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  Incidente com Justin Timberlake e Janet Jackson faz do Grammy 2004 uma cerimônia castrada

Arquivo U.M.
Caetano Veloso concorreu ao Grammy na categoria melhor disco de world music contemporâneo, com Live in Bahia, mas foi derrotado por Voz D’amour, de Cesária Evora
Se as bandas baianas de axé trabalhassem nos Estados Unidos, certamente não teriam vida longa. No dia 1º de fevereiro, a América testemunhou um episódio lamentável, não pelo fato em si, mas sim pela reação dos americanos, que só mostrou a hipocrisia e a falsa moralidade que reina no império de George W. Bush.
No intervalo da final do Super Bowl (campeonato de futebol americano), que era transmitida pela CBS para quase 90 milhões de americanos, o mega-star Justin Timberlake cantava com Janet Jackson quando o novo queridinho da América arrancou um pedaço da blusa da irmã de Michael Jackson, deixando um de seus seios à mostra. A cena – que, eles garantiram, não foi proposital – levou apenas um segundo – um mísero segundo – mas bastou para que os yankees clamassem por decência e as redes de TV do país revissem suas programações.
“Entendo que muita gente ficou ofendida pelo que aconteceu, inclusive a minha própria família. Essa é a parte mais frustrante para mim. É lamentável”, disse Justin, em coletiva durante os ensaios para o Grammy. Janet também se desculpou, enquanto seu porta-voz especulava a possibilidade de a cantora não ir à festa entregar um dos prêmios da noite.
Para se ter uma idéia do furor que essa “indecência” (!!!) causou, a Comissão Federal de Comunicações americana (FCC) abriu uma investigação para saber se o episódio foi proposital ou não. O presidente da FCC, Michael Powell, disse que se sentiu ultrajado. “Como milhões de americanos, minha família e eu nos reunimos diante da televisão para uma celebração, que foi maculada por um número deplorável e sem classe”, exagerou. O mesmo discurso adotou o diretor de cinema Spike Lee, que, durante uma palestra, chamou a apresentação de “decadência da arte”. “O que virá em seguida? Está ficando uma loucura isso, e tudo tem a ver com dinheiro e fama. Todo o sistema de valores foi virado de cabeça para baixo”, afirmou Lee.
Para a transmissão do Grammy, que aconteceria na semana seguinte, a CBS anunciou, naquela semana, que faria um delay de cinco minutos entre a imagem e o som. Com isso, poderia censurar qualquer ato que considerasse “prejudicial” à família americana (já imaginou se eles assistissem a uma apresentação do É O Tchan no “Domingo Legal”?). A ABC e a TNT anunciaram que poderão adotar a mesma medida nas transmissões do Oscar e do NBA All-Star Game, respectivamente.
Chegou o domingo seguinte, dia 8, e a cerimônia de entrega do Grammy, o Oscar da música americana, foi marcada, como não poderia deixar de ser, por muito formalismo. Justin Timberlake, indicado a cinco prêmios (ele só ganhou dois), se desculpou ao receber o troféu de melhor disco pop, por Justified. “Quero pedir desculpas aos que se sentiram ofendidos”, disse um constrangido Justin, que ainda faturou o prêmio de melhor interpretação masculina.
Christina Aguilera, ao receber o prêmio de melhor performance pop feminina, também lembrou o ocorrido, mas preferiu ironizar. “Preciso manter tudo no lugar, para não repetir o que aconteceu com Janet”, disse Aguilera, que usava um grande decote. E o principal: Janet Jackson acabou não aparecendo mesmo. Isso sim foi lamentável.

