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  Afonjah mostra fusão de costumes musicais

Divulgação
Janaína Lince é enteada do fundador do Afonjah, Valdi, e uma das vocalistas do grupo, que existe há quase 20 anos

Por Leisa Ribeiro
19/07/2004


Maracatu, reggae, dub, samba, sambada de caboclo, frevo, coco. Esses são alguns dos ritmos que a banda Afonjah defende com um som original e brasileiro há quase 20 anos. As letras são fortes e procuram alertar as pessoas sobre problemas sociais e espirituais. Esse barulho todo e as letras são responsabilidades de Valdi Afonjah, líder do grupo, que ainda tem na formação sua mulher Márcia e a enteada Janaína Lince. Como músicos de apoio, nomes experientes: Claudio Costa (guitarra), Carlos Trilha (órgão), Eduardo Constant (bateria e percussão), Joab (percussão e capoeira angola), Marlon Costa, Marcos Bomfim e Robson Olicar (trio de metais).
O grupo lançou em 2002 seu terceiro disco, Cambinda Dub (Trama). Entre as 11 faixas, a única que não é autoral é Ah! Se Eu Vou, de Lula Queiroga. Após a construção de uma carreira sólida no exterior, o Afonjah voltou ao Brasil com um único objetivo: conquistar seu espaço. Com um forte sotaque pernambucano, Valdi apresentou a banda para o UNIVERSO MUSICAL em sua casa, onde um agradável papo rolou solto.

Qual é o som do Afonjah?

Valdi: Ritmos marcantes como maracatu, dubs, samba, hip hop, reggae e coco, mas unindo a eles instrumentos eletroeletrônicos, tambores africanos, metais, enfim, várias linguagens musicais. Gosto de usar o coco com as bases do ritmo do candomblé de Pernambuco. Na verdade a gente tenta fazer todos aqueles sons e ritmos que vieram da África, do Nordeste, dos índios e todas as influências que a gente acha possível.

E Afonjah? O que significa?

V: Afonjah é um ancestral dentro da descendência africana. Xangô, Oxossi, todos esses nomes que o pessoal tenta associar a um santo católico são na verdade pessoas que existiram e têm uma história. E nós somos descendentes desse ancestral porque dentro da cultura africana fazemos parte dessa tribo na África.

O grupo viveu muitos anos no exterior. Por que retornar ao Brasil?

V: Porque temos a vontade de disseminar a música, de ir contra qualquer tipo de preconceito que se desencadeia em sons.

Quais foram os outros trabalhos lançados pela banda?

V: Lançamos um LP em 1988 chamado Negra Magia, e em 1997 lançamos um CD com o próprio nome da banda. E agora, em 2002, Cambinda Dub.

E qual o significado de Cambinda Dub?

V: Segundo as raízes, Cambinda, ou Nação de Velha Cambinda, era grupos de negros que saíam em cortejo ao som dos batuques pelas ruas do Recife ainda no século XVII, dando origem ao que hoje são os maracatus, cambindas, símbolos da resistência negra pernambucana.

A música João Candido, sucesso deste trabalho, também tem uma história, não é?

V: Ela presta uma homenagem a este herói-líder da Revolta da Chibata, um movimento dos marinheiros negros que aconteceu em 1910 em oposição à lei que existia nos navios da Marinha, pela qual os negros eram submetidos a levar chibatadas como castigo mesmo após a assinatura da Lei Áurea, em 1888. Após a revolta, João Cândido e seus companheiros foram expulsos da Marinha sem direito a nada, e ele passou a vida lutando para reaver o que lhe era de direito.

Tem pouco tempo que ele foi anistiado?

V: Foi no dia 20 de junho de 2002, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. O projeto-de-lei foi apresentado pela senadora Marina Silva, que concedeu a João Candido "anistia post-mortem". Acho que fez jus a sua luta.

O clipe dessa música concorreu a alguns prêmios, não é?

V: Ele concorreu na categoria de melhor demo clipe do VMB 2002. Inclusive a dona Zelândia, filha de João Cândido, participa do clipe, que foi dirigido pela Paola Barreto. Também em 2002, em São Luiz do Maranhão, ganhamos um pequeno festival de cinema e vídeo de lá. E em 1992 ganhamos na França um prêmio com a música Chegue Fala.

Como começou a história da banda?

V: Começou com a minha carreira solo no Recife, onde todo mundo me conhecia como Valdi Afonjah. Aí recebi o convite para ir à França e fiquei lá até 89. Um ano depois, conheci a Márcia e tive a idéia de formar a banda, pois ela já vinha de um trabalho na Suíça de 10 anos.

No Brasil o trabalho de vocês ainda não tem sido muito divulgado...

V: Atualmente temos feito mais coisas lá fora. É que na verdade a gente já tem um trabalho lá fora desde a década de 80, né? Principalmente com a Europa, a África e a Jamaica.

Que diferenças você percebe entre trabalhar no Brasil e no exterior?

V: Por mais que não sejamos tão conhecidos aqui, o povo já conhece o maracatu e esses elementos que a gente sempre traz na nossa música. Lá fora sempre é uma novidade porque tudo que tem essa influência africana eles classificam de "world music", e entramos mais ou menos nessa vertente que sempre tem alguma coisa diferente, alguma coisa surgindo, principalmente no Brasil, que tem essa diversidade musical. Se você chega no Rio é uma música, se você vai para a Bahia é outra, no Maranhão, outra, e as pessoas sempre têm uma expectativa de algo novo sempre.


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  Continuação da entrevista:
   Disco:  Cambinda Dub
     Ficha técnica, faixas e compositores

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