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  Os altos e baixos da maior premiação gospel brasileira

O Troféu Talento 2003 começou com um belo coral. A premiação foi repleta de emoções
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No estacionamento, os adesivos dos carros com dizeres como “Deus é fiel”, “Só Jesus Cristo Salva” e “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” já indicavam: o ATL Hall, tão acostumado a receber as maiores estrelas do showbizz brasileiro e internacional, dedicava aquela noite ao gospel. Tratava-se do Troféu Talento, a maior premiação da música evangélica nacional, promovida desde 1995 pela Rede Aleluia, braço radiofônico da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Este ano, mais de 100 artistas e produtos concorreram em 22 categorias, através de votação popular, pela internet.
O ATL Hall recebeu um grande público, que pôde acompanhar uma noite marcada por muita emoção e fé, mas também por gafes, desorganização, problemas de som e escolhas duvidosas, em vários sentidos. O primeiro mal-estar começou antes mesmo do início da premiação: acostumada ao público de música secular, a administração do ATL Hall deixou tocando no telão, enquanto a platéia e os artistas chegavam, um DVD de Djavan, quando o mais adequado, por motivos óbvios, seria um disco gospel. O constrangimento era flagrante.
Mas o clima de evento “do mundo”, como os evangélicos chamam aquilo que não pertence ao universo gospel, prosseguiu. Graças a um erro de planejamento da Rede Aleluia – o que é até aceitável para uma premiação relativamente nova e para um segmento ainda pouco acostumado a eventos desse porte – os artistas e o público dividiram o mesmo espaço, proporcionando momentos de tietagem explícita dignos de um Roberto Carlos. Fotos, autógrafos e bate-papos fizeram com que o Troféu Talento, marcado para as 20h30, começasse mais de 22h.


‘O importante é competir’

Entre os artistas, o clima era de “o mais importante é competir”. Cantora mais assediada pelo fãs, a futura mamãe de Isaac, Fernanda Brum, se dizia feliz por participar de uma noite de louvor. “Ganhar é o que menos importa”, disse ela, que concorria em cinco categorias. Cristina Mel, disputando quatro troféus, concordou. “Já sou mais que abençoada por estar aqui”.
Os homens não se mostraram tão humildes. O recém-convertido Wanderley Cardoso – que vendeu mais de 100 mil cópias de seu primeiro CD gospel, Agora Eu Sou Feliz, e concorreu em cinco categorias – não escondeu o desejo de vencer. “Tomara que eu leve pelo menos um trofeuzinho”, disse o antigo “bom rapaz” da Jovem Guarda. PG, do Oficina G3 – grupo com mais indicações, quatro – dedicou os possíveis prêmios ao público. “Fico feliz porque as pessoas reconhecem nosso trabalho, que é feito para elas”, afirmou o vocalista.
As luzes se apagaram com muitas pessoas ainda de pé, tietando. O palco foi tomado pelo belo coral Black Choir, regido por Kleber Ferraz e acompanhado da ótima banda comandada pelo maestro Robson Nascimento. Antes da distribuição dos prêmios, o mestre de cerimônias Marcelo Silva, bispo da IURD e idealizador do evento, fez as honras da casa, destacando o Troféu Talento como a maior premiação da música gospel nacional. Depois de resolver problemas de microfonia – apenas os primeiros da noite – ele afirmou que a edição 2003 contou com a participação de cerca de 60 gravadoras evangélicas. “Tivemos mais de 400 mil acessos ao site do Troféu Talento. Algumas pessoas ainda questionam a votação, mas os vencedores são única e exclusivamente escolhidos pelo público de todo o Brasil”, afirmou o bispo, referindo-se aos boatos de que os artistas da Line Records, gravadora pertencente à IURD, são beneficiados na votação.
Acompanhada de uma bonita coreografia, Fernanda Brum interpreta Quebrantado Coração, uma das concorrentes a “música do ano”
Ainda falando sobre esse assunto, Marcelo Silva proporcionou o segundo desconforto da noite. Ao explicar por que os artistas da Line têm muitas indicações – segundo ele, porque a IURD e a gravadora são quem mais apóiam o Troféu Talento – o bispo contou que teve dificuldades em divulgar o evento nas demais rádios evangélicas – que, vale explicar, são ligadas a gravadoras. Sem citar nomes, ele disse que em uma emissora teve até que pagar anúncio. “Quem sabe um dia nós nos unificamos”, espetou Marcelo, para constrangimento dos demais executivos ali presentes.
A seguir, o primeiro quadro musical com cantores consagrados: Rose Nascimento e Ismael Alexandre cantaram juntos Santo, Santo, Santo, grande sucesso da cantora. Um dueto perfeito, com a união de duas vozes poderosas, que emocionou o público. Logo depois entraram os principais apresentadores, a cantora e apresentadora Mara Maravilha e o apresentador do programa “Gospel Line”, da Rede Record, Rodrigo Brassoloto. Péssima escolha: Mara, em alguns momentos, lembrou seus tempos de artista secular e cometeu gafes, enquanto Rodrigo mostrava-se pouco à vontade.
Para a sorte do público, Mara e Rodrigo revezaram-se como mestres de cerimônias com outros apresentadores. Os primeiros foram o ex-vocalista da banda Twister e recém-convertido Gilson e a modelo Gisele Fraga, que entregaram o prêmio de “revelação masculina” a Wanderley Cardoso. “Eu era da Jovem Guarda, e hoje sou da Jesus Guarda!”, brincou Wanderley, que vivenciou mais uma prova dos erros da produção do evento: como concorrente a “música do ano”, ele seria um dos oito artistas a fazer um número musical. Mas, sem ser avisado sobre o momento correto para cantar, confundiu-se e, em vez de sair do palco, ficou esperando uma orientação que demorou a vir.
O prêmio de “melhor coletânea” foi dado à AB Records, pelo CD O Melhor do Gospel Nacional – Vol. 2. Aline Barros, dona da AB Records, foi receber o troféu, que dedicou ao pai, pastor Ronaldo Barros, diretor da gravadora.
A terceira categoria era inédita: “CD pentecostal”. A vencedora foi a preferida da torcida: Cassiane, que desbancou Mauricéia, Shirley Carvalhaes, Lauriete e Rose Nascimento. Detalhe: como os premiados foram escolhidos pelo público, quase sempre o preferido da platéia do ATL Hall levava o troféu, com raras exceções.


