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  Axé, samba, pagode e MPB na estréia solo de Carla Cristina

Reprodução
Depois de participar do projeto Um Barzinho, Um Violão, no qual interpretou o clássico O Bêbado E A Equilibrista, Carla Cristina continua flertando com a MPB, ao gravar uma música de Jorge Vercilo, Contraste
No final dos anos 90, quando a axé music começava a ver desmoronar o império que construíra durante a década, surgiu na Bahia (onde mais?...) um grupo formado apenas por mulheres, que, embora não fizesse um som tão diferente de conterrâneos e contemporâneos como É O Tchan, Banda Eva e Banda Cheiro de Amor, se destacava pela alegria e pela beleza de suas integrantes. Era o grupo As Meninas, comandado pela talentosa Carla Cristina, que, apesar de ter começado em 96, estourou em 1999 com o megahit Xibom Bombom, faixa do disco de mesmo nome, que também emplacou a música Samba da Nega Maluca.
Invertendo o ditado popular, depois da bonança veio a tempestade. O grupo lançou ainda mais dois discos – Tapa Aqui, Descobre Ali e Loucas por Você – mas sem a mesma repercussão, embora o primeiro ainda tenha tocado nas rádios a faixa-título. A maré baixa dos grupos de axé, que fez a musa Ivete Sangalo largar a Banda Eva e Daniela Mercury flertar com a MPB e a música eletrônica, também ajudou, e em 2002 As Meninas não mostravam mais o mesmo fôlego.
O final da história, há algum tempo, já parecia óbvio. E ficou mais ainda quando Carla Cristina participou, ano passado, do projeto Um Barzinho, Um Violão, de sua gravadora, a Universal, cantando dois clássicos da MPB: O Bêbado E A Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc, famosa com Elis Regina) e Charme do Mundo (Marina Lima e Antonio Cícero).
Em março daquele ano Carla Cristina comunicou às companheiras que estava abandonando o barco. Enquanto cumpria os compromissos contratuais, que duravam até outubro, a cantora dividia seu tempo ensaiando com sua nova banda e preparando-se para gravar seu primeiro CD solo, que saiu no início de 2003. Brasileira mostra a cantora investindo mais pesado no lado pop que já demonstrava em seu antigo grupo, mas sem abandonar o estilo que a consagrou. Provas disso são faixas como Brasileira (Anderson Cunha), Bambaré (Alain Tavares e Gilson Babilônia) e Balaio de Gato (Wostinho Nascimento, Adson Tapajós, Sérgio Rocha e Jean Carvalho), que lembram muito o que Carla fazia nas Meninas. Mas ela faz questão de dizer que as semelhanças não vão muito além. “Fui cantora do grupo, conheço o trabalho e posso garantir que são propostas totalmente diferentes”, assegura.
Carla dá provas disso em alguns momentos do disco, principalmente em dois sambas que decidiu gravar: A Saudade É Minha Companheira, dos bambas Arlindo Cruz, Maurição e Franco, e Amor E Festança, de Adalto Magalha e Toninho Gerais. Para produzir as faixas, ela chamou um dos maiores especialistas no assunto: o maestro Rildo Hora. “Sempre quis gravar samba, pois já cantava esse ritmo na noite. E ter a participação do Rildo foi um grande presente, pois ele é um mestre na arte de fazer samba. O samba e o axé são ritmos que andam muito próximos; é só escutar o samba-reggae, o samba do nosso Recôncavo, e um pouco dos sambas produzidos por Rildo”, diz a cantora.

E por falar em samba, Carla aproveitou a onda para surfar numa outra vertente do gênero, mais próxima de sua praia: o pagode romântico. A primeira faixa de trabalho de Brasileira é Grades do Coração (Mauro Jr., Xande de Pilares e João Carlo), que fez sucesso muito recentemente com o grupo Revelação e ainda é bastante ouvida nas rádios. Carla não acredita que sua versão tenha ficado parecida com a dos pagodeiros cariocas. “De forma alguma, até porque procuramos fazer um arranjo mais baiano. A música ficou um samba-reggae; acrescentamos cordas, o que a deixou mais suave, mais doce”, diz ela. Perguntada se não é estranho ter a possibilidade de ouvir a canção em sua voz e na do Revelação em uma mesma emissora, a cantora desconversa. “Você achou estranho Caetano Veloso ter regravado Sozinho, uma música que até hoje toca muito na voz da Sandra de Sá? Eu não, pelo contrário, adorei as duas versões”, afirma.


Só o começo


A “camaleoa”, como se intitula na faixa Brasileira, que abre o disco, mostra mais uma de suas facetas na música Contraste, de Jorge Vercilo: a MPB. A bela canção foi uma das cinco que o autor de Que Nem Maré enviou à cantora. Quando ela ouviu Contraste na voz e no violão de Vercilo, foi amor à primeira vista. “O conheci através de Alexandre Lins, produtor de 11 faixas do disco. Ele conhece o Jorge e, sabendo que sempre o admirei, nos apresentou. Acho o Jorge fantástico como cantor, compositor e pessoa, um talento indiscutível”, derrete-se Carla.
Essa face, no entanto, a cantora já havia mostrado nos dois CDs da série Um Barzinho, Um Violão. Carla conta que foi uma experiência emocionante participar do projeto. “Dividir um cd com vários ídolos é uma sensação indescritível. Para mim foi mais uma conquista, mais uma vitória, e gravar O Bêbado E A Equilibrista foi a realização de mais um sonho. Afinal, cantei na noite e já passeei por obras de João Bosco, Elis e outros”, conta ela, que com 12 anos já se apresentava em bares de Salvador e aos 15 cantava em trio elétrico.

Da mesma forma que começa o CD, definindo-se, Carla o termina. A última faixa, Alegria da Cidade (Jorge Portugal e Lazzo), é uma síntese dessa nova fase da cantora, distante dos rótulos: “No coração da América / Eu sou o jazz, sou o rock ‘n’ roll / Eu sou parte de você / Mesmo que você me negue / Na beleza do afoxé / Ou no balanço do reggae / Eu sou o sol da Jamaica / Sou a cor da Bahia”, diz a letra, que soa mais com um recado. Como diz o título de uma outra música do disco, este é só o começo.



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