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  “Está na hora de ampliar meu público no Brasil”

Divulgação/Mário Cravo Neto
Maga – Afropopbrasileiro marca o retorno de Margareth Menezes ao mundo do disco após sete anos
“É difícil não fazer axé na Bahia”. Curiosamente, a afirmação é de Margareth Menezes, que apareceu no cenário musical brasileiro em 1987 cantando, com Djalma Oliveira, o samba-reggae Faraó. Mas, enquanto nos anos 90 o samba-reggae ia dando origem à hoje fora de moda axé music, Maga, como é conhecida, ia mudando de estilo, mantendo a percussão baiana mesclada a batidas eletrônicas e música pop. Uma mistura sonora que a fez conquistar os Estados Unidos e a Europa – levada pelo vocalista do Talking Heads, David Byrne, que a conheceu em uma de suas visitas ao Brasil – mas a distanciou do grande público local.
Prova disso é que, entre o novo disco da cantora e compositora baiana, Maga – Afropopbrasileiro (Estrela do Mar/Universal), e o anterior, Gente de Festa, passaram-se sete anos. “Por ter um trabalho diferente do que é normalmente feito na Bahia, ficou difícil encontrar espaço para o meu trabalho”, conta Margareth. “Aqui, se você não faz axé, fica à margem do que as pessoas estão esperando. Temos referências de artistas que seguiram outros caminhos, como Raul Seixas e João Gilberto, mas o axé é um ritmo muito alegre, que faz tanto sucesso no verão que o faz dominar a Bahia, ampliando o mercado da música feita no Carnaval mas sufocando os demais ritmos.”
A tal mistura sonora é a principal característica do novo trabalho de Margareth, que não poderia ter um título que definisse melhor o que tipo de música que ela promove desde sua estréia em disco, em 1988, com um LP auto-intitulado. “Eu faço um afropop, que é o estilo, já presente em meus discos anteriores, de misturar percussão a outras tendências, como música eletrônica”, define Margareth. “Essa característica foi crescendo com o tempo. Em meu terceiro disco, Kindala, já havia mais samplers. No quarto, Luz Dourada, fui mais ousada ainda. Só meu quinto disco, Gente de Festa, foi mais diferente, mais próximo dos ritmos do Carnaval. Na verdade, minha preocupação é com a pesquisa sonora. Sou uma cantora moderna, atual, que não tem pudor de misturar ritmos. Afinal, no Brasil temos ritmos a rodo, e a Bahia é o celeiro disso tudo. Só não posso perder o eixo.”
Um dos grandes, senão o maior, responsável por essa mistura de ritmos de Maga... é Carlinhos Brown, produtor do disco ao lado de Alê Siqueira. Trabalhando com Margareth desde o segundo álbum da cantora, Um Canto pra Subir, de 1989, Brown é autor da música Dandalunda, a faixa de trabalho, e de Nego Doce, em parceria com Margareth, além de servir de inspiração para a baiana compor Pelo Mar Lhe Mando Flor e Preciso. Além disso, foi dele a idéia de utilizar os mais inusitados instrumentos na gravação do CD. “Temos um modo parecido de pensar a música. Brown é muito inventivo e faz música de tudo. Ele sugeriu que usássemos instrumentos diferentes, como folhas de papel pautado e bocas de garrafa. Foi muito engraçado, no estúdio, cada um sacudindo a sua folha de papel...”, conta Margareth, aos risos.

Influência ou influenciada?

Durante os sete anos em que ficou sem gravadora, Margareth Menezes continuou fazendo shows e participando do Carnaval baiano, com seu Bloco dos Mascarados. Depoi
Divulgação/Morgana Fostugato
Em seu novo disco, Maga conta com as participações de Daniela Mercury e Ivete Sangalo, na faixa Cai Dentro
s de Gente de Festa – CD sem muita repercussão lançado pela Warner, após quatro discos pela Polygram/Universal – a cantora tentou voltar ao mercado fonográfico, gravando em 1998 um disco todo autoral, independente. Mas não houve gravadoras interessadas. “Na época acabei me envolvendo com outros projetos, fazendo muitos shows. Não era o momento”, diz Maga, sem esconder a mágoa com a Warner, com quem chegou a negociar um segundo CD que, segundo ela, não foi aceito pela gravadora por “falta de espaço”.
Em novembro de 2001, Margareth retomou o projeto do CD, lançando o selo Estrela do Mar e incluindo duas faixas daquele disco independente, com algumas mudanças: Moderninha, sucesso no último Carnaval baiano, e Desperta. De terceiros, Maga canta as inéditas Mãe de Leite, de Zeca Baleiro, Mamãe Querida, de Humberto do Maracanã, e Lua Candeia, da dupla Lenine e Paulo César Pinheiro. Mas os pontos altos são as regravações: a ótima Do Céu, do Mar, do Campo, de Belchior, e a sacudida Cai Dentro – também de PC, desta vez em parceria com Baden Powell –, que traz as vozes de Daniela Mercury e Ivete Sangalo. “A idéia de gravar com elas surgiu no Perc Pan (festival de percussão de Salvador), há três anos, quando cantamos juntas. Mas a minha admiração pelo trabalho das duas vem de antes. Queríamos gravar uma música animada, pra cima. Além disso, a canção já foi cantada por Elis, que é uma referência de canto para mim. A música acabou virando um afropop, com a participação maravilhosa de Luiz Brasil no violão”, diz Margareth, com uma explicação no mínimo curiosa para a presença das amigas baianas no disco. O motivo é simples: quem escuta Maga... pode perceber nitidamente o quanto Margareth influenciou o início da carreira de Daniela e Ivete, na época que as duas eram os maiores nomes da axé music, gênero hoje praticamente renegado por elas.

Parceria pode ser o caminho

Fazendo o que os estrangeiros se acostumaram a chamar de “world music”, Margareth Menezes conheceu um prestígio no exterior que ainda não conseguiu repetir no Brasil. Segundo ela, o mercado internacional continua aberto à sua música. “É muito gratificante cantar em lugares em que muitas vezes não há um brasileiro sequer”, diz Maga, lembrando uma das muitas histórias acontecidas lá fora. “Certa vez, participei de um festival de jazz na Eslovênia. O samba-reggae causou uma certa estranheza na platéia, que é muito fria. No final do show, desci com a banda e passeei pela platéia. O teatro explodiu, e todos ficaram curiosos para conhecer mais o ritmo. A música brasileira permite essas coisas.”

Mas o objetivo mesmo dela com seu novo CD é esquecer os últimos anos e, finalmente, estourar no Brasil, repetindo definitivamente o feito de seu primeiro disco, que emplacou a música Alegria da Cidade. Um caminho apontada por Margareth é a união de seu selo com a multinacional Universal, de quem ela espera um maior trabalho de divulgação. “Quero ampliar ainda mais a parceria com a Universal e fazer com que o disco venda bem, alcançando o maior número de pessoas possível. Está mais do que na hora de ampliar o meu público no Brasil.”




Veja mais:


   Disco:  Maga – Afropopbrasileiro
     Ficha técnica, faixas e compositores

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