Jamily é a vencedora da noite

Com o troféu de “revelação feminina”, Jamily, de apenas 9 anos, cantora revelada no “Programa Raul Gil”, iniciou uma série de premiações, que fariam dela a grande vencedora da noite. Ao subir ao palco, ela demonstrou nervosismo e não conteve a emoção. “Agradeço ao Senhor tudo que Ele fez e tudo que ainda vai fazer por mim”, disse Jamily, às lágrimas.
Mara e Rodrigo voltaram ao palco para chamar a primeira concorrente a “música do ano”, Fernanda Brum, que cantou o hit Quebrantado Coração, acompanhada por um bonito balé. O Oficina G3 veio logo em seguida para apresentar a categoria “melhor dupla”. Não teve para ninguém: mais uma vitória do infalível casal Cassiane e Jairinho. O grupo de rock apresentou ainda outros três vencedores: Jamily e Robinson Monteiro, “melhor dueto”, outra categoria nova, em Tempo de Vencer; Diante do Trono, que levou o prêmio de “CD de adoração e louvor” por Nos Braços do Pai; e Marina de Oliveira, pelo videoclipe da canção Jesus Volta Logo. Um prêmio justo, já que Marina – que, por estar doente, foi representada na festa pela mãe, Yvelize – protagonizou uma megaprodução, considerada por muitos como o melhor clipe da história da música gospel nacional.
Agora no momento certo, Wanderley Cardoso subiu ao palco para cantar Coração de Carne, outra concorrente a “música do ano”, e ser muito aplaudido. A seguir, a atriz Adriana Lessa e o cantor Marcelo Aguiar, melhores apresentadores da noite, entregaram os prêmios de “melhor arranjo” a J. Neto, por Além das Aparências (arranjos de Eduardo Lages); “versão” a Jamily, por Tempo de
Rose Nascimento e Ismael Silva protagonizaram um dos mais belos momentos da noite, cantando Santo, Santo, Santo
Vencer
; “CD de pop ou rock” ao Oficina G3, por Humanos – categoria que deveria ser separada, pois este ano causou distorções como a disputa de um mesmo prêmio por artistas tão díspares como Jamily e Novo Som – e “intérprete masculino” a Marcos Góes.


