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  A faxineira das canções varre o tempo perdido

Divulgação
Depois de lançar um CD em duo com Jane Duboc, no final dos anos 90, Zezé Gonzaga lança seu primeiro álbum solo no formato digital, Sou Apenas Uma Senhora Que Ainda Canta. Os dois LPs da cantora nos anos 60 e 70 ainda não foram relançados em compact disc
“Assim como quem cuida de uma casa, com capricho e com carinho, cuido bem da minha voz”. Embora esses versos, que iniciam a música Faxineira das Canções, tenham sido escritos por Joyce para celebrar os 50 anos de carreira de Elizeth Cardoso, hoje eles parecem se encaixar melhor em outra diva da música brasileira, a também divina Zezé Gonzaga. Aos 75 anos – e ela faz questão de dizer a idade – a cantora ainda parece aquela dama saliente e talentosa que, depois de brilhar como uma das maiores estrelas da lendária Rádio Nacional, gravou seu primeiro LP em 1967, Canção do Amor Distante, disco feito sob a regência dos maestros Lídio Panicali e Gaia e que permanece inédito em CD.
Não é à toa que, conhecendo seu potencial, Zezé Gonzaga tenha escolhido a música de Joyce para abrir seu quarto disco, Sou Apenas Uma Senhora Que Ainda Canta (Biscoito Fino), com produção de Hermínio Bello de Carvalho, arranjos de Cristóvão Bastos (que também toca piano e acordeom) e participação dos renomados músicos Jorge Helder (baixo acústico), Hugo Pilger (violoncelo), Ricardo Pontes (sax) e João Lyra (violão). É o primeiro CD solo de Zezé, que, além de Canção do Amor Distante, gravou o LP Valzinho: Um Doce Veneno (79), também inédito no formato digital, e o CD Clássicas, ao lado de Jane Duboc. “Deus me proporcionou a grande alegria de ainda poder cantar. Sou uma senhora de 75 anos cuja voz não envelheceu”, diz Zezé.
A oportunidade de gravar o CD surgiu no início de 2002, quando a cantora mineira, há quase 60 anos radicada no Rio, fez uma série de apresentações no Paço Imperial. Em uma delas estava Olivia Hime, dona da Biscoito Fino. O convite para gravar um disco foi imediato. “Geralmente se faz primeiro o disco para depois fazer o show, mas comigo foi o contrário”, conta Zezé. “Um dia a Olivia assistiu ao show e veio me dizer que aquilo já era um disco pronto. Me convidou para gravá-lo na Biscoito Fino, e o resultado foi um CD gostoso de se ouvir”, diz a cantora, sem modéstia.


Popular x erudito

Dona de uma bela voz soprano, Zezé sempre flertou com a música clássica. Chegou a estudar canto lírico, mas não seguiu carreira porque “o mercado é muito pequeno”. Mas ela deu suas escapadinhas de vez em quando. Na Rádio Nacional, Zezé era a preferida do maestro Radamés Gnatalli, de quem vira-e-mexe cantava temas eruditos, juntamente com obras de Villa-Lobos. Muitas vezes, para cantar sambas, ela baixava o tom da voz, para dar às músicas um caráter mais popular.
Hermínio Bello de Carvalho, antigo amigo e produtor de Zezé, utilizou bem essa dicotomia popular x erudito para escolher as faixas e a forma de gravá-las em Sou Apenas... Ele transformou 22 músicas em sete movimentos, como em uma obra clássica. Entre os compositores, Tom, Vinícius, Pixinguinha, Ary Barroso e, é claro, Radamés e Villa-Lobos, entre muitos outros. Sou Apenas... é dedicado a Elizeth Cardoso, ídolo de Hermínio e Zezé e intérprete de grande parte do repertório do disco. “Elizeth parecia uma pessoa séria, mas era moleca como eu. Poucos vão ter a oportunidade de fazer o que ela fez e marcar a MPB da forma como ela marcou”, derrete-se Zezé.
Todos esses elementos, e alguns outros, estão presentes nos sete atos. O primeiro, “Cantora: Ofício e Predestinação”, abre com Faxineira das Canções, em pot-pourri com Esquecendo Você, de Tom e Vinícius, e segue com Inquietação, de Ary Barroso. O segundo, “Tocando na Ferida”, tem como destaque o choro Por Que Te Escondes, de Pixinguinha, música que foi letrada pelo poeta Thiago de Melo em 1958 e permanecia inédita.
O terceiro bloco, “Canções de Indiferença, Mentiras & Afins”, começa com um pot-pourri de canções do período pré-bossa nova, incluindo autores como Tito Madi (Cansei de Ilusões) e Dolores Duran (Não Me Culpe). Aqui aparece ainda a versão de Zezé para Todo Sentimento, de Cristóvão Bastos e Chico Buarque, que fez sucesso com Verônica Sabino. A seguir, o quarto movimento começa com uma nova homenagem da cantora a Valzinho – autor que, segundo ela, foi o primeiro a acreditar em seu trabalho – em Imagens. Elizeth Cardoso volta à tona em Vida de Artista, de Sueli Costa e Abel Silva, que compuseram a canção, a pedido de Hermínio, para um disco que ele produziria com a Divina e que nunca foi lançado.
O produtor também está presente no ato seguinte, “Cantigas de Amor e de Partida”, em Prelúdio da Solidão. Feita em parceria com Villa-Lobos, a música aqui é interpretada a capela por Zezé. Já o sexto movimento, “A Faxineira das Canções Retoma O Seu Ofício”, tem como única faixa a canção que dá título ao CD. A música foi composta por Radamés Gnatalli, que a entregou a Hermínio para letrá-la. No encarte do disco, o produtor conta que só fez isso recentemente, já que na época um dos ensaios da dupla foi interrompido por Tom Jobim, que os levou a um boteco para tomar cerveja e comer moela.
O disco termina com um verdadeiro tributo a Elizeth Cardoso, no ato “Sobre Um Chão de Estrelas, Ela Canta”, que traz o primeiro sucesso na voz da Divina, Canção de Amor, outra música famosa com ela, Chão de Estrelas, e Estrelas, um samba-canção escrito por Elizeth que, inicialmente, era para ter sido gravado por Clara Nunes, mas acabou na voz de Pery Ribeiro. “Hoje, a canção pertence a Zezé, por merecimento”, decreta Hermínio.


Saudosista convicta

Zezé Gonzaga vem dando entrevistas para divulgar o CD e se diz pronta para fazer novos shows, onde espera contar com o público jovem que conquistou nas apresentações no Paço Imperial. Dizendo-se ainda uma “veinha safada”, a cantora mostra o pique de uma iniciante no show business, feliz com a repercussão do disco e com a volta da notoriedade, ela que pensou em abandonar a carreira nos anos 70 porque não queria se render ao comercialismo das gravadoras. Mas, perguntada se sente falta do passado, ela não esconde o saudosismo, e demonstra ainda manter vivo na memória o tempo de estrela das cantoras do rádio.
“Estou há 58 anos fazendo MPB, e se tivesse que fazer tudo de novo, faria. Tive muita alegria em tudo. Agradeço por ter vivido os anos dourados da Rádio Nacional. Ninguém tem saudades do que foi ruim”, argumenta Zezé, certa de que, nessas quase seis décadas, nunca escolheu as músicas para interpretar, mas sempre foi escolhida por elas. Convicção de uma senhora que ainda tem muito a cantar.



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