Busca

O UNIVERSO MUSICAL
Quem Somos
Expediente
Cadastro
Publicidade
Fale Conosco
LINKS EXTERNOS
Blog
Universo Produções
Site Marcos Bin
Orkut
MySpace
Enquete
Você é a favor do ensino obrigatório de música nas escolas, como defendem alguns artistas? Acesse nosso blog e dê sua opinião!
  Melancolia e ira em CD e DVD

Reprodução
Bare é o terceiro CD da carreira solo de Annie Lennox. No disco, a ex-vocalista do Eurythmics despeja toda a sua tristeza pela separação do marido, Uri Fruchtmann
A tecnologia uniu artistas tão distintos quanto Annie Lennox e Metallica. Já que o DVD é o formato da moda (e do dinheiro) na indústria fonográfica, a ex-vocalista do grupo pop Eurythmics e a banda veterana de thrash metal resolveram lançar seus novos CDs – pelo menos as primeiras tiragens – junto com um disquinho audiovisual. Uma boa idéia, já que o formato DVD, além de caro, ainda não está ao alcance da maioria, principalmente nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.
Em seu DVD, Annie Lennox mostra os ensaios de duas das 11 faixas de seu terceiro CD solo, Bare (BMG) – as ótimas A Thousand Beautiful Things e Wonderful, além de uma entrevista na qual fala sobre o disco, a carreira e o cenário musical mundial. Já o Mettalica, no DVD de St. Anger (Universal) – seu primeiro disco em quatro anos, após o ao vivo S&M, no qual toca com a Orquestra Sinfônica de São Francisco – apresenta todas as 11 faixas do disco, gravadas durante um ensaio.
Além da presença do DVD e do mesmo número de faixas, os álbuns guardam como semelhança os sentimentos negativos: Bare (algo como “descoberto”) faz jus ao nome, ao mostrar uma Annie Lennox deprimida pela separação do marido, o produtor de cinema Uri Fruchtmann, com quem era casada há mais de dez anos. O resultado é um disco autoral (ela compôs sozinha todas as músicas), introspectivo e majoritariamente melancólico, com faixas como The Hurting Time (“a hora da dor”), Bitter Pill (“pílula amarga”), Loneliness (“solidão”) e The Saddest Song I’ve Got (“a canção mais triste que tenho”).
Lennox confessa o espírito que permeia o CD em um texto na contracapa do disco, no qual diz: “Este álbum contém canções que são profundamente pessoais e emocionais. De certa forma eu me expus através do trabalho de rever aspectos de um mundo interno que é frágil..., quebrado pela experiência, mas não totalmente destruído. Não sou uma jovem artista na juventude dos seus 20 anos. Sou uma mulher madura, encarando as expectativas frustradas da vida.”
Mas, como a cantora diz na entrevista do DVD, Bare não é todo autobiográfico. Letras depressivas, com declarações diretas ao ex-marido, e melodias tristes prevalecem, como testificam A Thousand Beautiful Things (“Lá vou eu de novo / Cantando na sua janela / Recolhendo os pedaços do que restou para encontrar”), The Hurting Times (“Quanto mais você amou e perdeu e tentou / E ainda não conseguiria se satisfazer / Quando você estará satisfeito? / Não até a hora da dor começar”) e Honestly (“Todas as coisas que você disse evaporaram / Eu estava cega, surda ou muda / para as palavras que escorregavam de sua língua?”).
No entanto, há espaço também para faixas mais pop, como Pavement Cracks e Bitter Pill, e outras com influência do soul – ritmo que aparecia freqüentemente por entre as batidas eletrônicas do Eurythmics – como Wonderful, embora as letras traiam qualquer tentativa de Lennox soar mais “alegrinha”. Bons exemplos são Pavement Cracks, em que a cantora diz: “Estou indo a lugar algum / E estou dez passos atrás / Todos os meus sonhos falharam”, ou então a última faixa, uma oração intitulada Oh God (Prayer), na qual ela destila todo seu amargar nos versos “Mas se você me ouvir / Se você puder me ver / Eu sei que não posso ser tão forte / Porque tudo que eu sempre fiz deu errado / Tudo que sempre fiz deu errado”.
Pelo menos uma notícia boa vem com o CD: Anne Lennox, que em 13 anos de carreira solo lançou apenas três discos (Bare veio oito anos após Medusa, que foi lançado três anos depois do álbum de estréia, Diva, de 92) fará sua primeira grande turnê mundial. Com isso ela prova não estar superando não apenas o trauma da separação, mas também a tristeza da tentativa frustrada de voltar com o Eurythmics em 1999, quando lançou, com o parceiro Dave Stewart, o bom CD Peace.


