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  A experiência de um velho iniciante

Reprodução
Cláudio Henrique tocando violão na escola, em 1979. Desde pequeno ele se dedica à música, mas foi durante os anos 80 que começou a pensar em tocar profissionalmente, na banda Compartimento Surpresa

Por Marcos Paulo Bin

O mercado fonográfico é mesmo muito curioso. Enquanto alguns artistas mal começam a carreira e já são descobertos por um mega-empresário, que em pouco tempo os transformam em superstars, outros compõem, cantam e tocam durante anos ou décadas até gravarem seu primeiro disco. Foi assim com o mestre Cartola, que, nascido em 1908, nos anos 30 já tinha músicas gravadas por nomes como Francisco Alves, Silvio Caldas e Carmen Miranda, mas só lançou seu primeiro LP em 1974, auto-intitulado, quase no fim da vida.
A história do carioca Cláudio Henrique é parecida com a do sambista mangueirense, mas com uma diferença importante. Compondo há mais de 20 anos, e só lançando agora seu primeiro CD, também auto-intitulado, Claudjones, como é chamado pelos amigos, nunca teve uma música gravada por um grande nome da MPB. “Eu adoraria, claro, que isso acontecesse. É um dos meus projetos em música: compor para outros artistas”, conta Cláudio, que pretende mostrar outras composições suas, ou o próprio CD, lançado no início de 2004 pela Seven, para um artista renomado. “Acho que um bom caminho para abrir as portas do mercado é ter uma canção gravada por um grande nome da música brasileira, uma cantora ou um cantor”, afirma ele.
Tocando violão desde a adolescência, e tendo estudado em diversos cursos de música no Rio, Cláudio Henrique começou a dar seus primeiros passos como músico profissional na banda Compartimento Surpresa, uma das pioneiras do movimento BRock. Cláudio montou o grupo – que chegou a ter uma música tocada em algumas rádios na época, Dois – com a irmã Rosângela e alguns amigos, entre eles Alex de Souza, o único que seguiu carreira. Mais do que isso, Alex tornou-se renomado no mercado fonográfico, sendo muito requisitado como tecladista e produtor. Ele tocou com Lulu Santos – com quem mantém o estúdio Fubá, no Rio – durante anos e foi produtor do rei do pop nacional nos discos Acústico MTV e Programa.
E foi exatamente Alex de Souza o responsável por acabar com o longo jejum de Cláudio Henrique, que, desde que abandonou o grupo, passou a trabalhar como jornalista e praticamente não tocou mais, embora continuasse compondo. “O jornalismo é uma profissão que exige muito e acabei me tornando um compositor solitário, que escrevia canções e mostrava para um ou outro amigo especial. Até o dia que encontrei um antigo amigo e músico do Compartimento, Alex de Souza, e ele me incentivou a entrar no estúdio que mantinha com Lulu Santos. A idéia era registrar apenas algumas canções. E assim nasceu o meu primeiro disco”, conta Cláudio.
O contato de Alex com Lulu proporcionou que três músicos da banda do cantor participassem do disco: André Rodrigues (baixo), Chocolate (bateria) e Armando Marçal (percussão), que tocam nas faixas Mordaça (os três juntos) e Brinde (apenas Marçal). As músicas foram as primeiras a entrar no CD, ainda em novembro de 2001. “Para interromper minha letargia e também minha timidez, ele (Alex de Souza) usou um artifício perfeito. Marcou dia e hora no estúdio e me mandou aparecer com o meu violão. Quando cheguei lá, tarde da noite, saindo da redação do jornal, encontrei uma banda formada, a postos, para começar o ensaio. Metade dela era de músicos que acompanhavam Lulu Santos. Comecei a tocar Brinde e Mordaça e fomos arranjando as canções ali, na hora. O som engrenou e, na mesma noite, deixamos as duas primeiras baterias gravadas”, lembra-se Cláudio.

Rock dá o tom do disco

Foi naquela mesma noite que o cantor conheceu o pianista e arranjador Fabiano Araújo, que acabou produzindo as demais 11 faixas do CD. A ele se juntaram os irmãos Cassiano e Luciano Nogara (baixo e bateria, respectivamente) e o guitarrista César Bottinha, que formam a banda de base do disco. Fabiano, além de tocar teclado e piano em todas as faixas, é responsável pelas programações eletrônicas, que pontuam o álbum em faixas como Morte no Morro e Olhos de Menina.
Mas Cláudio Henrique é mesmo um disco de MPB com cara de rock. E aquele feito nos anos 80, pelas bandas contemporâneas ao Compartimento Surpresa. O cantor reconhece a sonoridade oitentista, mas diz que ela não foi intencional. “Confesso que foi uma surpresa para mim. Os músicos que participaram da gravação são jovens, com menos de 30 anos. Pode parecer loucura, mas até o disco ficar pronto, não tinha percebido que o som estava com a cara dos anos 80. Existe uma faixa, Mulata Egípcia, que é propositalmente uma homenagem ao rock brasileiro daquela época. Nas demais, temos ritmos eletrônicos, cuíca, solos de berimbau, sanfona e violão flamenco... Mas a verdade é que as pessoas ouvem e acham com cara dos anos 80. E isso não me incomoda nem um pouco.Tenho orgulho de ser, digamos assim, da ‘geração coca-cola’”, diz Cláudio Henrique.
Embora o rock oitentista dê as cartas, como disse o próprio Cláudio Henrique ainda há espaço no disco para outros ritmos, como o samba (Morte no Morro, que fala sobre a violência no Rio de Janeiro), baladas (Olhos de Menina), forró (Forró for All) e o folk, na versão para Just Like A Woman, de Bob Dylan. A música entrou como bônus a pedido da Seven, já que o disco, quando foi lançado de forma independente, trazia apenas 12 faixas. “Bob Dylan foi um dos principais culpados por eu ter me aventurado como compositor, ainda garoto, com 13, 14 anos. Foi lendo a história da vida dele, e percebendo que uma canção poderia ser um meio interessante de contar histórias e propagar idéias, que comecei a arranhar minhas primeiras músicas”, conta ele.
Como bom jornalista, o que mais Cláudio Henrique sabe fazer é contar histórias. Segundo ele, diversas composições suas, que não entram em seu primeiro CD, narram a saga de personagens. Sobre essas composições guardadas, o cantor não garante que elas entrem em seus próximos trabalhos. “Tenho dezenas de canções guardadas; algumas, é claro, muito ruins. Mas o material que tenho em casa já daria para gravar pelo menos uns outros quatro CDs. Não sei se terei chance de mostrar tudo isso, pois continuo compondo coisas novas e, geralmente, compositor gosta da última canção que fez”, afirma Cláudio, com a experiência de um velho principiante.



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  Entrevista com Cláudio Henrique: “procuro fazer na canção mais ou menos como um escritor faz em contos e romances”
   Disco:  Cláudio Henrique
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