Cassiane é homenageada

Um dos momentos mais aguardados da noite era o encontro entre a dupla clássico-pop Rinaldo & Liriel, Davi Fantazzini, ex-participante do programa “Fama”, e o ex-Twister Gilson. O encontro correspondeu às expectativas: com extrema beleza, eles interpretaram standards da música evangélica, que marcaram a conversão de muitas pessoas: Grandioso És Tu (Rinaldo & Liriel), Nosso Deus É Soberano (Davi) e Grande É O Senhor (Gilson). O quarteto permaneceu no palco para entregar o troféu de “melhor regravação” a Fernanda Brum, por Lembranças de Jesus. A cantora não escondeu a emoção por levar mais um prêmio. “Agradeço ao Senhor, que me fez dizer: ‘sou Dele’. Meu troféu vai para Ele. Jesus, eu te amo!”, disse a cantora.
Mais um número musical, dessa vez com a onipresente Jamily, que voltou ao palco para apresentar Tempo de Vencer. Hora também de mais um problema técnico: dois dos efeitos especiais que seriam usados na hora da música explodiram, não se sabe se propositalmente, assustando até mesmo os músicos do maestro Robson Nascimento.
Mas o problema foi logo esquecido com o momento mais emocionante da noite: Kleber Lucas entregando o “Prêmio Rede Aleluia” – concedido a um artista por sua contribuição à música gospel brasileira – a Cassiane. No telão, imagens da carreira da cantora e uma breve história da sua vida, que revelou ao público, por exemplo, que Cassiane, mãe de dois filhos e grávida de outro, começou a cantar aos 3 anos, em igrejas, aos 8 lançou o primeiro de seus 13 discos e hoje possui mais de 1 milhão de álbuns vendidos. Foi difícil conter a emoção. “Acho que vou ter esse filho hoje. Me segura, Jesus!”, brincou a cantora, chorando. “Não sou merecedora de nada. Acima de tudo, a glória é de Deus”, disse ela, que no improviso e acompanhada em coro pelo público cantou Recompensa, música que dá nome ao seu mais recente CD.
Antes de Marcos Góes interpretar Senhor, Vem Ficar Comigo, os cantores Carlinhos Félix e Leonor chamaram ao palco os vencedores dos prêmios de “compositor do ano” e “intérprete feminino”, entregues, respectivamente, à dupla Beno Cesar e Solange de Cesar e à cantora Ísis Regina.
A seguir, um dos prêmios mais bem entregues da noite: o ótimo For Kids, de Cristina Mel, foi escolhido o melhor “CD infantil”, desbancando nomes como Aline Barros e Mara Maravilha. Cristina, que já havia perdido nas categorias “melhor versão” e “intérprete feminina”, soltou o grito da garganta. “Louvado seja o Senhor, que ama os pequeninos. É um privilégio trabalhar com crianças e aprender com a inocência delas”, disse Cristina, que fez o ATL Hall inteiro rir quando agradeceu o prêmio ao marido Carlos, a quem chamou de seu “tchubi-tchubi”.


