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  Arlindo Cruz e Sombrinha dão aula de como fugir da mesmice com qualidade

Divulgação
Hoje Tem Samba é um dos melhores, senão o melhor, CD de Arlindo Cruz & Sombrinha
O que há em comum entre Alcione, Leci Brandão e Jorge Aragão, além do fato de serem sambistas? Os três artistas, contratados da gravadora Indie Records, lançaram recentemente discos ao vivo. Como fugir, então, da mesmice que parece tomar conta do mercado fonográfico brasileiro, combalido com pirataria, MP3, crise econômica etc.? Gravar discos com repertório inédito e de qualidade parece uma boa saída. Pois essas são as armas utilizadas por Arlindo Cruz & Sombrinha em seu quinto CD, o excelente Hoje Tem Samba, também da Indie.
Até mesmo quando usa um dos corriqueiros recursos das gravadoras para alavancar as vendas em tempos de crise, as participações especiais, a dupla tira nota 10. Três das 15 faixas de Hoje Tem Samba contam com convidados de peso, escolhidos de acordo com os temas abordados: Beth Carvalho, em Consciência, que faz uma citação a Nelson Cavaquinho, compositor recentemente reverenciado pela sambista; Jamelão, em Dona Neuma “A Rosa”, que homenageia a falecida dama mangueirense; e as Velhas Guardas da Portela e do Império Serrano, em Samba de Madureira, bairro carioca que abriga as duas escolas de samba. “Escolhemos os convidados que tinham mais a ver com a música, com o disco e com a gente”, explica Sombrinha, em entrevista coletiva num hotel da Zona Sul do Rio de Janeiro.
Hoje Tem Samba é um daqueles poucos discos que podem ser ouvidos do início ao fim, sem pular faixas. O CD é predominantemente romântico, trazendo belos sambas como Dona da Minha Alegria, Fingida e Grande Circo da Dor. Sobre o amor descrito nas letras do disco, Arlindo Cruz e Sombrinha enfatizam tratar-se de um romantismo completamente diferente daquele cantado pelos grupos de pagode atuais. “Não fazemos pagode romântico, e sim sambas dolentes, que nós, Jorge Aragão, Luiz Carlos da Vila e muitos outros aprendemos de 1980 para cá”, diz Sombrinha. “A música que tem uma levada que lembra um pouco esse romantismo é O Grande Circo da Dor, que tem um refrão no final, mas a melodia é bem elaborada, e a letra, muito interessante, comparando a traição do amor a um espetáculo circense”, alfineta Arlindo Cruz.
Já o partido-alto rola solto na bem-humorada CPI, um dos pontos altos do disco, Pode Se Enfeitar e Hoje Tem Samba, escolhida pela Indie como a primeira faixa de trabalho. A música tem uma história curiosa: com as 13 faixas já selecionadas para o CD, produzidas pelo maestro Ivan Paulo, a gravadora decidiu incluir mais duas canções, que fossem mais agitadas. Para produzi-las, Arlindo Cruz e Sombrinha convidaram Milton Manhães e Cosminho, e gravaram Fases do Amor – registrada originalmente por eles no LP Nos Pagodes da Vida, de 1983, quando ainda integravam o grupo Fundo de Quintal – e Hoje Tem Samba, que tocou bem nas rádios de todo o país. “A gravadora deu alguns pitacos, mas acabou acertando”, brinca Sombrinha.

Vendas não condizem com a qualidade da dupla

Muito elogiado pela crítica, Hoje Tem Samba traz dois desafios para Arlindo Cruz e Sombrinha. O primeiro é firmarem-se como cantores, já que a dupla é mais conhecida por compor sucessos como O Show Tem Que Continuar (em parceria com Luiz Carlos da Vila), Só pra Contrariar (com Almir Guineto) e Não Fique a Se Torturar (com Dona Yvone Lara). O segundo desafio está exatamente no fato de que essas e outras centenas de pérolas do samba, como as próprias 15 faixas do novo disco, não conseguiram trazer aos autores o mesmo sucesso de muitos dos intérpretes dessas canções. Arlindo Cruz e Sombrinha trazem explicações variadas para esse fenômeno.
“Muitas vezes você dá uma música para um artista e ele não grava do jeito que deveria ter que gravado. As músicas acabam tomando outra cara, e ficam até mais fáceis de virar sucesso, pois ninguém tem a receita”, diz Sombrinha. “Acho que nós temos um respeito muito grande pela nossa imagem. Fazemos músicas comerciais, que já foram várias vezes gravadas, mas procuramos gravar discos que tenham a nossa personalidade, nossa cara, nosso estilo de se apresentar nos shows. Preferimos, por exemplo, fazer shows em teatro do que em casa noturna”, complementa Arlindo.
Pregadores do “samba enquanto arte”, Arlindo Cruz e Sombrinha têm em mãos uma obra-prima. Agora é esperar que a Indie Records dedique aos dois a mesma atenção dada a Jorge Aragão e, mais recentemente, a Alcione, para que o talento deles seja recompensado também nas lojas. Porque hoje tem samba, e dos bons.


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