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  Maria Rita aposta nas regravações em busca da identidade

Na entrevista coletiva no Copacabana Palace, Maria Rita disse que as comparações com a mãe não a incomodam. “Acho normal. Isso acontece comigo desde pequena”, afirmou a cantora
Em tempos de crise, a multinacional Warner Music joga todas as suas fichas em sua nova aposta. Foram dois dias de entrevistas coletivas no portentoso Copacabana Palace (para se ter uma idéia, o Acústico MTV de Roberto Carlos, em 2001, no mesmo local, teve apenas um dia de coletiva), anúncio nos principais jornais e na TV, um especial a ser exibido após o “Fantástico” e um slogan que resume toda a pretensão: “a cantora que todo mundo estava esperando”.
A expectativa é justificável. Afinal, trata-se de ninguém menos que a filha do maior mito da música brasileira, Elis Regina, com o pianista e compositor Cesar Camargo Mariano. E, em sua estréia no mercado fonográfico, Maria Rita não parece querer se livrar da sombra da mãe: tudo em seu CD auto-intitulado lembra Elis, seja no timbre da voz, nos arranjos elaborados ou nos trejeitos que ela demonstra no clipe da primeira faixa de trabalho, A Festa. Comparação inevitável que não a incomoda.
“Acho normal. Isso acontece comigo desde pequena. Meu pai já dizia isso”, diz Maria Rita, no segundo dia de coletiva. “Mas as pessoas tendem a adicionar. Ela foi cantora, um mito, eu sou filha mulher. Lido com isso numa boa. A única coisa que não curto é quando dizem ‘ela vai tomar o lugar da mãe’, ‘é a nova Elis’, pois isso é desrespeitoso.”
A entrevista aconteceu no dia 9 de setembro, data em que Maria Rita completava 26 anos. Idade que pode ser considerada tardia para estrear em disco, ainda mais para quem convive com música desde o ventre. Mas para Maria Rita tudo aconteceu de forma lenta, pensada. Na adolescência, chegou a fazer backing vocal para o irmão Pedro Mariano, na época em início de carreira. Depois se mudou para os Estados Unidos, onde morou por oito anos, até 2001. Lá, se formou em Jornalismo e Estudos Latino-americanos e escutou muito pouca música brasileira.
“Morei em Nova York, e a MPB que chegava lá era aquela para americano ouvir – Tom traduzido, bossa nova nem tão nova assim e pouca coisa mais atual. Quando apareceu Luciana Souza foi um frisson. Para matar a saudade eu ouvia Gil Unplugged”, conta Maria Rita, que afirma estar apenas celebrando o casamento de um namoro que sempre existiu.
“No início tive receio, fiquei esse tempo todo para decidir porque a vontade existia, mas eu não entendia minhas razões. Eu me perguntava se precisava disso pra sobreviver. Mas eu trabalhava na “Capricho” e certa vez li as “Cartas A Um Jovem Poeta” (de Rainer Maria Rilke), e em um trecho um poeta que estava indeciso na profissão dizia que se lhe tirassem o direito de escrever ele não sobreviveria. Substituí o escrever pelo cantar. Foram várias fichas que foram caindo”, garante.


Hermana Maria

Decidida a seguir na profissão, Maria Rita, antes de assinar com a Warner, optou, segundo suas próprias palavras, por entrar pela porta dos fundos. Fez apresentações em pequenas casas, para platéias reduzidas, muitas vezes dividindo o palco. Chegou a pensar em optar pela gravadora tupiniquim Trama, mas o fato de ela pertencer ao irmão João Marcelo Bôscoli acabou atrapalhando as negociações.
“Se optasse pela Trama, corria o risco de bater de frente com minha própria trajetória, com minhas escolhas. Diriam que assinei porque sou irmã do dono. Não seria bom nem pra mim nem pra ele”, explica Maria Rita. “Na Warner senti que teria autonomia. Foi uma questão de empatia. Sabia que se escolhesse a porta da frente seria apedrejada. Seria o lugar-comum.”
A primeira grande aparição de Maria Rita foi cantando com Milton Nascimento em um show do cantor no Credicard Hall, em São Paulo. Pouco tempo depois, gravaria com ele no disco Pietá, aparecendo também em alguns de seus shows, como o do Canecão, no Rio.
E o padrinho musical de Maria Rita, muito gravado por sua mãe, não poderia deixar de marcar presença no disco. Milton assina a primeira faixa de trabalho, A Festa, versão dele para o clássico La Bamba, e empresta uma de suas composições mais famosas, Encontros E Despedidas, parceria com Fernando Brant. Segundo ela, o cantor aprovou as gravações.
“Ele gostou muito, mas só quis ouvir as faixas que gravei dele. Não quis ouvir o resto. Lembro-me dele entrando no estúdio e dizendo, com seu jeito tímido: ‘você cante do que jeito que gosta de cantar’”, diverte-se Maria Rita, que também gravou duas músicas de Rita Lee: Agora Só Falta Você, em uma linda versão, e Pagu, parceria dela com Zélia Duncan.
Mas, surpreendentemente, não é Milton Nascimento o principal compositor de Maria Rita. Como a mãe fez em toda a carreira, a filha não temeu deixar medalhões de lado (segundo Maria Rita, ela recebeu centenas ou até milhares de canções, inclusive de compositores gravados por Elis) para apostar em um nome relativamente novo na música brasileira: Marcelo Camelo, cantor, guitarrista e compositor do grupo de pop-rock Los Hermanos.
Camelo comparece com três canções: Veja Bem Meu Bem, do segundo disco de seu grupo, Bloco do Eu Sozinho, e duas inéditas: Santa Chuva e Cara Valente. Mas, de acordo com Maria Rita, era para ser muito mais.“Foram quase sete músicas dele. Seria um Maria Rita Canta Marcelo Camelo!”, brinca a cantora, que ganhou um exemplar de Bloco do Eu Sozinho do produtor de seu disco, Tom Capone. “Ouvi e fiquei fascinada. Perguntei se aquilo era o pop-rock brasileiro. Foi paixão à primeira vista. Marcelo Camelo é um compositor como poucos, que faz música e letra caminharem juntas. As histórias são pensadas, têm começo, meio e fim. E a história na música é importante. Sem história, não há identificação, e aí não há emoção.”
O grande número de regravações no disco não a preocupa. “Meu pai me disse para eu não ter medo das regravações. Sou cantora, não compositora, e as pessoas precisam ter um parâmetro. Procurei imprimir a minha personalidade nas regravações, para as pessoas entenderem quem eu sou”, diz a cantora.
E por falar em regravação, ela não descarta registrar alguma canção que ficou conhecida na voz da mãe. “Depende de muita coisa. Por enquanto mantenho um distanciamento respeitoso com a obra dela, que é definitiva. Só faria alguma coisa se pudesse acrescentar”, afirma.
Um distanciamento que, a princípio, se restringe ao repertório. Mas, se Maria Rita seguir trilhando caminho parecido com o da mãe, no mínimo estará surgindo uma das maiores cantoras brasileiras da atualidade. Não era o que todos estavam esperando?



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