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  Entrevista: “não podemos deixar esse tesouro guardado”

Paulo Jobim e o troféu do Grammy Latino, que ele ganhou pelo CD Jobim Sinfônico. Uma prova de que a obra de seu pai continua viva

Por Marcos Paulo Bin
11/11/2004


Ana Lontra Jobim, Paulo Jobim, Kati Almeida Braga e Olivia Hime apresentaram o disco Antonio Carlos Jobim em Minas Ao Vivo – Voz E Piano e falaram sobre o selo Jobim Biscoito Fino em uma concorrida coletiva de imprensa na sede da Biscoito Fino, no Rio. Estiveram presentes cerca de 40 jornalistas, representando veículos de todo o país e até mesmo o jornal americano “The New York Times”.

Antes e depois da entrevista, foram exibidas antigas imagens de Tom em Nova York, no Rio e em alguns shows. À frente dos entrevistados, o troféu do Grammy Latino, como se ele lembrasse que, apesar de aquelas imagens vistas no telão nunca mais repetirem, a obra de Tom Jobim é infinita e continuará rendendo frutos.

Confira alguns trechos da entrevista. As perguntas em azul foram feitas pelo UNIVERSO MUSICAL.

Falem sobre o selo Jobim Biscoito Fino.

Ana – Estamos inaugurando o selo com este CD e nosso próximo lançamento será um DVD com um show de Tom em Lisboa, em 92. A proposta do selo é mergulhar no acervo do Tom, pegar tudo que foi gravado em áudio e vídeo e juntar sob o mesmo teto.

Como vocês encontraram esse show?

Paulo – Essa fita passou a vida toda na estante do meu pai, mas durante anos eu não sabia que ela existia. Quando decidimos lançar esse disco, fomos até o Palácio das Artes, mas descobrimos que eles só tinham o primeiro dia de gravação. Só que o segundo dia, que era o que nós tínhamos, estava tão melhor que não dava nem para misturar. Então preferimos lançar aquela fita que estava esquecida, mesmo.

Qual é a sua impressão sobre o CD?

Paulo – Eu acho que o som do piano está maravilhoso. A impressão que se tem é que meu pai está curtindo mesmo aquilo, que está tocando como se estivesse em casa.

Qual a tiragem inicial do disco?

Kati – Vamos sair com 25 mil cópias, mas não vamos nos preocupar com tiragem. Este não é um CD para o Natal. É um disco para repormos com o tempo nas lojas, pois a obra sempre desperta interesse.

Olívia – Pelo andar da carruagem, já vamos ter que fabricar mais. A procura está sendo muito grande.

O disco traz todas as músicas e na mesma ordem em que foram tocadas?

Paulo – A ordem é a mesma. Só faltou uma música, que era Felicidade. Ela estava cortada; meu pai deve ter tocado no momento em que a fita estava sendo trocada. Não deu nem para emendar.

O disco está saindo por causa dos 10 anos da morte do Tom Jobim?

Paulo – Não, mesmo porque eu não quero comemorar essa data.

Ana – Algumas pessoas já estão fazendo coisas assim. Nós queremos recuperar os discos do Tom no Brasil e os que saíram lá fora e permanecem inéditos aqui. Alguns fonogramas já são nossos.

Que discos já podem sair pelo selo Jobim Biscoito Fino?

Ana – Em breve o Tom Canta Vinícius será nosso. Já temos o CD Minha Alma Canta, que traz 14 gravações do Tom em songbooks feitos pelo Almir Chediak. Vamos relançar esse disco, mas não sei se com esse nome.

Paulo – Hoje você vai a qualquer loja de discos no Brasil e só encontra as edições americanas dos discos do Tom. Vamos entrar em contato com as gravadoras para que nós possamos relançar os discos originais, e elas ficam com as coletâneas. É disso que elas gostam, mesmo.

Ainda existe muito material inédito do Tom?

