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  Dois Bicudos cantam o samba moderno e atemporal

Reprodução
Para compor o repertório de seu 1º disco, Pedro (à esq.) e Alfredo tiraram do fundo do baú canções inéditas de mestres da música brasileira como Cartola e Nelson Cavaquinho

Por Marcos Paulo Bin
20/07/2004

O terceiro lançamento do selo Quelé - parceria entre a Biscoito Fino e a Acari Records - resgata a tradição das duplas de samba, praticamente esquecida desde os anos 60, época de Cyro Monteiro e Dilermando Pinheiro. O cantor e jornalista Pedro Paulo Malta e o cantor e violonista Alfredo Del-Penho formam os Dois Bicudos, nome retirado de um samba de Cartola e Aluísio Dias composto por eles nos anos 30 que permanecia inédito até a dupla registrá-lo com maestria em seu primeiro CD.

"Este samba sincopado de letra bem-humorada difere do lirismo pelo qual ficou marcada a obra do genial Cartola", dizem Pedro e Alfredo no encarte do disco. A dupla, aliás, comenta todas as músicas, dando uma aula de história do samba.

Revirando os baús do Rio de Janeiro, a dupla encontrou outras relíquias que permaneciam inéditas em disco. Também dos anos 30 foi resgatada Entre A Cruz E A Espada, de Nelson Cavaquinho, um dos primeiros sambas que ele compôs. A música - que trata de dois dos temas preferidos do sambista, o amor e a religiosidade - foi descoberta em um depoimento dele ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.

Outro samba inédito da década de 30 é Conselho de Amigo, de Geraldo Pereira e Aluísio Dias, que traz os vocais de Cristina Buarque. E, como se quisesse fazer justiça a este grande compositor, que ensinou Geraldo Pereira e Nelson Sargento a tocar violão (chegando a receber o apelido de "Professor"), Pedro e Alfredo descobrem uma terceira composição de Aluísio Dias que permanecia no ostracismo: Força Total, uma exaltação à escola de coração, a Mangueira.

Continuando na praia dos resgates, os Dois Bicudos relembram Falso Rebolado, samba pouco conhecido de Venâncio (autor, ao lado de Corumba e J. Guimarães, de O Último Pau-de-Arara) e Jorge Costa. Na mesma linha é Tudo Que Você Diz, que não é uma das composições mais lembradas de Noel Rosa. No encarte do disco, Pedro e Alfredo contam que a música, registrada originalmente pela dupla Chico Viola e Mário Reis, foi composta pelo Poeta da Vila como pagamento a um carro comprado de Francisco Alves.

Fazendo questão de lembrar as antigas duplas de samba, os Dois Bicudos regravam Receita Médica, de Francisco Malfitano e Eratóstenes Frazão, um samba-choro lançado em 1937 por Wilson Batista e Erasmo Silva. No mesmo ano, a "Dupla Verde-Amarela", apelido dado a eles pelo radialista César Ladeira, gravou Já Sei, que Pedro e Alfredo resgatam de forma belíssima, acompanhados por Maurício Carrilho (violões), Luciana Rabello (cavaquinho), Celsinho Silva (pandeiro) e Pedro Amorim (bandolim).

Exaltação ao Rio Antigo

Mas o disco Dois Bicudos não é feito só de músicas antigas (embora a data da gravação pouco importe e, em alguns casos, não seria notada se não fosse dita). Pedro Amorim, requisitado compositor e bandolinista, é autor da ótima Jurema/Matilde, na verdade duas músicas em uma, ou a vida de duas mulheres em uma só canção. Enquanto a primeira é cantada por Pedro, a outra é cantada por Alfredo.

Trazendo versos como "Jurema é uma morena que conheci / No Andaraí, dançando um samba" e "Matilde, que eu encontrava amiúde / Num botequim da Saúde / Irmã daquela Jurema de triste memória / Lá na Taberna da Glória", a música mostra uma das principais características do CD: a exaltação ao velho Rio de Janeiro, o que até mesmo Aluísio Dias havia feito em sua Força Total.

No entanto, outras canções novas também mostram isso, como a que abre o disco, a fantástica Baile no Bola, uma gafieira de Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro. Quem não é carioca talvez não entenda os versos "Domingo eu vou pro Elite (Gafieira Elite, uma casa tradicional do Centro do Rio) / Ver Antonieta / Alguém me fez um convite / De ir ao Bola Preta (Cordão do Bola Preta, famoso bloco carnavalesco que sai do Centro da cidade no Carnaval)".

A outra canção da dupla, Geraldiana - outra samba inédito, o último a entrar para o disco - é uma homenagem bem-humorada e totalmente carioca a Geraldo Pereira e a Dorival Caymmi, um mineiro e um baiano que adotaram o Rio de Janeiro.

Paulo César Pinheiro responde ainda por outra composição, Requebra, Morena, com um de seus principais parceiros, Mauro Duarte. A música foi gravada em 95 por Zeca Pagodinho, no disco Samba pras Moças. Fazendo uma apanhado geral do repertório de Dois Bicudos, percebe-se que Pedro e Alfredo sabem que o que é bom pode ter sido feito há 70 ou 10 anos atrás, ou até mesmo há alguns meses.


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