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  Samba e saudade no novo disco de Netinho de Paula

Reynaldo Dias
Na coletiva do Rio, Netinho disse não guardar mágoas dos ex-colegas de Negritude Jr., que o expulsaram do grupo, apenas saudades. “Nunca mais nos vimos. Éramos uma família”
Quando saiu – ou melhor, “foi saído” – do Negritude Jr., em 2000, Netinho de Paula decidiu, talvez por mágoa, abandonar o repertório de seu ex-grupo. Lançou dois discos pela EMI, nos quais apostava em repertório inédito essencialmente romântico. Mas, três anos depois do episódio, completando 15 anos de carreira e estreando em nova gravadora, a Indie Records, o cantor natural da Cohab decidiu revisitar seu baú, espantar os fantasmas e lembrar os sambas que tornaram seu nome e o do Negritude famosos em todo o Brasil e no exterior. Surgiu assim Netinho de Paula Ao Vivo, gravado no Consulado da Cerveja, em São Paulo.
“Eu sentia que faltava fechar a tampa”, disse Netinho, em coletiva no Rio, sobre o fato de cantar novamente sucessos do Negritude. “Eu já testava esse repertório no Consulado da Cerveja e achei que valia o registro.”
Além da resistência de retomar o antigo repertório, outro obstáculo que Netinho teve que vencer foi a aversão a discos ao vivo, que o acompanha desde os tempos de Negritude. “Pela primeira vez tive a coragem de fazer um disco ao vivo”, conta o cantor. “Eu sempre achei os discos ao vivo um desrespeito com o público – qualquer grupo fazia, a música não era nem conhecida e todo mundo estava cantando junto. Mas 15 anos têm que ser comemorados de alguma forma. Depois de 10 anos na EMI, e estreando em uma nova gravadora, eu tinha que ser ousado e diferente. E a diferença era fazer um disco ao vivo.”
Os olhos de Netinho ainda brilham quando ele fala dos tempos de Negritude. A mágoa inicial foi transformada em saudade. O que fica visível no novo disco – a todo momento o cantor solta frases como “os bons tempos de pagode” e “para a gente matar a saudade”. “Nunca mais nos vimos. Eles eram a minha família, éramos amigos de infância. Essa história de líder era muito mais uma coisa que vinha de fora. Ainda é difícil olhar para o lado e não vê-los”, diz Netinho, admitindo que, após a saída, pensou que não conseguiria prosseguir na carreira. “O primeiro CD foi para ver que dava para continuar. O segundo foi a acomodação, e este é a afirmação.”
Netinho relembrou os motivos que levaram o grupo a “convidá-lo a se retirar”. Segundo ele, seus antigos parceiros achavam que o cantor não conseguiria conciliar o trabalho na TV, então emergente, com a música. Mesmo acreditando que real motivo tenha sido ciúmes, Netinho afirma que não guarda rancor dos colegas.
“Não posso reclamar, porque depois disso a minha carreira melhorou muito. Quando saí daquela coletiva (na qual o grupo anunciou sua retirada), falei: ‘Deus, se eu fiz alguma coisa errado, me perdoe. Se não fiz, me ajude.’ E a resposta está aí, o público pode ver”, atira o cantor, garantindo que a saída é sem volta. “Se eles me pedissem para fazer alguma coisa juntos, eu faria normalmente. Mas voltar não seria nunca mais a mesma coisa.”

DVD em março

O que não faltam em Netinho de Paula Ao Vivo são sucessos. Do Negritude Jr., ele resgata, entre outras, Cohab City, Absoluta, Que Dure para Sempre, Beijo Geladinho e Tanajura (em pot-pourri com Dá-lhe Que Dá-lhe e Beco sem Saída).
“Essas músicas foram significativas na minha vida. As músicas que deram maior projeção ao Negritude Jr. também foram compostas por mim. Escolhemos aquelas que foram primeiro lugar em execução, e as gravamos no Consulado da Cerveja para 3.000 pessoas. O disco é um presente para os fãs”, conta Netinho, que há oito anos faz shows às segundas-feiras na casa paulistana.
Outro sucesso do disco, este alheio, é Brilho de Cristal, gravada pelo Pixote e escolhida como primeira faixa de trabalho. Há ainda três inéditas: Do Gueto, Quer Casar Comigo e Duas Paixões. A faixa mais curiosa é a releitura na forma de samba do hit Palpite, de Vanessa Rangel, famosa como tema da novela “Por Amor”.
“Ela foi testada no Consulado da Cerveja pelo grupo que me acompanha, o Sorriso de Marphim. Eles sempre pegam músicas das novelas das oito e fazem em ritmo de pagode. Essa foi a que ficou melhor”, diz o cantor.
Em março Netinho grava seu primeiro DVD. E o local escolhido não é o palco de uma grande casa de shows, mas sim sua Carapicuíba natal, onde, aliás, ele ainda mora. Uma humildade que o cantor e apresentador transforma em ação: Netinho mantém sozinho o Instituto Casa da Gente, que hoje atende a 1.200 crianças em situação de risco, mas até o fim do ano que vem pretende contemplar 3.000 crianças.
Outra batalha de Netinho é pela inclusão de mais negros nas programações das TVs. Ele faz a sua parte, apresentando com sucesso o “Domingo da Gente”, na TV Record. Mas Netinho ainda acha pouco. “Eu poderia viver só de música, ganho bem para isso, mas se eu perdesse a chance, como ficaria? Ainda assim, sou o único apresentador negro da Record. Nas outras emissoras não há ninguém. Parece que ser negro é uma doença do negro, e que o preconceito não é um problema da sociedade. ‘Cidade dos Homens’ foi uma conquista. Agora a próxima novela das sete terá uma negra como protagonista. Acho que essa minha passagem pela TV foi muito válida”, diz Netinho. E pela música também.


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