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  Fé é fé, trabalho é trabalho

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Mesmo convertido, Bezerra da Silva acaba de lançar um disco com seus principais sambas, quase sempre polêmicos. Mas a idéia de gravar um CD gospel persiste. “Ainda vou gravar para Jesus”, diz o cantor
Bezerra da Silva freqüenta há dois anos a Igreja Universal. Mas engana-se quem pensa que o velho sambista largou aquela típica malandragem carioca e virou carola. Muito pelo contrário. Em seu novo disco, Meu Bom Juiz (Cid), Bezerra regrava ao vivo alguns de seus maiores sucessos, tocando novamente em temas que sempre tratou de forma bem-humorada e muito polêmica, como drogas, tráfico, polícia, religião e sexualidade.
Só os assuntos maconha e tráfico de drogas ocupam uma grande parte do disco, em músicas como Meu Bom Juiz (“Ah, meu bom juiz, não bata o martelo nem dê a sentença / (...) Esse homem não é tão ruim quanto o senhor pensa / Vou provar que lá no morro ele é rei, coroado pela gente”), Garrafada do Norte (“Tem gente que diz toda prosa / Esta planta é maneira e medicinal / Só o chá da raiz faz milagre / E quem beber fica livre do mal / Ela alegra, ela inspira, ela acalma, e deixa a moçada de cuca legal”), Produto Importado (“Eu vendo pra elite, classe média, alta, baixa e também pra favela / Muita gente aí não gosta, mas vou fazer o quê / Quando eu não tenho a massa reclama / Por isso eu não posso parar de vender”) e A Fumaça Já Subiu pra Cuca (“Já era amizade, quem apertou, queimou, já está feito / Se não tiver a prova do flagrante / Nos autos fica sem efeito”).
Músicas que já fizeram Bezerra da Silva ser chamado de criador de caso, cantor de bandido e outras coisas piores. Mas o sambista mais uma vez surpreende e revela que seu universo é bem distante daquilo a que ele parece fazer apologia. “Não fumo maconha, não cheiro cocaína, não bebo cachaça, não vou a pagode nem a futebol e tenho alergia a cigarro. Sou mangueirense mas não vou à Mangueira. Quando a maré está legal, o máximo que faço é dar um passeio com a patroa.”
Ora, resta, então, a pergunta que não quer calar: por que, então, falar tanto nesses assuntos, ainda mais agora, que se converteu? “Esse é o meu trabalho”, resume Bezerra, alheio, como sempre, às polêmicas. “Se você tem uma crença, ela é para te ajudar. Trabalho é trabalho. Por que só na igreja evangélica perguntam ‘como vai ser agora?’ Isso não acontece quando o cara vira católico ou espírita”, diz ele, irritado.


Polêmica também na fé

Bezerra se mostra feliz com a nova vida, e espera em breve poder cantar um pouco do que aprende nos cultos. “Freqüento a igreja de domingo a quinta, e se pudesse iria todo dia. Lidar com Jesus é melhor que lidar com os homens. Ainda vou gravar para Ele”, afirma o sambista, que já tem repertório evangélico pronto para gravar. Ele espera apenas uma proposta de uma gravadora, já que a Line Records, selo da Igreja Universal, se recusou a aceitá-lo. “Disseram que eu não faço o perfil da gravadora. Mas eu vou gravar em outro lugar”, diz ele, convicto.
Mas nem na hora de demonstrar sua fé Bezerra escapa da polêmica. O tal repertório que ele diz ter pronto não é composto exatamente por autores da música gospel, como Kleber Lucas, Lenilton, Beno Cesar & Solange de Cesar ou Cassiane & Jairinho. Quem são, então? “São os mesmos compositores que fazem os meus sambas. Posso até usar as minhas músicas, é só mudar a letra. Os compositores têm que ser criativos”, minimiza o sambista, “crente” que dessa forma será aceito pelos evangélicos.
Sem deixar a bola cair, Bezerra critica os artistas que disseram ter se convertido para tentar, no mercado gospel, o sucesso que não conseguiram na música secular. “Muitos colegas se converteram não para seguir Jesus, mas para vender discos, porque é mais fácil; o cara da igreja compra mesmo. Mas eu não fui para o evangelho para vender, Jesus sabe disso. Nunca precisei disso para vender”, diz Bezerra, que sempre foi um bom vendedor de discos mesmo com pouca execução em rádio.
Ainda no estilo “fé é fé, trabalho é trabalho”, Bezerra da Silva diz não se arrepender de ter gravado músicas como Ressuscita Ele (“Ressuscita ele, meu Deus, manda esse cara pra cá / É que esse safado me deve uma grana / E morreu de bobeira pra não me pagar”), em que poderia ser acusado de usar o nome de Deus em vão. “Não me arrependo de nada. Não fiz nada demais, é só uma música. Crítica recebo a toda hora. As pessoas não sabem o que estão dizendo, não entendem a mensagem”, argumenta ele. Se alguém entendeu, e-mails para a redação.



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  Samba para todos os fregueses
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   Disco:  Meu Bom Juiz
     Ficha técnica, faixas e compositores

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