Brasil não leva nenhum prêmio

Afora o caso Justin/Janet, a 46ª edição do Grammy, realizada no Staples Center, em Los Angeles, não fugiu muito da tradição. A cerimônia foi longa, repleta de encontros, fossem eles musicais ou simplesmente para a entrega de prêmios. Um dos mais interessantes foi o de Steven Tyler e Joe Perry, do grupo Aerosmith, com o bluesman B.B. King, na apresentação do vencedor de melhor disco de rap. “Sou fã deles desde criança”, brincou King, retribuindo os elogios dos veteranos roqueiros.
Sting, Dave Matthews, Vince Gill e Pharrell Williams cantaram I Saw Her Standing There, dos Beatles. O grupo de Liverpool ganhou um prêmio especial porque naquele dia comemoravam-se 40 anos da primeira apresentação de John, Paul, Ringo e George na América, no programa “Ed Sullivan Show”, visto por mais de 70 milhões de americanos. Ringo e Paul gravaram agradecimentos transmitidos pelo telão, enquanto as viúvas de George e Paul, Olivia e Yoko Ono, foram agradecer pessoalmente. Yoko fez um discurso emocionado, dizendo que, se seu marido estivesse vivo, diria palavras como “get back”, “come together” e “give peace a chance”, todas músicas dos Beatles. Sting, considerado a personalidade do ano, ainda voltou ao palco para cantar Roxanne, sucesso de seu ex-grupo, The Police, com o jamaicano Sean Paul.
Outras apresentações de destaque foram a do Earth, Wind and Fire com o Funkadelic, grupo de George Clinton; da dupla Outkast, cantando o hit The Way You Move; Christina Aguilera, conhecida pelo estilo dançante, interpretando a balada Beautiful; Alicia Keys e Celine Dion, que, separadamente, homenagearam Luther Vandross (que se recupera de um derrame) com A House Is Not A Home e Dance with My Father, respectivamente; e o White Stripes, que empolgaram com Seven Nation Army.
Mas quem surpreendeu mesmo foi Beyoncé Knowles, tanto em suas duas performances (uma delas com Prince) quanto nos prêmios recebidos. A cantora provou que fez bem ao tocar o projeto solo paralelamente ao grupo Destiny’s Child. Com seu primeiro disco, Dangerously in Love, Beyoncé levou cinco dos seis troféus que disputou: melhor performance vocal feminina de r&b (Dangerously in Love 2), melhor performance de r&b por dupla ou grupo (The Closer I Get To You, com Luther Vandross), melhor canção de r&b (Crazy in Love, com Jay-Z), melhor álbum contemporâneo de r&b e melhor canção de rap em colaboração (Crazy in Love).
Logo após veio Luther Vandross, com quatro prêmios: canção do ano (Dance with My Father), melhor performance masculina vocal de r&b (Dance with My Father), melhor performance de r&b por dupla ou grupo (The Closer I Get To You, com Beyoncé) e melhor álbum de r&b (Dance with My Father). O Outkast foi o terceiro colocado, com três prêmios, o principal deles de álbum do ano, por Speakerboxxx/The Love Below.
Uma surpresa foi a vitória do grupo britânico Coldplay na categoria disco do ano, por sua canção Clocks, derrotando inclusive Beyoncé e Outkast. Entre os previsíveis, Eminem levou os prêmios de melhor performance masculina solo de rap e melhor canção de rap, por Lose Yourself, enquanto Worship Again, de Michael W. Smith, maior nome da música evangélica mundial, foi escolhido o melhor álbum pop contemporâneo de gospel.
O Brasil ficou a ver navios. Na categoria de melhor disco de world music contemporâneo, Cesária Evora, com Voz D’amour, venceu Caetano Veloso, que concorria com Live in Bahia. North And South, de Luciana Souza, foi derrotado na categoria de disco vocal de jazz para A Little Moonlight, de Diane Reeves, enquanto o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho viu seu Capoeira Angola 2 – Brincando na Roda ser derrotado para Sacred Tibetan Chant, dos Monks Of Sherab Ling Monastery, na categoria melhor disco de world music tradicional.
Mas o maior derrotado mesmo foi o público (fora dos Estados Unidos), que assistiu a uma cerimônia castrada. E olha que dia 29 de fevereiro tem o Oscar. Se algum seio ficar à mostra, não se assuste: o delay fará com que uma tarja preta não escandalize a sociedade. Enquanto isso, no “Domingo Legal”...


Veja mais:


  Confira a relação completa dos vencedores do Grammy 2004


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