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  Paulo Moura e Yamandu Costa derrubam as fronteiras entre a música brasileira e a latina

Reprodução
Yamandu Costa e Paulo Moura defendem o fim da distância musical entre o Brasil e o resto da América Latina. “Temos que acabar com essa história de os brasileiros desconhecerem completamente a música que se faz nos países vizinhos”, diz Yamandu

Por Marcos Paulo Bin

O ano de 2004 tem sido pródigo para a música instrumental brasileira. Só para citar alguns trabalhos recentes, o produtor José Milton conseguiu reunir os três maiores sanfoneiros do país, Dominguinhos, Sivuca e Oswaldinho, no primoroso CD Cada Um Belisca Um Pouco, no qual tocam forrós e baiões deles próprios e de mestres como Gonzagão. O Quarteto Maogani presta uma bela homenagem a Tom Jobim, praticamente apenas ao violão, em Água de Beber. Ainda falando de violões, o responsável pelo instrumento no grupo Tira Poeira, o jovem Caio Márcio, diz a que veio a nova geração de chorões em seu primeiro CD solo, auto-intitulado. Baixista que está acompanhando a dupla Danilo Caymmi e Manu Lafer, na turnê do recente O Patriota, Rogério Botter Maio também mostra um pouco do que a “MPI” (Música Popular Instrumental) tem de melhor em Aprendiz. Além disso, festivais de música instrumental pipocam por todo o país, especialmente no Rio de Janeiro, como o realizado em Niterói, com feras do naipe de Arthur Maia, Carlos Malta, Carlos Bala e Márcio Montarroys, e o que acontecerá em Vassouras.

Grande parte dessa boa fase deve-se à gravadora Biscoito Fino, dirigida com maestria pela cantora Olivia Hime e pela empresária Kati Almeida Braga. Dos CDs citados acima, apenas o de Rogério não saiu pelo selo. Agora, a BF dá mais uma prova de sua ousadia – e da falta de medo da crise que assola o mercado – lançando um disco inovador, que reúne dois dos melhores instrumentistas do país, um da antiga, outro da nova geração. Sozinhos, sem músicos adicionais, o clarinetista paulista Paulo Moura e o violonista gaúcho Yamandu Costa misturam a tradição brasileira com a dos hermanos vizinhos em El Negro del Blanco.

A idéia do disco é dar uma interpretação brasileira aos ritmos latinos, como o tango, a milonga e a habanera, e vice-versa, dando um toque de latinidade ao choro, ao samba e ao frevo.

“Sempre tive vontade de dedicar um disco à música latina, inserindo elementos da música brasileira”, conta Paulo Moura, no texto de apresentação do disco. “Conhecer Yamandu foi fundamental para isso, pois ele conhece muito bem os temas, além de ser um desafio dialogar com o seu virtuosismo. Fizemos tudo só com violão e clarineta, e o som adquiriu uma potência incrível.”

Disco nasceu a partir de show

Paulo e Yamandu se conheceram em 2001, apresentados por Armandinho (o violonista gaúcho inclusive participa do mais recente disco de Armandinho, Retocando O Choro). Mais tarde, o clarinetista convidou Yamandu para acompanhá-lo no show “Eternamente Baden”, que fez em homenagem a Baden Powell, maior influência – explícita e declarada – do gaúcho. Após alguns ensaios juntos, nos quais Yamandu mostrou seu conhecimento da música latina, a dupla fez um “test-drive” das músicas que escolheram em um show no Mistura Fina, no Rio. Resultado aprovado, estava pronto o CD.

“O disco não tem a pretensão de preencher qualquer lacuna, mas acaba preenchendo. Devemos ficar ligados na riqueza da música de povos tão parecidos com o nosso. Somos próximos nos problemas e na arte, que vem do povo”, diz Yamandu, seguido por Paulo. “A visão que o disco propõe é reunir a influência negra na música do continente latino-americano à vertente ibérica do colonizador. Daí, ‘El Negro del Blanco’ e ‘El Blanco del Negro’.”

Acostumado a levar sua música mundo afora, Paulo Moura se mostra surpreso com as barreiras ainda existentes entre o Brasil e seus vizinhos. “Sempre fiquei admirado com essa distância entre o Brasil e os demais países latino-americanos. Já toquei na Rússia e no Japão, mas raras vezes fui ao Chile ou à Argentina. Espero que esse disco ajude a intensificar esse diálogo”, afirma o clarinetista. Yamandu, é claro, endossa. “Pela minha formação, é absolutamente natural misturar os ritmos fronteiriços com o choro. Temos que acabar com essa história de os brasileiros desconhecerem completamente a música que se faz nos países vizinhos.”


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