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  Luciana Souza e o ‘híbrido’ que conquistou os Estados Unidos

Reprodução
Luciana Souza considera Norte E Sul o fechamento de uma trilogia, depois do lançamento de The Poems of Elizabeth Bishop e Brazilian Duos. “Norte E Sul é essa coisa híbrida de ser brasileira e viver nos Estados Unidos”, diz a cantora
Maria Rita morou oito ano em Nova York, de 1993 a 2001, e ouviu pouca música brasileira. O que chegava lá era o que ela chama de “MPB para americano ouvir”: Tom Jobim traduzido para o inglês e bossa nova “nem tão nova assim”. Nesse contexto, conta a filha de Elis, o surgimento de Luciana Souza causou um frisson. Isso porque Luciana – paulista que mora em Nova York desde 1999, após morar por duas temporadas nos Estados Unidos e voltar ao Brasil – faz uma mistura toda particular da bossa nova brasileira com o jazz americano.
Algo que ela já mostrava no CD Brazilian Duos, de 2002, no qual relia clássicos da MPB no formato voz-e-violão, de Tom Jobim (As Praias Desertas e Eu Não Existo sem Você, em parceria com Vinícius) a Dorival Caymmi (Saudade da Bahia). Agora Luciana aprofunda os laços entre os dois países em seu mais recente trabalho, Norte E Sul (North And South) (Biscoito Fino).
O disco, lançado em maio nos Estados Unidos – e que chega ao Brasil com a mesma versão – já traz o espírito no nome. Nele, Luciana Souza procura retratar a sua própria vida, dividindo-se entre um repertório parte em português parte em inglês, no qual o instrumento chave é o piano.
Nas músicas brasileiras, mais uma vez ela relê clássicos da bossa nova de forma jazzística. Tom Jobim, o mesmo que chegava até Maria Rita em inglês, novamente é relido em português por Luciana, desta vez em Corcovado e Chega de Saudade, esta última parceria com Vinícius (em uma versões que, acredite, conseguiram se diferenciar das milhões já existentes). A outra música, também representativa do gênero, é Se É Tarde Me Perdoa, da dupla Carlos Lyra & Ronaldo Bôscoli.
Em inglês, Luciana recria três standards da música americana: All of Me, de Seymor Simons e Gerald Marks, gravada por Billie Holiday, When Your Lover Has Gone, de Einar Swan, e Never Let Me Go, de Jay Livingston e Ray Evans, gravadas por Ella Fitzgerald e Shirley Horn, entre outros. Ela ainda apresenta duas composições próprias: I Shall Wait e No Wonder, ambas com levada jazzy.
Norte E Sul é essa coisa híbrida de ser brasileira e viver nos Estados Unidos. Tem clássicos dos dois continentes”, define Luciana, por e-mail, de Nova York. Escrevendo, a todo momento, os adjetivos “brasileiro” e “americano” em iniciais maiúsculas (como fazem os americanos), Luciana mostra na entrevista que já está completamente ambientada aos Estados Unidos.
Confira abaixo a íntegra da entrevista com a cantora.

Você diz que Norte E Sul fecha uma trilogia. Fale, então, sobre os dois CDs anteriores e qual é a ponte entre eles e o atual disco.

The Poems of Elizabeth Bishop saiu em 2000 e foi o disco no qual eu mais me concentrei nas palavras e no texto. Foi um disco concebido e baseado na poesia da poeta americana Elizabeth Bishop, que viveu no Brasil por mais de 15 anos. Brazilian Duos foi o disco no qual eu fiz tributo ao violão e à voz, com canções exclusivamente brasileiras e todo em português. Esse disco saiu ano passado, e foi nomeado para o Grammy de Melhor Vocal de Jazz. Já Norte E Sul é essa coisa híbrida de ser brasileira e viver nos Estados Unidos. Tem clássicos dos dois continentes.

Você diria que essa mistura de jazz e bossa nova representa a “contradição” da sua vida, entre o Brasil e os EUA?

Não representa uma “contradição”, mas sim uma assimilação de estilos e linguagens musicais. Não separo mais as minhas influências, inclusive porque passei metade da vida em cada um desses portos. Hoje em dia há um balanço, um equilíbrio.

A bossa ainda é nova?

Para mim, apesar de datada sonoramente, a estrutura e o esqueleto da bossa nova (harmonia sofisticada, ritmo claro) nunca estarão. Portanto, definitivamente não é velha.

Você compõe muito? É sempre em inglês?

Sim, escrevo muito. Atualmente componho mais em inglês porque vivo nos Estados Unidos e me comunico em inglês. Também gosto muito da língua inglesa.

Fale um pouco sobre os músicos que tocam com você no disco. São eles que te acompanham nos shows?

Sim, quando estão disponíveis são eles. Os pianistas que me acompanham são todos igualmente capazes e distintos em seus estilos. Todos os músicos do disco têm um elemento fundamental em seus talentos: ritmo.

Como são os seus shows? Onde você costuma se apresentar mais?

Me apresento mais nos Estados Unidos. Meus shows costumam ser muito descontraídos e uma coletânea de todo o meu repertório.

Como foi sua chegada à Biscoito Fino? O que achou de encontrar respaldo na gravadora para lançar no Brasil um trabalho sofisticado como o seu, que não encontra lugar fácil entre as multinacionais?

A Biscoito Fino lançou Brazilian Duos e apresentamos para eles o novo trabalho. É um prazer estar em uma gravadora que tem a missão de representar a música brasileira de qualidade.

Você acredita que conseguiria viver com o tipo de música que faz no Brasil? A solução para músicos como você é realmente, como disse Tom Jobim, o Aeroporto do Galeão?

Não sei o que teria acontecido comigo. Vim para os Estados Unidos ambas as vezes para estudar. Na segunda vez, durante o mestrado, recebi oferta de emprego aqui e fui ficando. Não foi uma coisa planejada para sair do Brasil.

Faça um breve histórico de sua carreira – quando e por que começou, quando foi para os EUA, quantos discos lançou etc.

Cresci cantando, numa família de músicos. Meus pais são compositores e tivemos uma infância musicalmente muito rica. Vim bolsista para os Estados Unidos em 1985, e fiz o bacharelado em Composição de Jazz pela Berklee College of Music, de Boston. Retornei ao Brasil e lecionei na Unicamp por quatro anos. Voltei aos Estados Unidos em 92 para o mestrado em Composição de Jazz pela New England Conservatory, também como bolsista. Lecionei na Berklee College por quatro anos e vivo em Nova York desde 1999.

Você sente muita falta do Brasil? Pretende, algum dia, voltar para cá em definitivo?

Sinto saudades de meus amigos e de minha família. Vou ao Brasil em férias e gosto muito de estar aí. Não tenho planos de voltar a viver no Brasil.


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   Disco:  Norte E Sul (North And South)
     Ficha técnica, faixas e compositores
 
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