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  “Vou morrer cantando partido-alto”

Irreverente, Tunico Ferreira diz que só aceitou gravar um disco porque não teria que pintar o cabelo de louro nem usar calça apertada e cordão de ouro, referindo-se aos pagodeiros românticos
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Por Leisa Ribeiro

Tunico Ferreira é de Vila Isabel, e foi lá no bairro, em um típico boteco da Zona Norte do Rio, que o UNIVERSO MUSICAL conversou com o compositor, percussionista e agora cantor, que tem o samba na veia. “Sou criado no samba e na macumba, não posso fugir de um batuque”, disse ele, enquanto falava de seus projetos no mundo da música.
Seus dedos já batucaram muitas mesas de bares e o couro dos instrumentos de ritmo e marcação. Tunico também já percorreu palcos por todo Brasil e no exterior, integrante da nobre linhagem do mestre Martinho da Vila. Agora amadurecido, mas sem perder seu jeito moleque, ele embarcou numa nova viagem: cantar. “Eu nunca quis cantar, só queria tocar percussão. Mas cismaram que eu tinha de cantar e pra azar deles eu estou gostando”, discursou.
Confira abaixo a entrevista na íntegra.

Como surgiu a idéia de gravar um CD?

Eu estava produzindo um disco com uma galera boa do samba e tive que gravar uma voz para um teste deles, coisa de rotina e improviso. Aí o Ronaldo Monteiro, que na época trabalhava na Sony, disse que eu tinha que gravar um CD e respondi: não.

E o que fez você mudar de idéia?

Poxa! Tenho um pai que canta. Uma irmã que canta. Pra que eu iria cantar? Ele insistiu e eu disse que só gravaria se deixassem eu gravar partido-alto. Deixaram! Aí eu disse que não iria pintar o cabelo de louro. Disseram: tá bom! Aí eu disse que não iria usar calça apertada e cordão de ouro. Responderam que tudo bem. Aí tive que dizer sim também e como a Seven gostou da proposta, gravamos.

E como foi a escolha do repertório?

Eu escolhi todas as minhas músicas que estão no CD, e a gravadora me mostrou algumas canções de outros compositores.

Algum samba que você compôs se tornou um mega-sucesso?

Ainda não. Meu pai já gravou letra minha, o Swing Simpatia e o Agrião também, mas nada que viesse para as paradas. Mas para mim ser compositor estava bom demais.

Quando você começou a compor?

Comecei a compor sem querer em roda de bar com o Agrião pra tirar onda. Aí meu pai disse pra eu compor de verdade e levar isso a sério, que eu tinha jeito. Então ele gravou um samba meu.

Você se incomoda com o fato de o Martinho servir como referencial para os outros te conhecerem?

Eu tentei fugir, mas não consegui. Tento cantar diferente do meu pai, mas como cresci vendo ele cantar, e às vezes só pra mim, não tem como não pegar o jeito. E outra coisa... está no DNA, né? E acabo caindo na praia dele.

Como você avalia o mercado fonográfico atualmente?

Está horrível! Hoje em dia, poucas pessoas estão vendendo CD; agora só me lembro do Zeca e da Maria Rita. A pirataria é grande demais. Mas pra mim está bom. Gravei um disco quase sem querer.

Como é um show do Tunico Ferreira?

Raramente faço show, mas quando faço fica bacana. Essa semana vou cantar no Rival BR (leia a matéria no próximo link) e o Monarca e a Dona Yvone vão cantar comigo. Toco percussão desde 1993, mas para cantar ainda não tenho experiência de palco e estou aprendendo a lidar com isso, são adaptções constantes. Minha banda é composta por garotos novos, com exceção do Zé Gotinha, e temos muito o que aprender juntos. Por exemplo, ainda não consigo cantar em pé, só sentado. Não sei explicar o que é, mas acho que estar ali na frente é muito difícil.

Você faz algum cover durante o show?

Canto Noel Rosa, Roque Ferreira, coisas do meu pai e do Agrião. Se eu não cantar samba dos outro eu mesmo vou ficar enjoado de mim. Engraçado é quando eu faço um roteiro, me lembro de um samba e cismo que o samba que eu lembrei está no roteiro. Os meninos da banda ficam desesperados comigo, e aí rola um improviso bacana.

Além de percussão você toca outros instrumentos?

Eu toquei violão, mas achei chato e desisti. Sou nascido e criado na macumba e em escola de samba, não podia fugir de um batuque.

Você já pensou em escrever samba-enredo?

Não tenho paciência. É complicado e difícil demais. Até tenho curiosidade, mas ainda não está na hora. Uma vez fui chamado, mas não quis. E tem mais: sou Vila Isabel até debaixo d’água! Só vou compor para a Vila; se você ouvir samba meu em outra escola, me interna que eu estou maluco.

Você desfila todos os anos na Vila?

Não.

O carnaval sofreu muitas mudanças de alguns pra cá. Como você vê isso?

Hoje tem muita injustiça nos desfiles de carnaval. A Vila este ano subiu graças a Deus, mas já foi muito roubada. Agora deixa minha escola no grupo especial que é melhor e se preparassem que ano que vem a gente vai dar trabalho.

Qual a sua participação dentro da escola?

Às vezes eu digo: não vou à quadra hoje. Mas se escuto, da minha casa, o barulho da bateria... não resisto e vou! Ajudo na bateria, na diretoria. Já toquei tamborim e repique. Se tiver que levantar dinheiro eu faço show numa boa.

E como é pra você o momento de entrar no Sambódromo?

Quando a escola entra bem qualquer um fica emocionado. Do contrário, aí ficamos tensos. Não sei o que é pior, estar lá ou assistir em casa. O coração vai a mil!

Você achou justa a premiação deste ano?

Na minha opinião quem merecia ganhar era a Unidos da Tijuca ou a Império Serrano. Acho que a Beija-flor tem raça, mas não merecia ter ganho este ano. Um desfile é composto de vários segmentos, todo mundo começa com 10 pontos e se perde de acordo com o desfile. No conjunto a Tijuca e o Império foram melhores. E escute, a Tijuca é uma escola que está crescendo nos últimos anos e já está dando trabalho. Para o carnaval isso é muito bom.

Mas voltando a falar de Tunico, quais os próximos projetos?

Quero gravar mais. Quero outro CD, e esse já deve sair em novembro, talvez pela Sony. Já estou pesquisando as músicas, mas aviso: vou morrer cantando partido-alto.



Veja mais:


  Encontro de bambas no Rival
   Disco:  Tunico Ferreira
     Ficha técnica, faixas e compositores





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