Terapia contra as diferenças

O sentimento do Mettalica em seu mais recente trabalho já está explícito no título do disco e da primeira faixa de trabalho (“santa raiva”), em que o vocalista e guitarrista James Hetfield diz, em meio a alguns palavrões: “Sinto meu mundo balançar / Como um terremoto / É difícil ver claramente / Será que sou eu? Será medo? Estou loucamente com raiva de você”.
Talvez o Metallica tenha mesmo motivo para isso. Antes de gravar St. Anger, o grupo contratou um terapeuta para ajudar seus integrantes a lidar com suas diferenças. Diferenças essas que levaram à saída do baixista Jason Newsted, em 2001, e quase determinaram o fim da banda. Newsted – que entrou no lugar de Cliff Burton, morto em um acidente com o ônibus da banda, em uma turnê pela Europa, em 86 – foi substituído por Robert Trujillo, ex-baixista do Suicidal Tendencies. Sua entrada confirma o que pode ser verificado na sonoridade de St. Anger: a aproximação do Metallica – que é formado ainda por Kirk Hemmett (guitarra) e Lars Ulrich (bateria) – com o heavy metal atual, ou new metal, com a inclusão de alguns trechos de rap.
Mas o que prevalece mesmo no CD é um rock realmente “raivoso” – não há baladas ou pelo menos algo próximo a isso, como aconteceu no clássico Metallica, de 91, de onde saíram os hits The Unforgiven e Nothing Else Matters. O número de faixas relativamente baixo engana: todas as músicas são grandes, totalizando mais de 1 hora e 15 minutos de disco, e muito pesadas. All Within My Hands, Invisible Kid e Some Kind of Monster são as maiores, com 8min49s, 8min30s e 8min25s, respectivamente. Mas a melhor faixa é St. Anger, que remete ao rock industrial da década de 80.
Assim como Reload, de 97, St. Anger estreou em primeiro lugar na parada americana. Além do DVD, quem comprar o álbum também tem acesso a uma seção especial, acessível a partir do CD, onde pode-se assistir ao clipe de St. Anger, gravado na prisão americana de San Quentin, e ser levado, através de links, a três sites: à página oficial do Metallica, ao preview do videogame da banda (que será lançado em 2005) e ao Mettalica Vault, um espaço onde os fãs têm acesso a presentinhos exclusivos e a arquivos MP3 com músicas on-line e apresentações da banda, com possibilidade de download, a partir de um número que vem com o disco.
O sistema é similar ao que a gravadora Universal utilizou no álbum Bounce, de Bon Jovi, como forma de combater a pirataria. O próprio Metallica adotou outras formas de escapar das cópias ilegais, que já estavam acontecendo via web antes mesmo de St. Anger chegar às lojas, lançando o disco cinco dias antes do previsto. De qualquer forma, é estranho ver que o quarteto está liberando músicas pela internet, já que ele foi um dos que se manifestaram abertamente contra o Napster. O Metallica, até hoje, nunca havia concedido licença a nenhum dos serviços de música on-line, nem disponibilizado canções suas pela internet. Como aconteceu com Annie Lennox, o momento difícil parece ter servido para rever conceitos e mudar positivamente os rumos da banda.



Veja mais:


   Disco:  Bare e St. Anger
     Ficha técnica, faixas e compositores
 
Graça Music anuncia novidades à imprensa

Grupo Toque no Altar nos Estados Unidos

Metade do Pink Floyd em disco ao vivo de David Gilmour

Oasis mantém o (bom) padrão com Dig Out Your Soul
 
Confira outras matérias
desta seção
 

 

       

 
 
Copyright 2002-2008 | Universo Musical.
É proibida a reprodução deste conteúdo sem autorização escrita ou citação da fonte.
 
Efrata Music Editora Marcos Goes Marcelo Nascimento Dupla Os Levitas Universo Produções