Busca

O UNIVERSO MUSICAL
Quem Somos
Expediente
Cadastro
Publicidade
Fale Conosco
LINKS EXTERNOS
Blog
Universo Produções
Site Marcos Bin
Orkut
MySpace
Enquete
Você é a favor do ensino obrigatório de música nas escolas, como defendem alguns artistas? Acesse nosso blog e dê sua opinião!
  Bach e Pixinguinha relidos pelos ‘engenheiros da música’

Divulgação
Mário Sève (sentado) e Marcelo Fogerlande fizeram uma verdadeira “engenharia musical” no primeiro CD da dupla, onde conseguem de forma brilhante unir universos tão distintos quanto a música de Bach e a de Pixinguinha
O curso de Engenharia Musical não existe, mas já tem dois professores. São Marcelo Fagerlande e Mário Sève, especialistas em música erudita e choro, respectivamente. A dupla fez um show no auditório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), no Rio de Janeiro, no dia 6 de maio, apresentando músicas de seu primeiro CD, Bach & Pixinguinha (Núcleo Contemporâneo). No disco, eles fazem um tributo aos dois mestres da música mundial, relendo seus repertórios de forma instrumental, através do cravo de Marcelo e da flauta e do sax de Mário.
Unir em um mesmo disco universos aparentemente tão distintos como a música clássica e o choro não foi uma tarefa difícil para eles.
“Fizemos uma engenharia musical, ao ousar fazer uma ponte entre Bach e Pixinguinha. Parece uma idéia louca, mas há muitos pontos comuns entre eles, apesar da distância temporal. Ambos utilizavam muito o contraponto, que é uma melodia secundária em paralelo à principal. Além disso, nós tocamos os instrumentos prediletos deles, o cravo de Bach e o sax e a flauta de Pixinguinha”, disse Marcelo, no show, para um público formado principalmente por engenheiros elétricos.
“Em determinadas áreas da música as barreiras são muito leves. A música instrumental tem muitas afinidades com a música erudita”, garante Mário.
Os dois também não tinham, aparentemente, muitas afinidades quando decidiram trabalhar em dupla, em 97. Marcelo Fagerlande é graduado em cravo e mestre em musicologia. Atua mais como solista, e conta no currículo com quatro CDs e concertos realizados por todo o Brasil, Estados Unidos e Europa. Já Mário Sève, apesar de estar preparando um CD com suas composições, é mais conhecido como integrante dos grupos Nó em Pingo e Aquarela Carioca, além de tocar na banda de Paulinho da Viola. Pelos dois grupos já gravou sete álbuns, entre eles o elogiado Batuque, em que Ney Matogrosso, acompanhado do Nó em Pingo D’água, relê sambas e modinhas do início do século passado.
Mário e Marcelo se conheciam socialmente e sempre que se encontravam combinavam de gravar algo juntos. A idéia saiu do papel em 98, quando gravaram o CD Bach & Pixinguinha na capela do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, na Urca, Zona Sul do Rio. Um disco, aliás, belíssimo. Entre as 17 faixas, clássicos de Pixinguinha como Rosa (música que compôs com Otávio de Souza e fez sucesso recentemente na voz de Marisa Monte), Lamentos (com Vinicius de Moraes) e Carinhoso (com João de Barros), e de Bach, como o trio de “invenções” (Invenção a 2 Vozes em Ré Menor, a 2 Vozes em Sib Maior e a 3 Vozes em Fá Menor) e o Coral da Cantata BWV 140 “Wachet Auf”.
O resultado soa tão conciso que um ouvinte desatento pode nem perceber que no disco são tocadas obras de artistas tão distintos. E a intenção, desde o início, era exatamente essa.
“Resolvemos juntar obras com emoção e clima parecidos. Não queríamos uma coisa caricata, com Bach em ritmo de choro e Pixinguinha em música erudita. A idéia não era distorcer os autores. Isso exigiu ensaios”, disse Mário, logo corrigido por Marcelo. “Ensaios, não, muitos ensaios”.


Futuro indefinido

Mesmo sem muita divulgação, o que infelizmente é comum para quem faz música instrumental no Brasil, Bach & Pixinguinha já está na sétima tiragem. Os músicos acreditam que o disco está ajudando a pôr em cheque a velha divisão entre música erudita e popular. “Certamente ajuda. Mas tem que gente que faz isso sem consistência. É difícil conseguir mídia no Brasil, e nós vendemos sem mídia. Isso mostra que é um trabalho de qualidade e consistente”, afirma Mário.
Marcelo vai além, duvidando que exista realmente essa divisão. “O que existe é música elaborada e música simples. A categorização e a rotulação são erradas. Mas esse é um problema de mercado. Nos Estados Unidos e na Europa essas diferenças são mais definidas. No Brasil são mais tênues, porque o país tem menos tradição em música clássica. Aliás, esse termo é errado, pois clássico vem de Classicismo, dos séculos 18 e 19. Erudito também é ruim. Eu diria que é música de concerto.”
Depois de quatro anos divulgando sua música de concerto apenas no Rio de Janeiro, Mário e Marcelo começam agora a se apresentar no restante do país. A primeira parada é em Brasília, onde a dupla tem shows agendados em maio. Para o futuro, eles preferem não fazer planos. A possibilidade de fazer um Bach & Pixinguinha 2 existe, mas ainda não há nada definido. Outra possibilidade é o lançamento de um CD ao vivo, gravado pela Biscoito Fino em uma apresentação da dupla no Paço Imperial, no Rio.
Enquanto um novo trabalho não vem, quem quiser conhecer essa inusitada e genial mistura de Bach e Pixinguinha pode encontrar o CD na Livraria da Travessa e nas lojas Arlequim e Modern Sound, todas no Rio. Quem não for carioca ou não estiver de passagem pela cidade pode comprá-lo pelo site www.nucleo.art.br.



Veja mais:


  Conheça os autores de Bach & Pixinguinha
   Disco:  Bach e Pixinguinha
     Ficha técnica, faixas e compositores
 
Graça Music anuncia novidades à imprensa

Grupo Toque no Altar nos Estados Unidos

Metade do Pink Floyd em disco ao vivo de David Gilmour

Oasis mantém o (bom) padrão com Dig Out Your Soul
 
Confira outras matérias
desta seção
 

 

       

 
 
Copyright 2002-2008 | Universo Musical.
É proibida a reprodução deste conteúdo sem autorização escrita ou citação da fonte.
 
Efrata Music Editora Marcos Goes Marcelo Nascimento Dupla Os Levitas Universo Produções