixei-o decantando, e nesse tempo lancei dois discos (Público e Cantada). Ano passado, me reuni com o Dé (Palmeira, produtor e músico do CD) para retomar o projeto. Foi uma alegria lançá-lo agora, tirá-lo da manga”, conta Adriana, em coletiva no Rio.

Adriana Partimpim não é apenas o título do disco, mas o novo nome que a cantora adotou para si. Mas não é preciso chamá-la de Adriana, ex-Calcanhotto, pois ela garante que o sobrenome – retirado de um apelido de infância – é apenas para os discos infantis, um projeto ao qual pretende dar continuidade.

“Adriana Partimpim é um heterônimo; é mais uma alternativa que uma troca. Penso em ter uma discografia para as crianças, um projeto paralelo, e nesse sentido o heterônimo ajuda”, afirma a cantora.

Uma janela para a poesia

Nesses 10 anos de gestação do CD, Adriana diz que ouviu de tudo: dos discos infantis lançados por artistas da MPB nos anos 80 até Xuxa, Angélica e Castelo Ratimbum. O resultado, naturalmente, ficou mais parecido com a primeira geração, mas ainda assim Adriana Partimpim é um disco diferente de tudo o que já foi lançado no gênero. Se ela vai agradar as crianças, só o tempo dirá, mas desagradar aos adultos está fora de cogitação.

Basta pegar o repertório escolhido. O disco começa com Lição de Baião, gravada por Baden Powell em 1961, no LP Um Violão na Madrugada. Apesar do título, a música é um samba, cantado meio em português e meio em francês, com a participação do violonista Louis Marcel Powell, filho de Powell. A faixa seguinte, Oito Ano, foi lançada por Paula Toller em seu disco solo. A canção traz uma lista de perguntas que o filho da vocalista do Kid Abelha, Gabriel, fazia à mãe com 8 anos de idade.

Lig-Lig-Lig-Lé, que vem depois, é uma marchinha de carnaval de 1937. Formiga Bossa Nova, por sua vez, é um poema do português Alexandre O’Neill, que foi musicado por Alain Oulman e gravado por Amália Rodrigues em 1969. Ciranda da Bailarina, de Edu Lobo e Chico Buarque, é uma daquelas da safra dos anos 80. Saiba, de Arnaldo Antunes, fecha o disco, e, com versos como “Saiba: todo mundo foi neném / Einsten, Freud e Platão também / Hitler, Bush e Sadam Hussein / Quem tem grana e quem não tem / (...) Saiba: todo mundo vai morrer / Presidente, general ou rei / Anglo-saxão ou muçulmano / Todo e qualquer ser humano”. Palavras e conceitos que, segundo Adriana, não são tão difíceis para a criança dos anos 2000 entender.

“As crianças de hoje certamente são diferentes. O nível de informação é muito maior, com internet, canais a cabo. Talvez haja até excesso. Mas, se existe qualquer janela para a poesia, ela deve ser aberta, mesmo que seja de raspão”, diz a cantora.

Adriana Partimpim é muito mais rico musicalmente que Cantada, último CD de Adriana, que era calcado basicamente no violão e em batidas eletrônicas feitas pela dupla Domenico e Kassin. Neste trabalho, a cantora não abandonou os recursos modernos, valendo-se de programações, samplers e até mesmo de um videogame Game Boy, tocado por Kassin na faixa Fico Assim sem Você. Mas também há instrumentos mais tradicionais, tocados por nomes de ponta como Celso Fonseca (violão), Pedro Sá (guitarra) e Jorge Helder (baixo), além de um coro infantil. Tudo isso para alcançar um objetivo fundamental: não restringir o disco às crianças.

“Se eu ficasse muito presa às crianças, parecia que estava excluindo os adultos. Na minha infância, tive a oportunidade de ouvir boas músicas para adulto, e queria compartilhar isso. Tenho pavor de rotular minha música. Este é um disco de classificação livre”, explica a cantora, que, depois de um trabalho como intérprete, pretende retomar seu lado compositora. Ela só não sabe se a Adriana dará as músicas para a Calcanhotto ou para a Partimpim.


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