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  Paulo Girão homenageia a Lapa em seu primeiro disco

Divulgação
Paulo Girão na Escadaria da Lapa: em seu primeiro disco, o cantor e compositor mostra o mesmo ecletismo do boêmio bairro carioca
Engana-se quem pensa que a Lapa é um reduto apenas de sambistas e chorões. Para quem não sabe, este boêmio e folclórico bairro carioca foi, no passado, o lugar onde mais se ouvia música internacional no Rio, especialmente a francesa. Quem conta é o cantor, compositor, violonista e agora também pesquisador Paulo Girão, que homenageia o bairro em seu primeiro disco, Lapa Mundi.
Morador do local há 14 anos, o niteroiense Paulo Girão revirou os sebos atrás de livros que contassem o passado da Lapa. Somando suas andanças pelo bairro, ele descobriu que a fama de “reduto do samba e do choro” não passava de marketing: a Lapa é, na verdade, um caldeirão de sons e de gente, misturando samba, reggae, baião e rock com a mesma democracia com que congrega prostitutas, travestis e jogadores.
E foi esse caldeirão que Paulo Girão buscou retratar em seu primeiro disco, que é de fato o terceiro. O músico começou a carreira em 1975, em um show solo sob as bênçãos de João Bosco e Aldir Blanc. Na mesma década, teve uma música gravada pelos Mutantes, Glória ao Rei dos Confins do Além, incluída por Rita Lee e cia. em uma coletânea da antiga gravadora Phillips (hoje Universal). Outra música fez mais sucesso: a bonita Diariamente foi gravada, entre outros, por Alaíde Costa, Pery Ribeiro e Emílio Santiago.
Nos início dos anos 80, Paulo Girão chegou a gravar um LP independente – no mesmo estúdio e na mesma época em que o grupo Boca Livre lançava seu primeiro disco, também independente, e que o projetou nacionalmente – mas que acabou não sendo lançado. A carreira, então, teve que ficar de lado, e Paulo se dedicou a ensinar música, fazendo apenas shows esporádicos. Até que em 1998 ele teve a oportunidade de gravar um CD demo, chamado A Revolta do Boêmio, que lhe abriu as portas para lançar um disco mais sofisticado. Nascia Lapa Mundi.
“O disco demo era muito simples, apenas de voz-e-violão e com um ou outro convidado. Foi um teste. Até que eu consegui concluir este CD, com um número maior de músicos, com arranjos e a parte gráfica mais elaborados”, diz Paulo Girão, que fez o violão-base no disco, atuando ao lado de Flávio Goulart (violão, teclado e baixo) e Mário Delgado (bateria). Como convidados, músicos experientes como Pedro Leão, Sérgio Rovha, Gabriel Improta e Claudio Jorge (violões e guitarras), Edson Bahal (teclado), Pedro Bittencourt (sax) e Barrosinho (trompete).


Histórias e bom humor

Paulo Girão conseguiu com muita proeza transpor o ecletismo da Lapa para o disco. Lapa Mundi vai da abolerada Sou Eu O Chefe à bossa nova de Lulu Bad Boy, passando pelo baião de A Invenção do Sexo, o suingue disco de Vida com Frisson e o romantismo da faixa-título. Algumas músicas guardam boas histórias e outras revelam o lado bem-humorado de compor de Paulo Girão, autor de todas as 11 faixas.
A Invenção do Sexo
, por exemplo, foi feita a partir de uma notícia de jornal. “Costumo fazer as coisas do ponto de vista jornalístico. A inspiração para A Invenção do Sexo veio de uma notícia do caderno de Ciência do Globo, que falava que a primeira manifestação sexual teria sido descoberta na China. Como eu não podia fazer uma letra científica, usei bom humor, me colocando como um professor dando uma aula de sexo, e aproveitando o ensejo para recomendar o uso da camisinha”, conta Paulo, que adoraria ver a música regravada por Elba Ramalho.
A dançante Vida com Frisson faz referência a um dos personagens mais polêmicos da Lapa, o travesti Madame Satã. “Já tentei fazer alguns shows falando dele e encontrei preconceito, como até hoje encontro. E olha que ele já foi até personagem de filme (“Madame Satã”, de Karim Ainouz), que por sinal, embora muito premiado no exterior, aqui não teve o mesmo sucesso de “Cidade de Deus”, por exemplo. As pessoas preferem ver criança matando criança do que cenas tórridas da Lapa”, diz Paulo Girão, ressaltando que fez questão de citar Madame Satã na música como um ícone da Lapa antiga.
E foi em uma de suas andanças pela Lapa que surgiu a faixa que dá nome ao disco. “Antes de a Lapa virar essa moda que está de uns anos pra cá, eu já andava pelo bairro, conhecia alguns personagens. Eu tinha que homenagear a Lapa de qualquer jeito, com uma canção romântica. E comecei a fazer a música passando ali pela Praça Paris. As coisas começaram a nascer na minha cabeça, corri para casa e comecei a compor”, conta Paulo, que diz ter “decepcionado” muitas pessoas que, pelo título, imaginavam que Lapa Mundi seria um disco de samba. “Os puristas perguntam: ‘que Lapa é essa, meio pop, com guitarra, discoteca?’ Mas essa é a face da Lapa que muita gente está omitindo por alguma questão”, afirma o músico.


Firmando-se como compositor

Paulo Girão aponta a execução nas rádios do interior e a venda de discos pela internet e por bancas de jornal como boas saídas para a grande quantidade de músicos que tenta se lançar no saturado mercado do eixo Rio-São Paulo, onde as grandes gravadoras passam por momentos difíceis. Mal lançou seu primeiro CD, ele já começou a gravar o próximo. E adianta uma das faixas: será Tudo Mais Nada, um poema de Abel Silva musicado pelo próprio Paulo. “Vou mandar meu próximo disco para os cantores, para todo lugar que tiver direito. Enquanto trabalho um, já faço outro. É um processo permanente”, diz Paulo, que pretende se firmar na carreira de músico como compositor.
“Não pretendo ficar freqüentemente me apresentando em bar porque minhas músicas são inéditas, e o pessoal geralmente gosta de ouvir sucessos. Meu sonho, a médio prazo, é ter uma carreira consolidada como autor. Quero é que as pessoas gravem as minhas músicas. E eu já fui muito elogiado por causa das letras, por artistas como Ivan Lins e Gonzaguinha”, conta o músico.
Para alcançar sua meta, Paulo Girão diz usar a paciência, mas sem morosidade. “Estou me aperfeiçoando, amadurecendo cada vez mais, o que não aconteceu nos anos 80, quando meu disco foi abortado e, por conseqüência, foi abortada a minha carreira. Por conta disso, o meu aviãozinho, em vez de decolar, voltou para o hangar. Tive que fazê-lo voltar para a pista, e é muito difícil recomeçar. Mas agora eu sinto que estou indo na pista correta, para onde eu queria ir e para onde já deveria ter ido.”



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