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  Sambas, choros e valsas na voz de Zélia Duncan

Zélia Duncan mostrou os sambas, choros e valsas que gravou em seu novo disco em um show no Teatro Rival, no Rio

Por Marcos Paulo Bin
11/07/2004

A melhor definição para o atual momento de Zélia Duncan foi dada pela atriz Angela Leal, dona do Teatro Rival BR, quando a cantora fez o show de seu mais recente CD, Eu Me Transformo em Outras, na tradicional casa carioca. "Esse show é a quebra de paradigmas de Zélia Duncan!", dizia ela, feliz da vida, a altos brados.

Angela só não está mais certa porque não é apenas o show que quebra os paradigmas de Zélia, famosa por suas canções pop-folk radiofônicas. Para quem a conhece apenas por hits como Catedral, Nos Lençóis Desse Reggae, Alma e outras semelhantes, Eu Me Transformo em Outras é, no mínimo, uma surpresa. Para quem é fã dela, uma grande surpresa. Para quem gosta de música em geral, uma ótima surpresa.

Isso porque Eu Me Transformo em Outras é recheado de pérolas da música brasileira, algumas bem conhecidas, outras desenterradas do baú do esquecimento. São principalmente sambas, choros e valsas, de nomes como Jacob do Bandolim (Doce de Coco, com Hermínio Bello de Carvalho), Haroldo Barbosa (Quando Esse Nego Chega), Herivelto Martins (Nega Manhosa), Tom Jobim e Vinícius de Moraes (Janelas Abertas), Cartola (Disfarça E Chora, com Dalmo Castello) e Dorival Caymmi (Sábado em Copacabana, com Carlos Guinle). Também há compositores mais contemporâneos, ídolos declarados de Zélia, como Itamar Assunção (Quem Canta Seus Males Espanta), Tom Zé e Elton Medeiros () e José Miguel Wisnick (Presente).

Acompanhando-a, um time de feras formado por Hamilton de Holanda (bandolim de 10 cordas), Marco Pereira (violão de 8 cordas), Gabriel Grossi (gaita), Márcio Bahia (bateria e percussão) e Bia Paes Leme na produção.

"Eu adoro cada uma dessas músicas, elas me dizem muito. Esse CD realmente causa surpresa, mas não estranhamento", diz Zélia. "As pessoas rotulam, mas não temos que aceitar esses rótulos. Denominar o que fazemos não é o nosso trabalho. Nossa tarefa é fazer música. Bagunçar os rótulos é bom", completa a cantora, que acredita que só pôde gravar o CD pelo sucesso de seu trabalho pop.

Mas, na verdade, não é bem assim. Contratada da Universal, por onde ainda gravará mais dois trabalhos, Zélia teve de montar um selo, o Duncan Discos, para lançar um projeto tão ousado. Mas em uma coisa ela tem razão: os anos militando com êxito na música pop deram a ela o prestígio para conseguir firmar uma parceria com a multinacional, que fabrica e distribui os CDs. A intenção é lançar novos artistas no futuro.

Show poderá virar DVD

O disco
Ao final, ainda cantando, Zélia se encontrou com a administradora do teatro, Angela Leal.
Eu Me Transformo em Outras
e o selo Duncan Discos nasceram de uma série de 17 shows que Zélia fez no Centro Cultural Carioca a partir de julho de 2003. As apresentações, lotadas, chegaram a São Paulo, nos Sescs Vila Mariana e Santo André, com o mesmo êxito. Registrar o show foi questão de tempo. Mas, como seu último CD era ao vivo (Sortimento Vivo), ela decidiu fazê-lo de uma forma menos tradicional.

"Não queria que fosse um disco ao vivo comum. Então fomos para o estúdio e gravamos todos juntos, como se fosse um show. Aliás, esse é um disco que imita o show", conta Zélia, que pensa em gravar uma das apresentações da turnê para virar um DVD.

Embora seja um disco majoritariamente de sambas e choros, as duas faixas que até o momento foram para o rádio são as mais pop do disco. A primeira, Jura Secreta, é uma faixa-bônus, que foi incluída no CD por ter entrado para a trilha sonora da novela global "Da Cor do Pecado". Atualmente, está no dial a música , regravada recentemente também por Adriana Maciel, no disco Poeira Leve. Zélia lamenta o esquema viciado em que vivem as rádios.

"O que tem espaço nas rádios? Não se sabe. Rádio se tornou um mistério até para quem vende milhões. Ele não retrata o que é a música no Brasil. O movimento do rádio não tem naturalidade, espontaneidade", desabafa.

Enquanto as rádios apostam no óbvio, músicas desconhecidas do grande público e resgatadas por Zélia em Eu Me Transformo em Outras correm o risco de permanecer escondidas, a não ser para os fãs dela. Um exemplo é Eu Não Sou Daqui, um samba delicioso composto Wilson Batista e Ataulfo Alves e gravado originalmente por Aracy de Almeida (posteriormente, por Cristina Buarque). A música fala da cidade de Niterói, onde Zélia nasceu, e segundo ela é uma forma de se reconciliar com a terra de Araribóia.

"Muita gente acha que eu nasci em Brasília. Mas, com essa música, eu digo com orgulho que sou de Niterói. Minha família é da cidade, e eu sempre vou lá", conta Zélia, que, hoje moradora do bairro carioca da Urca, mostrou a música aos niteroienses na festa de aniversário da cidade, no ano passado.

Mas a faixa com a qual a cantora mais se identifica é que abre o disco, Quem Canta Seus Males Espanta, que traz a expressão que dá nome a ele. Basta conferir os versos "Eu me transformo em outras, determinados momentos / (...) É pelos palcos que vivo seguindo o meu destino" e ouvir o restante do álbum para entender o motivo da identificação.

"Eu me resumo nessa música, ela é um abre-alas. Eu a canto achando que foi feita pra mim", diz Zélia.  


Veja mais:


   Disco:  Eu Me Transformo em Outras
     Ficha técnica, faixas e compositores

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