Ana – Sim, existe. Nós queremos focar o selo no que ele gravou, em sua obra fonográfica. Tem muita coisa inédita que ele fez nas gravadoras por onde passou e até mesmo em outras, como as trilhas, por exemplo. A da minissérie “O Tempo E O Vento” é uma delas.

Como é lançar um disco sem saber se o artista aprovaria? Quais são os critérios?

Paulo – Nós só lançamos discos que tenham qualidade sonora ideal. Se o material não estiver em condições adequadas, ele pode ficar no Instituto Tom Jobim, para ser ouvido lá. Mas virar disco, não.

Muita gente tem gravado músicas do Tom ultimamente. Vocês aceitariam, por exemplo, que alguém fizesse versões em hip hop?

Paulo – Acho melhor uma versão hip hop do que uma teoricamente sofisticada, mas na qual o cara muda todos os acordes simplesmente porque não os conhece. Todas as partituras do Tom estão disponíveis, basta consultar.

O show de Tom em Minas foi único ou ele estava em turnê?

Ana – Não, ele foi a Minas só para aquele show e depois voltou ao Rio. O Tom vivia um período de entressafra. Ele nunca gostou de fazer show, mas vinha da temporada com Vinícius, Miucha e Toquinho, onde tinha o respaldo dos amigos. Ele estava quieto, no canto dele, quando recebeu o convite para tocar em Minas. Também foi o show que antecedeu a formação de sua banda.

Quando surgiu a idéia de criar o selo?

Kati – Há uns dois anos. A sugestão foi da Ana, mas nós quatro já vínhamos conversando sobre isso, principalmente por causa da dificuldade de encontrar os discos originais do Tom no Brasil.

Ana – Não podemos deixar esse tesouro guardado.

Vocês pensam em disponibilizar as músicas do Tom para celular ou para a internet?

Paulo – Isso é complicado, pois quase nada do que temos pode ser disponibilizado, por causa das gravadoras, dos parceiros do Tom etc. Eu penso em fazer uma rádio virtual, mas quero cobrar direitos autorais. Temos um projeto com a Petrobras de colocar todo o acervo do Instituto Tom Jobim na internet – partituras, áudio e vídeo – mas tem esse problema das autorizações.

É verdade que vocês estão indo aos Estados Unidos? Para quê?

Kati – Vamos tentar firmar parcerias com as gravadoras para trazer ao Brasil os discos do Tom que saíram por lá e também lançar nos Estados Unidos os que saírem aqui.

Olivia, o que representa para você e para a Biscoito Fino poder lançar a obra de Tom Jobim através desse selo?

Olivia – Para a Biscoito Fino, é a realização total do que eu e Kati sempre imaginamos como a cara da gravadora. Nosso início foi muito árduo. Um dia eu perguntei a Kati: “Será que existe música no fim do túnel?” E ela me disse: “Existe, sim”. O melhor prêmio que poderíamos receber foi essa união.

A Biscoito Fino vem se expandindo através da criação de selos...

Olivia – Sim. Temos o Biscoitinho (de música infantil), o Quelé (de samba, em associação com a Acari Records), o Quitanda (de Maria Bethânia e Kati Almeida Braga) e agora o Jobim Biscoito Fino. O próximo será Biscoito Clássicos, dedicado só à música clássica brasileira.

Você se sente frustrada por lançar tantos produtos de qualidade e não encontrar espaço no rádio para tocá-los?

Olivia – Eu sonho em ter um programa de rádio onde a Biscoito Fino receberia seus convidados. Eu acho que se eles não tocam nossas músicas, nós mesmos temos que tocar. Se não temos uma gravadora, criamos uma. Não dá para ficar resmungando, temos que agir. Mas eu não me sinto injustiçada. Isso é o que está rolando no mundo todo. É como se devastassem a Mata Atlântica e em seu lugar plantassem só baobás. Ou seja, seria a morte da diversidade, que é a grande riqueza da música brasileira. Acho que temos que lutar em fóruns na internet, com os amigos, tentar se unir às multinacionais para que as rádios voltem a ser a vitrine da música.


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