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  Garota sangue bom pede a paz

Divulgação
Fernanda Abreu numa foto semelhante à da capa de seu novo disco, onde aparece atirando em uma arma que dispara flores.

Por Marcos Paulo Bin
10/07/2004

A nova realidade do mercado fonográfico chegou a Fernanda Abreu. Assim como Djavan, que depois de 22 anos como contratado da Sony deixou a multinacional para seguir o caminho da independência, a rainha do samba-funk reiscindiu seu contrato com a EMI, de onde era artista exclusiva desde os anos 80, quando era backing vocal da Blitz, e por onde lançou seus cinco discos solo. A diferença para os dois é que, enquanto o cantor alagoano criou uma gravadora, a Luanda Records - com gravação, distribuição e marketing próprios, deixando para a Sony apenas a fabricação e a entrega nas lojas - a cantora carioca montou um selo, o Garota Sangue Bom. Por ele, Fernanda gravou o CD Na Paz, deixando as demais etapas a cargo da EMI.

"Todo esse investimento é meu", disse Fernanda, em coletiva no Rio, referindo-se ao enorme release em papel fotográfico distribuído à imprensa e à caixa que envolve o CD, feita com uma material resistente e com uma imagem holográfica reproduzindo a capa. "Eu entrego o produto pronto, com todos os instrumentos gravados, e a EMI cuida da promoção, do marketing e da distribuição. Acabou sendo bom para todos. Somos parceiros, temos um interesse em comum, que é ver o disco bem-sucedido."

A temática de quase todo o CD aborda o binômio paz/violência. A começar pelo título, passando pela capa, em que Fernanda Abreu aparece disparando duas pistolas, de onde, em vez de balas, saem flores.

"A capa mostra a minha forma de falar de desarmamento", explicou a cantora. "Eu poderia ter ficado numa cama, vestida de branco, numa posição bastante zen. Mas, dessa forma, me comunicaria com um grupo seleto. Segurando uma arma, eu me comunico diretamente com a sociedade. Estou dizendo: 'olha o que eu faço com a arma'. Essa é a minha mensagem à Al-Qaeda, a Bangu 1, ao Comando Vermelho, ao PCC. Não dá pra ignorar o uso das armas de fogo no Brasil, um dos países onde mais se mata dessa forma no mundo."

Cantora quer lançar disco de Fausto Fawcett

Nas músicas de Na Paz, Fernanda Abreu expressa de diversas formas o principal objetivo do CD, que, segundo ela, é "desarmar os corações, os espíritos e as mãos". O disco começa com duas músicas quase utópicas: Brasileiro, que fala de "Um Brasil verdadeiramente livre / Um Brasil independente", trazendo a participação de Martinho da Vila; e Eu Vou Torcer, antiga pérola de Jorge Benjor, com versos aparentemente inocentes como "Eu vou torcer pela paz, pela alegria, pelo amor / Pelas coisas bonitas, eu vou".

"Essas músicas não falam de modo racional, mas de sentimentos profundos, de afeto. São palavras que não estão mais na moda neste mundo capitalista: amor, respeito, solidariedade. Eu procuro falar para minhas filhas que esses sentimentos existem", disse Fernanda, mãe de Sofia (12) e Alice (4).

Ao longo do disco, a cantora vai dando outros contornos ao tema. Em Zazuê, fortemente influenciada por Benjor (que canta na faixa), Fernanda não esconde um certo pessimismo ("Como faz pra viver assim na mira / Como faz pra se soltar / Como faz pra chegar na sua sexta-feira / Não tem hora pra acordar / (...) Zazuê quer ser uma espécie de Charles Anjo 45 / O Robin Hood dos pobres / O rei da malandragem / Mas o tempo passou, o morro mudou /  O asfalto mudou, a cidade mudou / E o futuro de Zazuê todo mundo conhece / O seu destino já está escrito").

Bidolibido, aparentemente uma música romântico-sensual, também tem um caráter de denúncia, como mostram os versos "Bidolibido, libido, libido / Eu vivo no estilo / De um filme do tipo 'cinema bandido' / No morro, no risco / Na mira do tiro / No alvo do míssil". Já Padroeira Debochada, parceria dela com o antigo amigo Fausto Fawcett (e Maurício Pacheco), mistura versos conscientes ("A classe média emergente cafonuda / É totalmente sacudida por pobreza, putaria / E bandidagem de insolência detergente / Desafiando o social com violência bem lasciva / Provocando a tradição de sapiência divertida") com pessimismo irreverente ("Não tem pra Jesus Cristo, não tem pra ninguém / E São Sebastião? No way / Quem me guia na alegria e na agonia dessa vida / É a padroeira da delícia imaculada").

Vida de Rei, composta com Ivo Meirelles, típico representante do morro da Mangueira, e com participação de Magic Julio, do grupo Afro-Reggae, de Vigário Geral, fala da realidade das favelas ("Tô te convidando pra ver bem de perto / Barracos, vielas, inferno e céu / Com olhos abertos, de braços abertos / Coração aberto pros filhos de Deus"). E, quase encerrando o disco, o samba Sou Brasileiro - a melhor faixa, com vocais de Mart'nália - faz o contraponto ao começo utópico do CD, falando do típico brasileiro ("Gosto de samba, futebol, cinema, teatro e boate / Sempre me dou bem, não sou tatibitate / Tô sempre aí, meu negócio é curtir som").

Fernanda Abreu contou que falar de violência foi algo natural.

"Não comecei o disco pensando nisso, as músicas foram se encaminhando para esse lado. O grande assunto dele é o desarmamento, não só o social, mas o geral. A violência imobiliza, o medo aprisiona, e o ser humano gosta de liberdade", disse a cantora, definindo, a seguir, exatamente a que paz ela se refere. "A paz é quase inalcançável, pois a alma humana é movida pelo desejo, e o desejo é conflituoso. O CD fala de um estado de espírito 'na paz'; é o que eu busco para mim, e que gostaria que as pessoas buscassem para elas. Mas não acho que o disco responda nada. São perguntas que faço para mim mesma e que sempre vou fazer."

Outra pergunta que Fernanda anda se fazendo é se ela conseguirá lançar outros artistas pelo selo Garota Sangue Bom. A intenção é que o segundo disco seja de Fausto Fawcett.

"Se o meu disco for bem-sucedido, quero lançar outros artistas. O primeiro projeto é de um CD só com músicas inéditas do Fausto. Já tenho o conceito do disco; até já passei 10 temas para ele desenvolver. Só faço questão de produzi-lo, ser sua diretora artística... Quero cuidar de tudo!", empolgou-se Fernanda.

Se em apenas algumas faixas dos discos solo de Fernanda essa parceria já rendeu grandes frutos, o que dirá, então, dos dois trabalhando juntos em estúdio em um disco inteiro? Realmente, não vai ter pra ninguém. No way.


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  Fernanda Abreu fala de sua evolução musical
   Disco:  Na Paz
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