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  A felicidade que fez Teresa Cristina mudar

Uma das características do novo disco de Teresa Cristina é a participação maior de Pedro Miranda, pandeirista do Grupo Semente. Agora, no shows, ele canta na frente do palco, junto a Teresa
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Por Marcos Paulo Bin

A Teresa Cristina que se apresentou no Teatro Rival, no Rio, no dia 27 de maio – em temporada que foi até o dia 29, marcando o lançamento de A Vida Me Fez Assim (Deckdisc), seu segundo CD – foi bem diferente daquela moça tímida que mostrou a convidados da gravadora – artistas, jornalistas, empresários e outros – seu álbum de estréia, A Música de Paulinho da Viola, em 2002, no Centro Cultural Carioca (CCC).

Embora nas duas ocasiões estivesse entre amigos e familiares, e tenha dividido o palco com seus mestres da Velha Guarda da Portela, a moça que chegou ao samba através dos discos de Candeia que ouvia do pai era outra. O começo foi um pouco nervoso (“não consigo respirar direito desde a tarde”, disse ela, no Rival, após a segunda música), mas em pouco tempo Teresa Cristina se soltou e mostrou uma desenvoltura digna de uma veterana. Conversou com a platéia, chamou o público para participar e ainda convidou a mãe, dona Hilda, para subir ao palco e soltar o vozeirão.

Os olhos continuam fechados a maior parte do tempo, mas Teresa garante que não é timidez. “É uma questão de gosto. Prefiro me concentrar para cantar”, diz ela, que, na última entrevista que concedeu ao UNIVERSO MUSICAL, afirmou que ainda não se sentia à vontade para cantar. E agora, dois anos depois?

“Tomei gosto pela coisa. Mas canto da minha forma, sei que ainda tenho deficiências. Só que agora consigo me soltar mais”, diz Teresa, ressaltando que no Rival esteve ainda mais à vontade. “A felicidade me fez mudar. Ter como convidados a Velha Guarda da Portela (na estréia), Elton Medeiros e Cristina Buarque (nos dias 28 e 29, respectivamente), pessoas cujo trabalho eu persigo o ano inteiro, foi uma realização.”

Cantora não pretende se separar do Grupo Semente

A diferença entre os dois shows não estava somente nas atitudes de Teresa, mas principalmente no repertório que ela apresentou. Enquanto, no CCC, ela privilegiou as canções de Paulinho da Viola, misturando uma ou outra música própria e de outros compositores, no Rival a cantora mostrou basicamente suas criações. Atitude bastante coerente com seu novo disco, que traz metade do repertório assinado por Teresa.

Algumas canções, como Acalanto e Candeeiro (ambas de Teresa, sem parceiros), já eram conhecidas do público que freqüenta os constantes shows de Teresa Cristina e Grupo Semente na Lapa, no Rio. Outras que não foram feitas por ela também, como a engraçada Um Calo de Estimação, uma pérola de Zé da Zilda e José Thadeu Mangione. Essa música, aliás, mostra uma das principais características do novo disco e do novo show: a maior participação de Pedro Miranda, pandeirista e vocalista do Semente. Antes confinado ao fundo do palco, junto com o restante do grupo, Pedro agora canta, sozinho ou em dupla com Teresa, na frente da platéia.

O show do Rival, inclusive, começou somente com Pedro nos vocais, lembrando o clássico O Samba É Meu Dom, de Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro. Teresa só entrou na segunda música, Viver, de Candeia, compositor que ela considera sua primeira referência no samba. A cantora afirma que não há nenhum problema em dividir as atenções com Pedro, e que não pretende desvincular seu nome ao do grupo. “Esses duetos com o Pedro sempre aconteceram na noite. Eu só achei melhor trazê-lo para a frente, em vez de deixá-lo escondido lá atrás cantando. Quanto ao Semente, não tenho porque me separar deles; nossos nomes já aparecem separados. É um casamento de cinco anos, eles já são minha família. Além disso, não vou cantar a capela. Preciso de um grupo.”

No Rival, antes de anunciar a música Já Era (Palavra), de Mauro Duarte – outra bela releitura que Teresa incluiu em A Vida Me Fez Assim e que traz os vocais de Pedro – a cantora fez elogios rasgados ao pandeirista. “No início eu cantava apenas as músicas que o grande público, que não é tão grande assim, conhecia. O Pedro enriqueceu e deu mais dignidade ao meu repertório”, derreteu-se Teresa, deixando o microfone para o parceiro. Juntos, os dois protagonizaram um dos melhores momentos do show, no pot-pourri Na Água do Rio/A Vida Me Fez Assim, a primeira de Silas de Oliveira e Manoel Ferreira, e a segunda de Teresa e Argemiro.

Teresa praticamente abandonou o repertório de Paulinho da Viola. Do sambista portelense, a cantora mostrou apenas duas músicas, que não estão entre as mais populares dele: Coisas do Mundo, Minha Nega e Coração Imprudente. Mas para outros portelenses Teresa continua dando o mesmo espaço. Como fizera no CCC, ela dividiu o palco do Rival com a Velha Guarda da escola de Madureira, em Gorjear da Passarada, parceria dos bambas Argemiro e Casquinha já gravada por Beth Carvalho. “A partir das minhas idas aos shows da Velha Guarda percebi que, se eu quisesse virar uma cantora, era aquilo que queria fazer. É claro que nós nunca alcançamos nossos ídolos, mas a gente tenta chegar perto”, derramou-se Teresa, humilde.

No bis, o momento mais surpreendente da noite. Mostrando descontração, Teresa Cristina atendeu ao público que, depois de a cantora anunciar a presença da mãe no teatro, exigiu que ela subisse ao palco para interpretar uma música com a filha. “Vem, mãe, é estréia!”, chamou Teresa, que preferiu fazer diferente do que o pedido pela platéia. Ela sentou-se num banquinho, no canto do palco, e deixou a mãe soltar o vozeirão em Carinhoso. O público aplaudiu de pé e dona Hilda, envergonhada e emocionada, chorou.

O clima era perfeito para Teresa terminar o show com Quantas Lágrimas, que, além de ser um clássico do samba, composto por Manacé, está tocando na novela das oito, “Celebridade”. Um grande show, que, apesar de ter um total de 21 músicas, deixou a impressão de ser curto. Mas são esses os inesquecíveis.


Veja mais:


  Entrevista com Teresa Cristina: “o que difere cantar as suas músicas é que aos poucos você vai mostrando a sua identidade”
   Disco:  A Vida Me Fez Assim
     Ficha técnica, faixas e compositores





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