Injustiças e emoções

Depois de Ísis Regina cantar Águas Cristalinas, foi a vez da terceira categoria nova, “CD sertanejo”, que era para ser apresentada somente pelo recém-convertido cantor Donizete, mas contou também com a presença de Marcelo Aguiar, chamado na hora ao palco. Surpresa dupla: a vitória do novato Erlon, com Criança aos Meus Olhos, desbancando os sempre favoritos Raíssa & Ravel; e o fato de Marcelo apresentar um prêmio que também disputava. Mara tentou intervir, mas o estrago já estava feito e Marcelo teve o desprazer de ser o primeiro a ver que não ganhou.
Um descanso na premiação para um número musical diferente: a Família Lima, com sua mistura de música clássica e popular. Tentando entrar no clima, eles cantaram a capela o conhecido hino Preciosa Graça (Amasing Grace), mas pareciam deslocados, fora de contexto. “Neste mundo em que vivemos, cantar e celebrar o amor é algo sem preço”, disse Lucas, sem citar o nome de Deus.
Rodrigo Brassoloto, pouco à vontade, e Mara Maravilha, infeliz em algumas declarações, deixaram a desejar como apresentadores
Se o troféu dado a Cristina Mel foi o mais justo, o que foi entregue à comunidade Diante do Trono pelas mãos dos executivos Yvelize de Oliveira (MK Publicitá), Mafra Dutra (Line Records), Elias de Carvalho (Bom Pastor) e Claudinho Mil (Top Gospel) por “melhor grupo ou banda” foi o mais injusto. Não que Ana Paula Valadão e cia. não merecessem, mas classificá-los como “grupo ou banda”, disputando o mesmo prêmio que Novo Som, Oficina G3 e Banda Gerd (o quinto concorrente era a também mal classificada Comunidade Evangélica de Nilópolis) é no mínimo indevido. O ideal era que existisse uma categoria própria para comunidades ou louvores das igrejas, para evitar distorções como essa.
Logo depois foi a vez da categoria “cantor do ano”, uma das mais disputadas. A torcida era por Kleber Lucas e bispo Marcello Crivela, mas J. Neto acabou surpreendendo e levando o prêmio. “Há dois anos alguém me disse: ‘você já era’. Senti uma tristeza muito grande e fiquei todo esse tempo sem gravar. Mas fui convencido a voltar por alguém que acreditou em mim: bispo Marcelo Silva. Obrigado”, desabafou J. Neto, em meio às lágrimas.
O prêmio de “cantora do ano” também foi “briga de cachorro grande”. Fernanda Brum, Jamily, Cristina Mel, Rose Nascimento e Cassiane receberam igual ovação do público, mas o troféu ficou com a primeira. “Ai Jesus, perdoe a emoção, estou muito nervosa. É tudo culpa do Isaac”, brincou a cantora, que dedicou o prêmio à Igreja Ebenezer de Vicente de Carvalho, no Rio, à qual ela freqüenta.


Muito trabalho pela frente

Soraya Moraes foi a última concorrente a “música do ano” a se apresentar, cantando Digno de Glória. Na penúltima categoria, “CD do ano”, Mara provocou um dos momentos mais constrangedores da noite, cometendo uma gafe dupla. Primeiro foi antes de apresentar os concorrentes, quando fugiu completamente ao tal espírito “o que vale é participar” demonstrado pelos artistas ao comentar com Rodrigo: “Este ano não ganhei nada, mas ano que vem vou pedir ajuda a você para carregar os prêmios”.
Depois foi pior ainda. Quando abriu o envelope e viu o nome de J. Neto – que disputava com os favoritos Fernanda Brum e Jamily – ela duvidou, e chegou a perguntar à produção: “Tem certeza? É esse mesmo?”
Não bastasse, Mara quase termina de chutar o balde quando, antes de apresentar os oito concorrentes a “música do ano”, arriscou que a vencedora fosse Além das Aparências, de J. Neto. Enquanto os indicados apareciam no telão, o público mal se manifestou, acreditando que Mara já teria adiantado o vencedor. Depois, tentando se corrigir, ela disse: “Eu gosto muito dessa música, Além das Aparências, mas o vencedor é Tempo de Vencer, de Jamily”.
Quase 1h e é fim de festa. Não antes que Mara chamasse à frente todos os candidatos ao palco para as fotos finais e alguém a corrigisse dizendo que eram só os vencedores. As gafes finais e os erros da produção não conseguiram apagar completamente o brilho da festa, que esbanjou em emoção e demonstrações de fé. Mas deixaram a certeza de que a Rede Aleluia precisa trabalhar muito para que o Troféu Talento alcance a mesma credibilidade dos festivais similares da música secular.
      


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  Confira os indicados e os vencedores do Troféu Talento 2003






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